fevereiro/2026

REVISTA LUMOS

sétima edição

instabilidade global, captação baixa e escolas sustentáveis - como ignorar o contexto da sua empresa pode levá-la à ruína

matéria de capa

02 DE FEVEREIRO _ 2026

sétima edição lumos temp

independentemente de ter ouvido ou não falar do índice da mini-saia, você já percebeu: vivemos tempos instáveis.

nas esferas sociais, políticas, geográficas e econômicas, a estabilidade pretensamente conquistada pós segunda-guerra mundial (sim, ela mesma) se mostra cada vez mais frágil e uma coisa do passado.
como no índice da mini-saia ou do batom, onde as saias encurtam e as maquiagens se tornam mais vivas em momentos de paz e estabilidade, quando temos tranquilidade e energia para nos expressar através da moda, outros indicadores apontam tempos de precaução, esses um pouco mais próximos:
  • captação mais custosa
  • queda na retenção
  • diminuição da lista de espera
e claro, o mais presente de todos, aquele que chega junto ao primeiríssimo indicador acima percebido na sua escola:
  • o medo de tudo ruir.

o problema, no entanto, é que o medo, quando desacompanhado de contexto, comunidade e estratégia, nos deixa mais frágeis e mais suscetíveis a promessas mirabolantes que juram ser capazes de mudar a pontinha do iceberg (uma dificuldade de retenção, por exemplo) ignorando completamente tudo que existe por baixo desse fenômeno. curiosamente, a incerteza do mercado também afeta quem vende essas promessas, que, na ânsia de não ter prejuízo, escolhe vender uma mentira e garantir o próprio ganho.

a ideia de ensinar a ter um trabalho sustentável veio como o boho chic pós-blazer de poliéster: respondendo à uma demanda. do blazer se tornando caricato à narrativa dos pés no chão e “retorno às raízes” até hoje, na promessa de sustentabilidade através do lucro, essas falas sem embasamento mantém um fio condutor em comum: elas dizem o que você quer ouvir.

“sustentabilidade” se torna ganhar um milhão por ano.
“responsabilidade” vira ser pontual nas aulas.
“valores” ganham lugar na estante, como um quadro colocado pra enfeitar sem nunca, jamais, ser prioridade acima dele, o deus dinheiro.
mas na hora que o mundo real aponta que uma recessão pode chegar, que as pessoas estão mais comedidas com seus investimentos e que prioridades vêm sendo reestruturadas, não são campanhas para infoprodutos sem acompanhamento pedagógico que garantem a sobrevivência da sua escola. não são inovações incríveis em grupos de 100 pessoas no whatsapp que asseguram seus prospects e alunos. não são lançamentos cada vez mais complexos que pagam o custo de rodar sua escola e seu pró-labore.
é a volta ao básico, o basilar, o basal, o medular, o cerne: suas aulas – e como o universo em que elas acontecem é de verdade.

o que promessas mirabolantes não se importam em dividir sobre negócios é que eles vivem em ciclos: crescimentos, platôs, estabilidade e, quer você tenha se salvaguardado ou não, quedas e perdas. e não, o problema das quedas e perdas não é existirem, é não serem considerados e, principalmente, não encontrarem preparação e segurança reais quando acontecem.

uma escola sustentável não é uma que cresce 100% ao ano. não é aquela que apresenta turnovers enormes, com entradas e debandadas em igual medida, uma cobrindo a outra. não é a que torce pra que a conjuntura não mude e ela possa continuar apenas em ascensão. essa escola é uma utopia, e só existe em dois lugares: na ignorância ou na má fé.

vivemos momentos decisivos na história – tecnologia, meio ambiente e política se encostam, conurbam, batem como um carrinho de parque de diversões da praça de exibições de volta redonda, com seus shows sertanejos e tequila a R$10.
ninguém sabe o que vai acontecer. ninguém pode te garantir vitória. não existe analista no mundo, em qualquer veículo de comunicação ou governo, que possa assegurar sucesso pro que quer que seja daqui pra frente. qualquer promessa que ignore essa realidade é pura e simplesmente mentirosa, sem melindres da nossa parte. men. ti. ro. sa.
mas tem, sim, algo que podemos fazer: o melhor ao nosso alcance.
e esse melhor não é isolado, sozinho, pensando em como passar alguém pra trás para garantir a própria sobrevivência tampouco se desesperando por acreditar ser algo completamente individual e único. nossa classe, nosso meio, nossa profissão e consequentemente o sucesso de qualquer uma de nós não se dá no vácuo e ninguém pode, individualmente, ser quem resiste e conquista caso o próprio ofício morra envenenado com promessas falsas e escolas que, frente a mudanças, não conseguem mais se sustentar. esse cenário é ótimo pra quem prometer levantá-las ao preço módico da sua alma e adoração indiscutível, mas não pra mais nada.
momentos de crise, mudanças, inseguranças e incertezas pedem estrutura, não arrojo. pedem raizes, não asas. pedem que você garanta o mais trivial da melhor forma possível, antes de alçar novos voos. que venda o que seus alunos sempre conheceram, aulas de idiomas com qualidade.

na LUMOS, falamos sobre inovação há anos. inovamos. estudamos ano sim e ano também, iniciando e terminando formações para embasar o que dizemos e fazemos. somos amantes da inovação na educação como poucos – e temos, inclusive, uma das professoras mais criativas do país segundo o Guia Professores Criativos do Brasil. mas nunca a vimos como substituta de estruturas sólidas.

na LUMOS, também falamos sobre sustentabilidade há anos, e continuaremos a falar dela. nosso discurso não mudou, e, arrisco dizer, se tornou cada vez mais relevante à medida que o mundo se tornou mais inconstante. sonhamos, incentivamos e queremos que você sonhe – mas que arrume a casa primeiro e garanta que sua escola passe pela mudança da maré para só daí, vendo a tempestade ceder, possa dar novos passos e voos, com tranquilidade, confiança e claro, mais uma vez e sempre, segurança.

[live de quinta] você tá sonhando ou planejando?

⁠⁠o que é e o que não é um diferencial no seu trabalho

por Larine Flores em 12 de fevereiro _ 2026

se imagine procurando um dentista para retirada dos dentes do siso – um procedimento sério, mas comum.

você encontra um profissional online que aponta, como diferenciais:

– material de uso único (gazes, linhas e afins) descartados após cada uso
– ferramentas esterilizadas em auto-clave para cada atendimento
– receita de medicação para cuidados pós-retirada dos dentes
– atendimento por whatsapp em horário comercial
– profissional paciente, que não grita e nem te manda segurar o choro
– anestesia local durante o procedimento
– possibilidade de envio ao hospital no caso de intercorrência durante a retirada

a sua primeira reação será de “nossa, que diferenciais incríveis desse dentista!” ou de “…mas não é normal esterilizar e usar produtos novos a cada atendimento?”?

no nosso meio, alguns outros básicos muito básicos são, comumente, apontados como diferenciais:

– pontualidade
– material adaptado às necessidades do aluno
– ambiente de aprendizagem (Notion Classroom, Google Classroom ou afins)
– acompanhamento pedagógico
– feedback e correções durante as aulas
– envio e correção de dever de casa
– atendimento pelo whatsapp em horário comercial
– organização de pagamentos e cobranças, entre outros

mas… o que é o contrário dessas coisas? ou melhor: como o trabalho pode minimamente acontecer sem elas?

no dicionário, “diferencial” significa “Relativo a diferença. Que indica diferença. Que diferencia.”, então como oferecer materiais adaptados, ser pontual ou corrigir atividades de casa seriam, na nossa prática, diferenciais?

a resposta é simples: não são. e pior: até mesmo diferenciais reais não são necessariamente positivos ou úteis para sua escola.

– clube do livro
– aulas de conversação
– guia de estudos
– plantão de dúvidas
– grupos de atividades extra focadas em habilidades específicas
– aulas temáticas

…essas, dentre muitas outras práticas, podem, sim, ser consideradas diferenciais. afinal, não são todas as escolas que oferecem ou deveriam oferecer tais atividades. mas mesmo assim, pode ser que, de tudo isso, pouca coisa caiba à sua realidade, ao seu aluno.

imagine uma professora cujos alunos estudem o idioma para trabalhar com tecnologia. suas aulas são muito objetivas, em temas específicos dos trabalhos, trabalham habilidades de leitura para documentações e interpretação para as provas. qual a aderência desses alunos a clubes do livro com literatura contemporânea?

outra professora, com alunos para os quais a remarcação de uma aula já é impossível em horários comerciais, pode oferecer plantões de dúvida às 14h – mas pra quem isso se destina, senão para a argumentação de “ter um diferencial”?

vender estruturas básicas como diferencial é abaixar a régua e dizer “nosso mercado é amador mesmo, mas eu sou profissional” – você não se destaca por ter, de fato, um diferencial, mas por sugerir que todos os outros professores não fazem o básico.

vender a ideia de que estruturas básicas são diferenciais é dizer “você é professor, deve fazer tudo errado e por isso precisa desse mínimo, que é seu máximo”. é diminuir sua capacidade e vender o que deveria ser medular como um grande mousse, algo que só aquele mentor específico pode te trazer.

a LUMOS também ensina as estruturas “básicas-mas-chamadas-como-diferenciais-por-mentores-preguiçosos”. só que a gente chama de trilha 1 do ciclo 1, termina em um mês e aprofunda nosso trabalho na direção do que será, de fato, o carro-chefe da sua escola.

seu cérebro agradece! dicas de uma psiquiatra para curtir o carnaval

por Dr. Ana Luísa em 12 de fevereiro _ 2026

você não merece descansar
se você tratar o descanso como mérito por cumprir sua lista infinita de tarefas, ele não vai acontecer

descanso é NECESSIDADE, não merecimento

todo mundo tá vivendo o melhor carnaval da vida, menos você?
a realidade é que as redes sociais são recortes. aas, isso faz com que tenhamos um viés de achar que “todo mundo” está fazendo algo menos a gente

tente viver mais no offline. o descanso é maior e parece que o tempo passa mais devagar

tá tudo bem se a sua fantasia for pijama
faça o que fizer mais sentido para você e não se sinta culpada se não quiser ir para o bloquinho

existem várias formas de aproveitar a vida. só você vai saber qual a sua forma preferida

se você é do time dos bloquinhos…
cuidado com uso de álcool e substâncias, pois podem desregular o humor. beba bastante água e, caso você faça uso de alguma medicação, peça ao seu psiquiatra orientações

quem elaborou este guia de sobrevivência para o carnaval foi a doutora ana luísa! obrigada, ana <3

e acrescentamos: se por acaso surgir uma vontade de “trabalhar” ou “adiantar tarefas”, avalie com carinho o que realmente precisa ser feito e o que pode ficar pra depois. apostamos que a maior parte das coisas não é tão urgente quanto parece


quais são os seus planos para o carnaval?

2 exercícios práticos para planejar o seu ano

por Letícia Bergantini em 19 de fevereiro _ 2026

exercício 1: quem você quer ser?

não tem como se dizer uma pessoa responsável se todas as suas ações indicam o contrário. o objetivo desse exercício é compreender quem gostaríamos de ser para desdobrar adjetivos – muitas vezes abstratos – em ações cotidianas.

liste adjetivos que você gostaria que te descrevessem

para cada adjetivo, responda: o que isso significa?
ser uma pessoa responsável – saudável – calma etc não significa o mesmo para todos. descreva, com todo seu coração, o que cada adjetivo selecionado significa para você.

a partir da sua descrição, liste quais ações cotidianas devem compor o seu dia a dia para que você seja na prática a pessoa que você quer ser!

exercício 2: áreas de foco

liste as áreas de foco da sua vida
ou seja, áreas que demandam sua atenção e sobre as quais você tem responsabilidades. por exemplo: finanças, saúde, bem-estar, família, trabalho etc.

crie uma rubrica para cada área da vida
não precisa do mesmo rigor teórico das rubricas avaliativas da sua escola. basta que você entenda: do que eu preciso para que esta área esteja sob controle? para que eu esteja em paz e tranquila?

observação: áreas de foco é um conceito do método getting things done (GTD). para esta atividade, podemos compreender áreas de foco como áreas da vida – mas é importante compreender de onde veio o conceito e a inspiração para este exercício!para fins deste exercício, pense na sua relação enquanto pessoa acerca do trabalho. por exemplo: trabalhar x horas por semana, ter o dia y livre, fazer um trabalho com propósito etc. esta prática é fundamental para separar você, pessoa, com seus desejos e prioridades, da sua empresa – que tem necessidades de empresa e devem ser tratadas de outro modo.

faça os exercícios como preferir (através de listas, mapa mental, com ou sem imagens) & registre onde preferir também (notion, trello ou caderno. tanto faz!). o importante é voltar regularmente e sempre que necessário para avaliar e recalcular a rota conforme o andamento do ano. para ter uma vida intencional e um trabalho que contribua para que você viva o que acredita, na prática e no dia a dia.

os dois exercícios nos ajudam a trazer para o cotidiano aquilo que nos importa – sem envolver metas que, muitas vezes, mais nos pressionam que impulsionam.

a partir de qualquer um deles, você consegue definir:

quais projetos executar este ano (e quais deixar para depois)

mudanças a realizar na sua rotina

ferramentas e processos de apoio para realizar o que se propôs

participe da imersão SOLAR e aprenda como conectar seus objetivos pessoais à estratégia da sua escola. clique aqui e saiba mais!

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