novembro/2025

REVISTA LUMOS

sexta edição

é síndrome de impostora ou seu pedagógico tá fraco mesmo?

matéria de capa

a percepção da qualidade que nós, consumidores, temos acerca dos serviços que contratamos segue uma conta simples. nós comparamos, mesmo que inconscientemente, o que esperamos de um serviço e nossas percepções uma vez que o recebemos.

servico lumos

nossas expectativas sobre qualquer serviço são formadas a partir de: experiências passadas, necessidades pessoais, expressões da marca, comunicação boca a boca etc.

esta conta pode ter três resultados:

resultadosqualidadecliente
serviço excede as expectativasexcepcionalmuito satisfeito
serviço adequado às expectativassatisfatóriasatisfeito
serviço aquém das expectativasinsatisfatóriainsatisfeito

resultados

  • serviço excede as expectativas: qualidade excepcional & cliente muito satisfeito
  • serviço adequado às expectativas: qualidade satisfatória & cliente satisfeito
  • serviço aquém das expectativas: qualidade insatisfatória & cliente insatisfeito

é essa conta que nossos alunos fazem enquanto consumidores do nosso trabalho! mas ela deixa de fora algo muito importante: a aprendizagem.

como medir os resultados do nosso trabalho? como não ser refém de percepções, sejam elas nossas ou dos nossos alunos?

toda essa reflexão pode ser bastante incômoda. em especial, porque colocamos o que há de mais importante no nosso trabalho – o ensino – numa posição de vulnerabilidade. ao compreendermos que há melhorias a serem realizadas no serviço que oferecemos, aceitamos a ideia absurda de que somos péssimas professoras. por escrito, é mais fácil identificar o óbvio: a necessidade de melhorias não desqualifica nosso trabalho, tampouco nos caracteriza como incompetentes, irresponsáveis ou qualquer-outro-adjetivo-nessa-linha que passe pela nossa cabeça.

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para garantir que entregamos o que prometemos, precisamos medir os resultados dos nossos alunos. algo que só conseguimos se temos, bem determinados:

 objetivos de aprendizagem

não o conteúdo que você vai “dar” para o seu aluno. é importante descrever o que ele será de fato capaz de realizar a partir da experiência de aprendizagem em questão – seja uma aula ou um trimestre.

 evidências de aprendizagem

ou seja: como você pode verificar se o objetivo está sendo alcançado ou não.

sem dados, reina a insegurança. talvez seja síndrome de impostora, talvez seu pedagógico esteja fraco. sem dados, não podemos ter certeza nem de um nem de outro.

nesta edição da revista, em preparação para a imersão Feedback: da avaliação à entrega, vamos discutir sobre o que significa aprender – e como podemos observá-la de maneira sistemática e comunicá-la de maneira eficiente para nossos alunos.

[live de quinta] como descobrir que você não é uma impostora (ou será que é? 👀)

como você sabe que não é uma fraude?

como você atesta a qualidade do seu trabalho?

é muito comum ver gurus do marketing digital usando grandes números para atestar resultados. números que representam quantidade: de dinheiro, de faturamento, de vendas. esses resultados, porém, não dizem nada sobre aprendizagem.

vender um curso para mil pessoas não é o mesmo que afirmar que mil pessoas aprenderam. tampouco finalizar um curso é sinônimo de aprendizagem: é possível assistir muitas aulas e, ainda assim, não aprender um conteúdo. quando o assunto é o desenvolvimento de habilidades e competências, então, o buraco é beeeeeem mais embaixo.

quem vende muito é boa em vender, mas não necessariamente em ensinar. vender é parte do seu trabalho. mas a venda só existe porque, antes, existe o ensino.

talvez você não tenha números expressivos de vendas. e tudo bem. esses não são os dados que realmente importam para o seu aluno. ele precisa saber que você é capaz de ensiná-lo. para isso, pouco importa o seu faturamento. os dados que valem a pena são outros.

como obter dados relevantes sobre a aprendizagem dos seus alunos? através do método certo de avaliação.

avaliando corretamente, você:
 acompanha o desenvolvimento do seu aluno
 é capaz de comunicar com clareza o que foi aprendido
 personaliza a aprendizagem (mesmo em grupos)
 & garante a qualidade do seu trabalho.

esse foi o tema da live de quinta. assista & deixe seu comentário:

feedback: o elo perdido da retenção

que a retenção não é uma ave colorida que voa pra dentro da sua casa em um belo dia de verão você já sabe, ou seja: não tem mágica ou carisma que milagrosamente mantenha seus alunos. mas será que você consegue identificar quais elementos do seu pedagógico realmente afetam a sua retenção?

falamos da retenção como um “meus alunos são muito fiéis”, mas só agradecemos mesmo por ela existir quando não precisamos captar massivamente, já que as vagas se mantém ocupadas – e esse é o primeiro ‘parentesco’ muito ignorado: se você detesta campanhas de captação, trabalhar na retenção pode ser uma saída pra movimentos mais suaves (e menos preocupantes) no início do semestre.

porém é ali, no feedback que você nem sempre entende ou estrutura muito bem, que a retenção se apoia e a gente muitas vezes nem se dá conta: para além dos problemas de saúde, finanças, trabalho, tempo, entre outras intercorrências pessoais, um grande motivador da desistência dos nossos alunos é a sensação de não estar progredindo, principalmente para quem ensina intermediários e avançados, onde essa percepção é realmente mais subjetiva.

não estamos dizendo que seus “good job!” e alternativas no idioma que você ensina não servem pra nada – eles são pontos de conexão e validação imediata do seu aluno e os esforços que ele faz para aprender e produzir, mas, na prática, quando bate aquele sentimento de “meu deus, será que eu estou aprendendo?!”, seu aluno precisa enxergar.

🔎 enxergar o que aprendeu nos últimos meses com um bom log de conteúdos;
🔎 enxergar seus resultados em correções esmiuçadas e que façam sentido mesmo depois de meses do momento da aula;
🔎 enxergar onde precisa melhorar objetivamente, e como fazer isso.

não aprendemos a dar bons feedbacks na faculdade e, muito infelizmente, a prática também não nos leva de maneira intuitiva a desenvolver bons sistemas de avaliação e posterior feedback que façam a diferença para nosso aluno e retenção, mas, como de costume, sempre podemos aprender com colegas especializadas em temas que precisamos melhorar.

quer aprender na prática a avaliar seus alunos & comunicar os resultados de aprendizagem? participe da imersão Feedback: da avaliação à entrega. ao vivo, no dia 28 de novembro. garanta sua vaga com desconto até dia 12 de novembro.

3 livros & 5 artigos para aprender sobre avaliação e feedback

3 livros 1
3 livros 2
3 livros 3
3 livros 4
3 livros 5
3 livros 6
3 livros 7
3 livros 8
essa lista foi elaborada pela Letícia Britto, professora de Inglês da comunidade LUMOS e referência na elaboração de feedbacks. aprenda com a Letícia na imersão Feedback: da avaliação à entrega.

passar de módulo não significa aprender

você já ouviu dos seus alunos ou empresas parceiras a infame pergunta: “quanto tempo leva para passar de nível?” e, se na sua escola não se aplicam provas ou mudanças de nível, daí houve toda uma explicação sobre aprendizagem pra responder a pergunta verdadeira por trás dessa: “como saber que o aluno está aprendendo?”

na educação formal, aprender significa passar de ano. com avaliações padrão para todos os alunos, as escolas estipulam algo como o mínimo que você precisa saber para ser exposta a novos conteúdos, em uma nova série, e seguir o processo de aprendizagem até completá-lo. no entanto, para nós, professoras e escolas independentes, o buraco é mais embaixo.

aprender um idioma e tornar-se falante passa pelas estruturas, claro, mas pelo vocabulário que nunca termina e sempre se amplia, a cadência que é sempre ativada a cada prática, a pronúncia que se aperfeiçoa não só pela fala em si mas pela escuta… apontar uma linha de chegada nesse contexto é, na verdade, uma arbitrariedade.

não nos leve a mal: essa arbitrariedade é, muitas vezes e de certa forma, necessária: precisamos entender o que o aluno é, de fato, capaz de fazer. mas será que dá pra desenhar uma linha tão dura no chão e dizer que, depois dela, um outro nível completamente novo se inicia? será que essa generalização conveniente (e, de novo, necessária) para a organização de grandes grupos ou estruturas de aprendizagem padrão pro país inteiro é realmente benéfica e a melhor forma de compreender o desempenho e desenvolvimento dos nossos alunos?

é possível passar de módulo colando. ou memorizando freneticamente os tópicos cobrados em provas específicas. mas que vantagem isso oferece aos nossos alunos? e se essa estrutura, essa confirmação de progresso tão abstrata, não é a melhor alternativa, o que é?

essa é a pergunta que Talu e Letícia abordarão no dia 28 de Novembro, onde irão ensinar e orientar na escolha e criação de ferramentas avaliativas e feedback realmente significativos pra sua escola e pros seus alunos na imersão Feedback: da avaliação à entrega.

[live de quinta] a confiança de um pedagógico estruturado que nenhum guru é capaz de te dar

live a confiança 1
live a confiança 2

hoje, Letícia Britto tem um modelo de feedback próprio – que contribui com o desenvolvimento de autonomia para seus alunos, facilita o planejamento pedagógico e traz clareza para a equipe de professoras. e a gente só chora de orgulho.

 

Letícia contou esta e outras histórias na live de quinta. assista abaixo:

desmistificando o feedback

quando começamos a trabalhar de forma autônoma, nos deparamos com um mar de possibilidades que anima na mesma proporção que angustia. é mais fácil discordar das práticas pedagógicas da escola quando não somos nós quem tomamos as decisões sobre o que é, de fato, melhor para nossos alunos. trabalhando majoritariamente sozinhas, a insegurança começa a tomar conta.

“será que a abordagem que defendo realmente traz resultados?”

“se ninguém nunca fez dessa forma, eu só posso estar fazendo errado.”

vacilamos. e, na busca de fazer um bom trabalho, repetimos o único trabalho que conhecemos. quando um aluno diz que sente não estar aprendendo, mostramos o conteúdo visto em aula. ou, ainda, aplicamos uma prova e mostramos a nota. não porque acreditamos que este seja o melhor caminho, mas porque é o único no nosso repertório.

você é contra provas? ótimo. mas não pode ser contra avaliar o progresso do seu aluno.

e, se não concorda com um método, deve utilizar outro. só não pode deixar de acompanhar o desenvolvimento do aluno e comunicar-se, com ele, sobre seu processo de aprendizagem.

o feedback nada mais é que mostrar ao aluno como foi seu desempenho ao longo de um período. tornar claro o que foi aprendido ou não, quais tópicos precisam ser revisados e discutir sobre o processo de aprendizagem em si.

o feedback não é um “good job!” ao final da aula. ele não precisa ser semanal – inclusive, a definição da frequência está totalmente conectada a sua filiação teórica acerca da aprendizagem! tampouco precisa ser um suuuuuuper relatório de páginas e páginas (que, nós sabemos e seu aluno também sabe: foi escrito por IA). muito menos uma nota a partir de uma prova padronizada que não dialoga com as necessidades do aluno.

só precisa ser:

 fácil de produzir _ com ferramentas bem costuradas ao seu processo pedagógico e momentos de avaliação bem definidos.
 fácil de compreender _ para que não seja um PDF abandonado na pasta de downloads do seu aluno, mas de fato um retrato que demonstre visualmente seu progresso ao longo do tempo.
 útil _ para você e seu aluno.

na imersão Feedback: da avaliação à entrega, você vai aprender como avaliar sem provas – e como usar os resultados de uma avaliação para produzir feedbacks bem estruturados & aprimorar o seu processo pedagógico.

do que você realmente precisa para oferecer um ensino personalizado

ENSINO PERSONALIZADO! ENSINO PERSONALIZADO! que atire a primeira pedra quem nunca viu – ou fez 👀 – uma propaganda assim na vida. qual é o problema? ora, nenhum!

cada aluno é único em suas vivências e maneiras. oferecer ensino personalizado é uma maneira de responder às especificidades de quem aprende para tornar a aprendizagem eficiente e acolhedora. exceto que: o que se chama de personalização, muitas vezes, é sinônimo de aulas individuais – e só.

o material didático é o mesmo para todos.
a sequência didática é a mesma para todos.
quando muito, adaptam-se os temas das aulas para agradar as preferências do aluno.

é mito acreditar que personalização só ocorre em aulas individuais.
é pouco acreditar que adaptação temática é suficiente para personalizar o ensino.

o ensino personalizado de verdade atenta-se para as necessidades de aprendizagem de cada aluno! o que só é possível descobrir a partir de boas avaliações, bem distribuídas ao longo do processo pedagógico.

não existe personalização de verdade sem um sistema de avaliação bem amarrado.

descubra quais métodos de avaliação mais fazem sentido para sua escola em diferentes momentos do processo pedagógico participando da imersão Feedback: da avaliação à entrega.

profes pretas, o que você gostaria que profes brancas soubessem sobre seu trabalho?

essas são as respostas de algumas profes pretas da nossa comunidade.

[sala das professoras] adrielle bizzio

entrevista adri

adrielle bizzio, @teacheradrielle
professora de inglês
, empreendedora, evangélica, apaixonada por rom-coms, participante da LUMOS e uma profissional que trabalha com o que ama & acredita

a entrevista a seguir faz parte do quadro “sala das professoras”, onde conversamos com outras professoras sobre a realidade docente.

LUMOS PERGUNTA: Olá, Adri querida! Nós sempre começamos a entrevista dizendo como é um prazer receber nossas profes aqui na Revista LUMOS mas não seria possível começar mais essa sem dizer o mesmo: que prazer ter você aqui! Pra começar, queremos pedir que se apresente – quem é Adrielle Bizzio Pessoa Física?

ADRI RESPONDE: Oii, prazer é meu! Bom, vamos lá. Eu sou casada, tenho 30 anos, sou mãe de pet (meu “doguinho”, Luke) e sou evangélica. Na parte “acadêmica” eu tenho formação como técnica em química, tecnica em designer de interiores (quase fui pra área da arquitetura, eu ainda amo essa área) e me formei em letras português-inglês em 2024. Antes de dar aula eu trabalhava como confeiteira, depois de passar muito nervoso eu parei, mas eu amo cozinhar – principalmente doces, claro! Sou uma pessoa muito família, sou movida por música e ouço pra absolutamente tudo. Amo Pop (tanto as músicas quanto as fofocas), meus cantores favoritos são Jonas Brothers e Taylor. Gosto muito de cantar (mesmo não fazendo isso bem), toco um pouco de orgão e já arranhei violão no passado. Uma das coisas que mais gosto de fazer no meu tempo livre é ler (rom-coms, distopias e romantasias), e assistir série ou filme (adoro série de adolescente, comédia romantica e sci-fi). Embora não faça com tanta frequência quanto gostaria, por motivos óbvios 💲, uma das coisas que mais gosto de fazer com meu esposo é viajar (amo praia) e conhecer lugares novos pra comer e gosto demais de provar tudo que é diferente. Eu sou viciada em livros, canecas e t-shirts. (Tentei não exagerar mas falei demais, né? sorry, sou virginiana e faço tudo nos mínimos detalhes)

LUMOS PERGUNTA: Olá, Adri, você está conosco desde o Farol e naquela época seu momento como professora era bem diferente do atual, certo? Conta pra gente, por favor, como era seu trabalho quando você começou a estudar conosco.

ADRI RESPONDE: Quando eu comecei no Farol eu tinha um total de zero alunos haha, eu já tinha iniciado minha graduação e se não me engano eu tinha acabado de começar a dar aula de conversação no curso de uma amiga. Eu era muito insegura para dar aulas e tinha muito medo de começar o “meu próprio negócio”, eu me sentia perdida e não sabia nem por onde começar, eu não tinha nada! Não sabia gerar um boleto, não sabia da existência de contratos e eu nem sabia o que era o google classroom – eu era praticamente uma analfabeta digital que sofria pra enviar um arquivo o drive. 🤣 Recebia muitos conselhos falando que “ah só começa, só vai que você vai aprendendo”, mas eu sou perfeccionista e essa ideia do “só vai” não funciona comigo. Eu preciso saber o que estou fazendo, sabe? E mesmo quando comecei, por me sentir tão inexperiente e incapaz, eu pensava em cobrar 150 reais por mês dos alunos particulares (2x na semana). – até a Larine quase falar “você tá louca”? e ai eu entrei no Farol e comecei a aprender mais sobre as coisas.

LUMOS PERGUNTA: E agora, o que mudou nos últimos anos? Divide com a gente, se possível, claro, seus planos futuros pra escola.

ADRI RESPONDE: Bom, o Farol foi o ponta-pé inicial que eu precisava. Durante a mentoria comecei a me sentir segura para captar meus primeiros alunos e já saí da mentoria com cerca de 5, 6 alunos. Atualmente estou com 28 alunos (tenho cerca de 6 alunos particulares, mas a maioria são turmas) e vim me descobrindo muito ao longo desses anos e entendendo a forma como gosto de trabalhar e sem medo de fazer o trabalho que eu acredito. Descobri que AMO trabalhar com turmas e eles são meu foco no meu trabalho, e a partir do momento que comecei a me posicionar mais no instagram, passeia atrair pessoas muito parecidas comigo e isso torna a troca simplesmente incrível e me faz amar ainda mais meu trabalho. Atualmente minha prima tem trabalhado comigo e me ajudado na parte administrativa (cuidando dos contratos e boletos) e em relação aos meus planos para o futuro, acredito que seja ter uma professora parceira para me ajudar com as aulas. Eu acredito que lidar com 30 alunos sozinha é o máximo que consigo. Na verdade, queria até poder diminuir um pouco minha carga horária, (já que atualmente a maior parte das lessons são elaboradas por mim), então ter uma professora parceira seria indispensável, também para que eu consiga captar mais alunos. No próximo ano quero também expandir os bônus que já ofereço para meus alunos para pessoas de fora (como o clube do livro, conversation club e o plano de estudos).

LUMOS PERGUNTA: Para tais mudanças (e planos!) muita coisa teve que acontecer – o que foi mais marcante nesse processo pra você? Quais aprendizados ou conhecimentos você não imaginava precisar e que se mostraram úteis e essenciais no processo de estruturação da sua escola?
ADRI RESPONDE: Sem rasgação de seda, mas sendo muito realista, o Farol foi algo que me marcou muito, porque consegui aprender muito além daquilo que eu considerava necessário para fazer um bom trabalho. Aprendi sobre a importância do meu posicionamento, de ter uma comunicação clara e assertiva que passa o tom de voz que eu desejo (cara, as mensagens padrão foram as melhores coisas que aconteceram na minha vida 😂). Com a LUMOS, eu continuo tendo a possibilidade de aprender. Algo que me marcou foi a questão de saber priorizar aquilo que é realmente necessário para oferecer um bom trabalho (como entregar um bônus incrível se o básico não está funcionando?) e sempre que estou querendo colocar algum projeto em andamento, eu paro para pensar nisso e se aquilo irá afetar a qualidade da base da minha escola. Outra coisa que aprendi foi que eu não preciso aceitar todo aluno e dar aula sobre qualquer assunto. Até pouco tempo atrás eu tinha uma aluna individual que eu simplesmente amava ela como pessoa, mas estávamos tendo aulas de business e dar aula para ela estava me tomando um tempo e uma energia que eu nem tinha mais. Quando eu entendi que posso, sim, “escolher” meus alunos, isso deixou tudo mais leve.

LUMOS PERGUNTA: Hoje você é uma professora confiante, com uma escola que roda de maneira saudável, mas sabemos que não foi sempre assim. Como você diria que construiu sua segurança ou o que diria para uma professora que se sente insegura com o próprio trabalho ou em iniciar o trabalho autônomo?

ADRI RESPONDE: Acredito que dois fatores contribuíram para que eu me sentisse mais confiante com o meu trabalho:
1º: Continuar estudando, aprendendo, saindo fora da minha zona de conforto e da minha bolha. Além disso, expandir a minha visão em relação ao ensino e às interações humanas me traz uma segurança pessoal mesmo, sabe? de saber que eu estou dando o meu melhor, que não estou acomodada e que se eu não sei alguma coisa ainda, eu posso aprender. As aulas que eu dou hoje são completamente diferentes da forma que eu trabalhava quando comecei e fico muito feliz por ver o quanto que já evolui.
2º: Estar rodeada de pessoas que eu sei que estão tão empenhadas quanto eu em fazer um bom trabalho, mas que ao mesmo tempo sabem da importância de conciliar o trabalho com qualidade de vida. Pessoas com quem você pode aprender tanto profissionalmente quanto pessoalmente. O online pode ser muito solitário, mas ter pessoas passando pelas mesmas coisas que você muda totalmente esse cenário.

LUMOS PERGUNTA: Todo mundo que começa a atender online acha que o paraíso é começar do absoluto zero, sem nenhum aluno e criando tudo bem do início já “do jeito certo” – como foi, de verdade, esse processo pra você?

ADRI RESPONDE: Bom, acredito que é realmente uma vantagem você começar sabendo mais ou menos o que precisa ser feito e estruturando tudo (sem precisar ir no “feeling”), mas ao mesmo tempo eu tinha a desvantagem de não ter experiência nenhuma. Algumas coisas eram meio abstratas pra mim e ver colegas que já ensinavam a tanto tempo, me fazia gerava ter medo da minha inexperiência… A síndrome de impostora gritava horrores (grita ainda, mas são momentos, não mais todos os dias haha) e, às vezes, parecia que eu nunca estaria preparada, sabe? Acho que o perfeccionismo junto com essa ideia de querer começar tudo do zero e fazer tudo correto pode acabar trazendo uma certa procrastinação. Por sorte, minhas primeiras alunas foram incríveis e eu era muito clara com elas que estava iniciando e isso foi me dando mais segurança.

LUMOS PERGUNTA: Para fechar nossa entrevista, uma pergunta especial: o que você diria pra Adri de 2021 com o conhecimento que você tem hoje?

ADRI RESPONDE: Eu diria pra Adri do passado pra ela ficar tranquila e não se cobrar tanto. Continuar estudando, se aperfeiçoando, e dando o seu melhor, mas sem se comparar com pessoas que estão há tantos anos nessa jornada – não é uma comparação justa. Diria pra ela que ela irá conhecer pessoas incríveis, tanto outros professores quanto alunos, e isso tornará tudo mais fácil. E também diria pra ela que sim, as primeiras aulas dela provavelmente serão horríveis haha mas que a única forma dela evoluir é com a experiência que ela vai adquirir ao longo dos anos e que ela irá se orgulhar de si mesma e do seu trabalho, no futuro.

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