REVISTA LUMOS
primeira edição
se sacrificar pelo trabalho, até onde vale a pena?
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os números são alarmantes: em alguns estados do Brasil, a porcentagem dos professores que já contemplaram tirar a própria vida chega a 27%, como reporta o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (Sinte-SC), e tais dados, nada isolados, tornam ainda mais urgente a discussão: até onde vale a pena se sacrificar pelo trabalho?
saindo da rede pública, onde a maioria das pesquisas acontece, encontramos ambientes online cada vez mais insalubres e competitivos onde profissionais da educação, muitas vezes pouco instruídos nos temas de marketing clássico ou vendas, se tornam presas fáceis para promessas milagrosas e gurus mal intencionados que pregam o auto-sacrifício em prol de uma prosperidade espalhafatosa, cultivada a partir de campanhas de tráfego ostensivo e pouco foco pedagógico, numa tentativa de angariar fiéis que repliquem seus ‘métodos’ e se tornem vendedores de curso sobre vender curso.
neste cenário, a retórica é agressiva e desumanizadora, apostando em “calls to action”, as chamadas para ação, que se apoiam em escassez e medo, ameaçando o desemprego e instabilidade financeira para profissionais que muitas vezes jamais tiveram o desejo de ‘ser seu próprio chefe’, mas encontraram no desemprego o empurrão necessário para empreender.
as cobranças tampouco podem ser chamadas inovadoras: ‘trabalhe enquanto eles dormem’, ‘volte ao método’, e outros bordões apelativos e culpabilizadores são o padrão, e registram-se relatos de professores encorajados a abandonar entes queridos em tratamento médico para ‘mostrar comprometimento’, um clássico comportamentos de seita, nomenclatura essa que não assusta os ‘marketeiros digitais’, que se apropriam do conceito de ‘marca forte’, ‘comunidade’, ‘embaixadores de marca’ e afins para ridicularizar suspeitas muitas vezes condizentes com a realidade.
em meio a esse mercado que movimentou cerca de R$ 37,9 bilhões em mídia digital no ano de 2024, de acordo com o Digital AdSpend 2025, estudo realizado pelo IAB Brasil em parceria com a Kantar Ibope Media, estão não apenas grandes marcas como Google e Coca-Cola, mas professores como eu e você.
num retorno muito necessário ao micro onde nos encontramos, os tentáculos desse mercado se infiltram nas estruturas básicas de uma escola e substituem reuniões pedagógicas por mentorias de dezenas de milhares de reais, trocam aprimoramento e formação continuada por encontros presenciais cheios de pirotecnia e nomes garbosos e deslumbram profissionais que, confiando no sucesso de tais ‘mentores’, acreditam numa mudança de vida tão drástica que até mesmo os possibilitem a não mais ‘vender seu tempo’, ou seja, não mais se sujeitarem a ser professores.
é impossível mencionar a inviabilidade econômica de um mercado inchado onde todos fazem o ‘6 em 7’ sem relacioná-lo à febre das casas de aposta no Brasil, vício que movimenta, mensalmente, R$20 bilhões, segundo a Pesquisa Fapesp, e se apoia em pilares semelhantes aos do mercado de marketing digital: prosperidade rápida, possibilidade de ganho astronômico, incompatibilidade entre esforço e resultado. existem, obviamente, inúmeras diferenças entre os cenários, mas as semelhanças já deveriam ser suficientes para acender o alerta: algo de errado não está certo com o mercado.
cientes do contexto e munidos de informação, fica ainda no ar entre nós, profissionais da educação antes do ‘marketing educacional’ (e para muito além dele), a obrigação de, além de conscientizar nossos pares sempre que possível, arregaçar as mangas e traçar nossos próprios limites em relação ao trabalho, o que levanta mais uma vez a pergunta: até onde vale a pena se sacrificar pelo trabalho?
- essa, que não busca trazer respostas, é um convite ao entendimento da natureza do ensino que você acredita:
- ➜ fora do frenesi do marketing digital, faz sentido para você vender uma promessa de fluência que você sabe ser fantasiosa?
- ➜ é do seu interesse tornar público cada momento da sua vida em prol do engajamento da sua página?
- ➜ você contaria qualquer mentira para vender seu produto para um aluno, apenas para ‘não deixar dinheiro na mesa’?
- e a partir das suas respostas, outros questionamentos também se fazem necessários:
- ➜ considerando que você aja eticamente com seus alunos e os acolha para além da palavra ‘acolhimento’, mas na praxis do seu trabalho, e acreditando que tal tratamento se desdobre da sua crença na educação como um veículo de mudança, qual conceito vendido por não-professores te impede de ter o mesmo decorum consigo?
- ➜ estaria disposta/o a sacrificar a privacidade do nascimento de um filho, aniversário de um amigo ou funeral de um ente querido em prol do engajamento em compartilhar esses momentos?
- ➜ você odeia tanto assim ensinar a ponto de fazer qualquer negócio ligeiramente escuso e beirando o limite da legalidade em nome de um faturamento?
do lado de cá nossas respostas são bastante posicionadas e são elas que nos permitem sacrificar, sim, na medida do viável e necessário, por objetivos que acreditamos não apenas prometer bons retornos financeiros, mas desenvolvimento da comunidade, da marca e da educação como o organismo vivo que ela é. esse é nosso compromisso e esperamos colaborar na percepção da realidade da sua própria escola e seus próprios limites de até onde, de fato, vale a se sacrificar pelo trabalho.
3 livros pra aliviar a auto-cobrança com o trabalho
uma questão de conveniência, de sayaka murata
keiko sempre foi considerada ‘estranha’, e o emprego temporário em uma loja de conveniência já não é tão bem visto quando, aos 36 anos, ela continua na mesma posição. O fato de não ter vida social ou um relacionamento “a essa idade” também não ajuda, mas um novo funcionário da loja pode ser a resposta para essa situação – mas não do jeito que você tá pensando.
nossa opinião: a simplicidade da vida de keiko e a ausência de problemas tão comuns ao nosso cotidiano são um bom refresco do pensamento ‘tá todo mundo dando conta de tudo e eu sou a única pessoa falhando!’. uma grata surpresa é ver o livro tratar questões tão peculiares e tão genéricas com o mesmo tato e profundidade em páginas suficientes pra ler numa sentada só.
meu ano de descanso e relaxamento, de ottessa moshfegh
ano 2000, nova york, uma cidade cheia de possibilidades. a narradora não tem motivo para queixas: é jovem, bonita, trabalha numa galeria descolada, é dona de um belo apartamento e de uma herança polpuda. mas traz um enorme vazio no peito, e não apenas pela morte dos pais ou de sua relação destrutiva com a melhor amiga.
nossa opinião: se você gosta de sentir coisas enquanto lê, esse pode ser seu catalisador de raiva da semana! ao longo das 240 páginas desse livro, com certeza você vai ter muitas opiniões, preferidos (e menos preferidos…) e uma visão diferente da idealização romântica de poder parar tudo na vida pra ‘cuidar de si’.
jonathan abernathy, you are kind, de molly mcghee
jonathan abernathy é um perdedor assumido — está atrasado com suas dívidas, sem perspectivas, sem amigos e sem ambições. mas quando um programa de perdão de empréstimos do governo lhe oferece um emprego dos sonhos, ele acredita ter encontrado sua grande chance.
nossa opinião: não pretendemos romantizar o sacrifício pelo trabalho, e esse é o livro que leva o conceito ao extremo justamente pra nos deixar desconfortáveis e evidenciar problemas estruturais da nossa percepção de valor, trabalho, dinheiro, entre outros. infelizmente ainda não publicado em português.
[live de quinta] os piores erros da professora que investe energia no lugar errado
por larine flores em 08 de maio _ 2025
ensinando desde 2014, é difícil contar quantos erros mais ou menos sérios já cometi como professora autônoma, mas você pode aprender com os meus erros e evitar passar pelos mesmos percalços.
começando do mais óbvio, temos…
1. me comparar com outras pessoas na área
e a razão, por mais que essa seja a posição mais óbvia do ranking, não é a que você imagina. pensou que eu diria algo como ‘não compare os seus bastidores com o palco de alguém’? hoje não.
na verdade, não compare seu negócio de educação com o negócio de marketing de ninguém. é claro que se a escola investe dinheiro, tempo e esforços em vender, eles vão vender mais do que você que investe na qualidade pedagógica do seu trabalho. porque o seu trabalho é educar e a venda é uma parte dele, não o contrário como muitas referências que podem te deixar ansiosa.
2. achar que me posicionar ‘duramente’ era, de fato, ‘duro demais’
“o que meu aluno vai pensar se eu cobrar o que gostaria? se tiver direito a férias? se obrigá-lo a assinar um contrato?”
todas essas foram questões que me perturbaram em algum momento, e podem perturbar você também. com o passar do tempo, eu percebi que a analogia do casamento (você gostaria que a cerimonialista do seu casamento fosse ‘casual e descontraída’ ou que te desse um contrato te responsabilizando pelo pagamento e a responsabilizando pela entrega da cerimônia?) é o que mais faz sentido na nossa condição: o aluno que você quer leva a sério o trabalho que você faz – e não vai se sentir acuado com um contrato, e sim mais seguro.
3. medir meu trabalho pela régua de quem sonha em ter sucesso na educação pra ‘não precisar mais dar aula’
“falta visão de futuro pra elas”. essa foi uma frase que soubemos sobre nós depois de cinco anos trabalhando na internet. não cabe aventar em que “lugar do futuro” a pessoa responsável por esse comentário estava, afinal foi até reconfortante saber dessa ‘opinião’ em um momento onde ela não significa nada pra nós. mas essa reação não está no campo do ‘não escute os haters’, ela é um resultado de ouvir, por muitas vezes, pessoas cujo sonho era parar de dar aulas, não ‘vender tempo’, ‘não ser só professor’, e de levar, sim, como uma ofensa ou ponto de partida pra inseguranças.
nosso trabalho é contínuo e de médio/longo prazo, nas aulas e principalmente na LUMOS. qualquer expectativa de resultado rápido e milagroso não condiz com nosso DNA de sustentabilidade. essa régua não nos cabe. e se você é professora/o como nós, provavelmente tampouco condiz com o DNA da escola que você sonha em construir.
4. investir demais
e, falando em contraproducente, não parece curioso que nós, professoras de professores, falemos que investir demais foi um erro? pois é, mas é a verdade.
por um bom tempo, nós também vivemos a roda de ratos de comprar um curso a mais, uma outra mentoria, um treinamento inovador – e que acabavam no mesmo objetivo: aprenda a vender bem, melhor, mais, pra mais pessoas, pras mesmas pessoas de novo… investir, seja tempo, dedicação ou dinheiro, pode ser prejudicial, sim, quando deixamos de lado o core do nosso negócio, que é ensinar, a ponto dele ser confundido com os conteúdos de marketing, escala, venda e ‘otimização’ que muitas vezes acabamos priorizando.
a boa notícia é que nunca é tarde pra dar meia volta e investir no que realmente fortalece seu negócio.
gostou do tema? assista à live e participe dessa conversa:
[testado na LUMOS] reuniões exclusivas
se você se reúne apenas com sua outra personalidade na hora de gerenciar a escola, calma que esse teste também serve pra você.
aqui na LUMOS temos, no mínimo, três tipos de reunião: pedagógica, de projetos e financeira. agora, com a revista LUMOS, a quarta reunião também entrou na nossa agenda de forma fixa, e a diferença entre fazer grandes blocos de reunião tratando todos os temas e separar momentos diferentes pra cada coisa foi sentida logo de cara:

➜ nos obrigamos a ser mais focadas, porque um problema de outra área não consegue ‘sequestrar’ a pauta e atrapalhar o cerne daquela reunião;
➜ divergências se concentram nos temas e não no todo, afinal podemos discordar ferrenhamente num assunto e concordar sem ressalvas sobre outro, e separando nossas reuniões, não há ‘sangramentos’ de tópicos;
➜ o fim da reunião está mais próximo. eu, uma odiadora compulsiva de reuniões, me acalento com a ideia de que teremos decisões bem pensadas e planejadas sem a expectativa de chamadas de 4h de duração. quando um tema foi resolvido, ele foi resolvido e pronto.
mas como usar essa lógica se você trabalha sozinha?
é ainda mais simples: tem pepinos financeiros, administrativos e pedagógicos, mensagens pra responder, prospects pra enviar nivelamento e onboarding pra conduzir? separe-os em categorias e trabalhe exclusivamente em apenas uma delas por vez. resista à tentação de (tentar) fazer tudo quando uma situação passar pra outra área, mas mantenha anotações e direcionamentos do que você fez e decidiu pra quando for a vez daquele tema específico. depois de testar, conta pra gente como essa decisão impactou a rotina do seu trabalho.
por que se fala tanto de trabalho sustentável em 2025 se em 2023 todos vendiam o 6 em 7?
o marketing é sobre venda, não sobre educação. e por mais óbvia que essa afirmação pareça hoje, há só alguns anos ela definitivamente não era.
6 em 7, primeiro milhão, largar a sala de aula… tudo falava de um ganho desproporcional ao investimento principal para resultados tão ambiciosos, o tráfego, e jogava na conta de outro investimento, mais subjetivo e acessível pra quem quer que iniciasse essa “jornada”, o de tempo e expectativas.
a roupagem era idêntica em todos os cantos da internet: ostentação, restaurantes caros, água na taça, blazer, aluguel de cenário pra gravar curso. a retórica também não se distanciava: agressiva, intimidadora e ligeiramente rude disfarçada de ‘eu sei do que estou falando e só quero o seu bem’ com pitadas ‘já consegui tudo que queria na internet e hoje te faço o favor da oportunidade de aprender tudo comigo, eu na verdade nem precisava mais estar aqui’.
é claro que o cenário também importa, afinal estávamos todos em casa, trabalhando muito, assustados com possibilidades de perdas de todas as esferas… e consumindo conteúdo. a vida offline forçosamente deixada de lado abria caminho pra uma vida online rica de conhecimento facilmente acessado com possibilidades ilimitadas de ganhos financeiros.
então o que mudou?
o mundo pós-pandemia nos permitiu engajar com amigos, eventos, celebrações, festas e toda sorte de atividade na vida real, mas também evidenciou uma verdade que antes não seria debatida, mas em tempos tão atípicos foi objetivamente negada: cursos sem certificação ou comprovação pedagógica não custam dezenas de milhares de reais.
não se dá ouvidos pra alguém só porque essa pessoa grita e veste roupas caras. enriquecer não é sobre ‘achar um segredo’ e nunca mais ‘se sujeitar’ ao trabalho. a verdade, essa que a gente pode até correr mas não escapar, voltou à tona: trabalhar dá trabalho, a maior parte das profissões paga valores não-estratosféricos e a casa dos milhões não comporta tanta gente assim.
como continuar vendendo tanto em escala se as pessoas, voltando à própria vida, questionam o que ouviram em anos de isolamento e circunstâncias extraordinárias? se redimindo.
admitindo, então, não ser tão letrado quanto se fez parecer antes? contando das pisadas de bola do passado, sem a intenção de vender outro lançamento? aprimorando o que se vendeu e atribuindo o valor que prometia ter desde o começo? claro que não.
a redenção veio na forma de boho-chic. ‘a pandemia me fez assumir meu cabelo natural’. ‘o blazer já não me representava’. ‘eu não queria mais expor minha vida o tempo todo’. gente como a gente, sabe. mas lembra que o marketing é sobre venda? pois isso aqui também foi.
o que era escala se tornou insustentável, e não podemos ignorar as mudanças do algoritmo, da plataforma, o surgimento de outras redes com mais força entre gerações diferentes. não dava mais pra esperar um ROI (retorno sobre investimento) altíssimo e muitos dos ex-compradores já tinham percebido a infeliz participação em um sistema que se não tem a forma de uma pirâmide, presta homenagem.
portanto, graças a deus pelo boho-chic, que além de redimir, ressignifica seus pontos fortes. e chegamos a hoje.
não se fala sobre concorrência da mesma forma impassiva, mas de sustentabilidade, afinal, o milagre já foi vendido, mesmo sem ser entregue. o jeito, então, é vender a ideia de negócios que se sustentam, se otimizam, se mantém a perder de vista, pelo tempo que você quiser que ele sobreviva. mas lembra que o marketing é sobre venda?
pra ensinar sobre otimização pedagógica, eu preciso ter otimizado o pedagógico da minha escola, ou ao menos estudado sobre. pra ensinar sobre administrativo, eu preciso ter manejado uma equipe (que não me odeie depois disso). pra ensinar sobre finanças, eu preciso me basear em algo mais concreto e estável que a promessa de um milhão. mas o marketing… ele é sobre venda. e ele não atende esses requisitos.
os leões do marketing do início da década já não rugem, mas te incentivam a miar com ele. se “retrataram”, mas só com pronunciamentos voltados ao próprio desenvolvimento e trajetória. falam de sustentabilidade e comunidade, mas não sustentam o discurso com ações práticas afim de alinhar cursos e treinamentos ao novo ‘branding’, que essencialmente é uma mudança na identidade visual da marca e não uma reforma genuína – o que é tema pra outro post.
o marketing é sobre venda, e vender austeridade e ostentação só funciona enquanto é possível convencer que sua prepotência vem de um trabalho incontestável. depois disso, você tem que procurar por algo mais… sustentável. pras suas vendas, claro.
ps: percebeu como nesse processo o aluno (você) não figura? pois é.
kit de primeiros socorros para momentos de surto
mais cedo ou mais tarde, ele chega: o momento de surto. você questiona a qualidade do seu trabalho, sente que está fazendo muita coisa e quase nada ao mesmo tempo e já não tem tanta certeza sobre qual caminho seguir. esse é o nosso kit de primeiros socorros pra momentos como esse:

🧰 métricas próprias de sucesso
qual é a sua taxa de renovações? qual é a média de tempo que um aluno passa com você? quantas horas você trabalha por semana? quantos dos seus alunos vieram por indicação? o que você criou para sua escola que até um ano atrás não existia?
quando não temos as nossas métricas e nossos próprios indicadores, ficamos vulneráveis e facilmente nos comparamos em medidas que sequer fazem sentido pra gente. ter em mãos os nossos objetivos e os resultados concretos do nosso trabalho nos ajuda a evitar o surto – e sair dele quando ele nos acomete.
🧰 repositório de feedbacks
se você ainda assim estiver se sentindo uma grande enganação, leia os feedbacks dos seus alunos. pedir feedbacks regularmente e tê-los organizados é uma boa prática não apenas para você reconhecer oportunidades de melhoria, mas também celebrar o trabalho que você faz!
e lembre-se sempre: sua escola ter pontos de melhoria não significa que você faça um trabalho ruim!
🧰 lista de manutenção
quais são as rotinas que você precisa executar para manter sua escola rodando? quais são opcionais? quais afetam diretamente a qualidade da aprendizagem? quais afetam a percepção de valor? para que serve cada uma delas?
ter essa clareza nos ajuda a diminuir o ritmo com a tranquilidade de que o que realmente importa para sua escola se manter será priorizado e mantido.
🧰 lista de projetos
projetos são iniciativas que tem início, meio e fim. são projetos comuns no nosso cotidiano: o desenvolvimento de novos produtos, a implementação de novas ferramentas, a mudança dos meios de pagamento, a realização de uma campanha de marketing, a criação de uma nova identidade visual etc.
em momentos de surto – seja por cansaço extremo, seja pela falta de clareza – uma lista de projetos nos ajuda a identificar os impactos de cada iniciativa para nosso negócio e avaliar a relação entre esforço e resultado, para priorizar com intencionalidade e ter paz de espírito quando for o caso de deixar alguma coisa pra depois.
🧰 professoras amigas
se você está passando por uma fase em que é difícil confiar em si mesma, conte com a ajuda de outras professoras da sua confiança. amizades que compreendem a realidade do nosso trabalho nos ajudam a analisar com cuidado e muita honestidade os efeitos de escolher um ou outro caminho.
além disso, elas nos lembram de coisas que facilmente podemos esquecer:
➜ deixar para depois não significa desistir (e é literalmente a definição de priorizar)
➜ desistir pode ser a melhor opção quando um projeto não faz mais sentido
➜ um negócio não se cria do dia para a noite, muito menos uma escola coerente com seus valores
➜ o trabalho não precisa ser tão solitário: estamos todas criando a educação que acreditamos
[live de quinta] boas perguntas para se fazer antes de começar (mais um) curso online
nesse mês, estamos falando sobre se sacrificar pelo trabalho – e nos questionamos até que ponto isso vale a pena. por isso, precisamos falar de cursos e mentorias online. em primeiro lugar, porque este mercado, em geral, prega o sacrifício: seja ele financeiro ou de tempo.
já criticamos inúmeras vezes o quanto esse sacrifício é em nome de um ganho, muitas vezes, abstrato & sem pé-nem-cabeça. então, agora, em vez de focar nos gurus & charlatões, a gente quer falar com VOCÊ. como VOCÊ pode se proteger de fazer a compra de um curso ou mentoria por impulso. como VOCÊ pode evitar a decepção e a frustração de comprar mais um curso e não aprender, não aproveitar e ainda se sentir culpada por isso. para que você evite investimentos equivocados – como discutimos na live anterior – que muito custam e nada agregam.
inclusive, este é um bom começo: antes de iniciar qualquer curso relacionado ao seu trabalho, investigue-o enquanto um investimento (de tempo, dinheiro & energia) e não como uma aposta.
muita coisa aqui pode parecer óbvia, mas é preciso que a gente diga em voz alta – porque estamos todas suscetíveis a viéses que nos levam, muitas vezes, fazer aquilo que a gente não quer, não precisa ou nem acredita.
1. EU PRECISO?
se você tá na internet há algum tempo, é provável que você já tenha passado por algum curso ou mentoria de marketing. e se tem algo que a gente aprende nesses cursos – ou em qualquer outro curso de vendas ou marketing – é que o processo de compra é emocional. ninguém é obrigado a saber, mas, se você teve qualquer experiência aprendendo (ou tentando aprender) sobre esse tema, é provável que você tenha esse conhecimento.
reconhecer que a compra é motivada pela emoção nos ajuda justamente a trazer a razão pro jogo.
isso não significa que será fácil encontrar a resposta para essa pergunta. isso porque, para respondê-la, é necessário ter uma visão estratégica do nosso negócio – que não é óbvia e precisa ser aprendida, desenvolvida e refinada. o que não acontece da noite pro dia.
m bom começo é: pensar nos impactos que aquela aprendizagem vai trazer para o nosso negócio, pra aprendizagem dos alunos & pra nossa rotina de forma integrada. pra além da promessa, sabe? o que tem tudo a ver com a nossa próxima pergunta.
então, na dúvida – ou caso você tenha respondido sim – passe para as próximas!
2. ESSE CURSO VAI ME AJUDAR A CHEGAR ONDE EU PRECISO?
essa pergunta é diferente a anterior. a primeira, fala sobre o conhecimento em si – essa, por sua vez, fala sobre a PROPOSTA PEDAGÓGICA.
somos professoras. temos condição de avaliar a qualidade pedagógica de um curso. FAÇAMOS ISSO! busque o máximo de informações técnicas possíveis – tanto sobre a didática, quanto a organização do conteúdo e o embasamento de quem está falando, pra além da experiência ou dos resultados financeiros que aquela pessoa já alcançou vendendo curso de vender curso.
3. EU TENHO TEMPO?
a rotina da professora empreendedora não é composta apenas por aulas. além de outras atividades pedagógicas – como a preparação das aulas e a correção de atividades, outras tarefas compõem o nosso dia a dia, como a preparação de notas ficais, elaboração e envio de contratos, remarcações de aulas, contatos comerciais etc.
as aulas ocupam grande parte do nosso dia a dia, e mantê-las com qualidade também demanda trabalho (portanto, tempo) nos bastidores. isso significa que o tempo de dedicação para projetos, no nosso trabalho, é limitado pelas próprias atividades que realizamos no dia a dia. em outras palavras: precisamos priorizar e agir com intencionalidade.
um curso nada mais é que um projeto. qual é o resultado esperado? quanto tempo você precisará se dedicar para aprender com qualidade?
4. EU QUERO?
essa é a última – e a ordem importa, nesse caso – e ela também é necessária, poxa vida. talvez o curso seja super relevante e caiba na rotina. mas, se você não quer e decidiu priorizar outras coisas: tá tudo bem. é importante ter essa clareza.
gostou do tema? assista à live e participe dessa conversa:
[você que estudou pra isso, me responde] ana luísa, psiquiatra
ana luísa, @analuisacbarquette
psiquiatra, leitora, corajosa e uma profissional que trabalha com o que ama & acredita
a entrevista a seguir estreia o quadro “você que estudou pra isso, me responde”, onde escutamos especialistas de diversas áreas sobre nossos temas de interesse.
LUMOS PERGUNTA: em quais momentos faz sentido se sacrificar pelo trabalho?
ANA RESPONDE: Existe uma ideia romantizada de que trabalhar com o que você ama irá te fazer feliz pra sempre, mas isso não é realidade. Até mesmo o seu trabalho dos sonhos vai te gerar estresse, cansaço e se fazer questionar se realmente é isso que você quer pra sua vida – e isso é completamente normal! Outra ideia romantizada é que é possível equilibrar todos aspectos da nossa vida. Inevitavelmente haverá momentos em que teremos que escolher algo para priorizar, e isso significa necessariamente ter que abdicar de alguma coisa (caso contrário, é questão de tempo até você se esgotar tentando dar conta de tudo).
Penso que, em alguns momentos, o trabalho vai ocupar um lugar central da nossa vida, seja por ver muito sentido e propósito no que se faz, por ter um projeto em curso ou por precisar financeiramente daquilo (e tá tudo bem).Em relação à ideia de se sacrificar, eu diria que seria abrir mão de coisas essenciais pra você pra dar conta do trabalho. Faz sentido avaliar alguns aspectos: o sacrifício é realmente indispensável? Tem alguma forma mais viável de fazer isso sem ser abdicando das suas prioridades? Se não, se programe para que esse período seja o mais breve possível e trabalhe pensando em estratégias para minimizar danos. Por exemplo, se saúde é uma prioridade pra você, fazer exercício físico precisa estar no seu planejamento. Se for inviável fazer exercício nesse momento por falta de tempo, tente fazer no fim de semana, 1 ou 2 vezes, tente manter uma alimentação equilibrada dentro do possível e da sua realidade, tente preservar seu sono o máximo possível (a qualidade do sono faz diferença em TUDO: desde a regulação do humor e da ansiedade, até controle do apetite e aumento de risco de infarto!!!)
LUMOS PERGUNTA: como saber qual é a hora de diminuir o ritmo?
ANA RESPONDE: É frequente que a gente ignore os sinais e só pare quando entra em exaustão e não dá mais conta de nada. Eu diria pra você ficar atenta aos sinais do seu corpo, dos mais sutis, como uma irritabilidade por qualquer coisa ou dificuldades para descansar, até os mais perceptíveis – uma gastrite que não melhora, uma tensão muscular que está sempre presente… alguns sinais de alerta são preocupações constantes e desproporcionais com as situações, falta de prazer ou interesse nas coisas que antes eram muito legais e não conseguir se desligar do trabalho.
LUMOS PERGUNTA: como lidar com a exaustão social ou a sobrecarga sensorial sendo professora? há estratégias específicas para organizar a rotina ou hábitos que podem diminuir essa sensação?
ANA RESPONDE: O trabalho da professora exige inúmeras habilidades simultâneas que muitas vezes se tornam automáticas e inconscientes, mas nem por isso deixam de ser cansativas. Além de habilidades mais óbvias, como comunicação, outras habilidades estão sendo usadas o tempo todo, como gerenciamento de tempo, atenção à retenção do aluno, manejo de potenciais conflitos, resiliência emocional, autorregulação, flexibilidade…
Algumas dicas práticas seriam usar os intervalos para ter um descanso com menos estímulos, tentar reduzir o uso o do celular nesses períodos, pois você será sobrecarregada de informações. Tente criar uma rotina para transição, seja tomando um banho, trocando de roupa ou ouvindo uma música que você gosta, por exemplo. Isso também é muito importante pra quem trabalha em casa. Tente deixar o trabalho na mesa de trabalho e faça algo pra ter a sensação de transição do trabalho para o descanso. Se você trabalha com telas o dia todo, tente relaxar de outras formas: ler, pintar, desenhar, escrever, colorir… Tente levar o mínimo possível de trabalho pra casa [literal ou figurativamente]! Um hábito super legal é meditar ou praticar mindfulness. Existem vários apps que ajudam nisso também.
ANA RESPONDE: Frequentemente somos ensinadas a medir nosso valor pelo quanto cuidamos ou nos sacrificamos pelos outros. Isso faz com que nossas definições de egoísmo e altruísmo sejam deturpadas. Muitas vezes, pensamos que nos priorizar é um ato egoísta por não ser algo pelo outro, mas, na realidade, se priorizar é se cuidar. As pessoas mais importantes da sua vida não te amam porque você é útil pra elas, mas por quem você é. Se você adoecer, você vai precisar parar de fazer tudo por um tempo e isso vai ser algo muito difícil se você for o tipo de pessoa que mede seu valor pelo que você faz e não por quem você é. Se cuidar também é uma forma de ajudar os outros, já que estando melhor você consegue se dedicar mais ao que e quem você ama. Quando você aprende a falar apenas sim pra as outras pessoas, você automaticamente está falando não pra você mesma. Mudar a chavinha do “sim” automático é difícil, mas é muito pior viver o resto da sua vida escrava do que as pessoas acham de você. Se alguém fica chateada e rompe relações com você porque você disse um “não”, provavelmente a pessoa só estava próxima a você pelo que você poderia ser útil.
LUMOS PERGUNTA: por motivos diferentes, médicos e professores tem em comum a narrativa do sacrifício – que reproduz a noção de que o atendimento aos alunos ou pacientes é mais importante do que a manutenção das nossas próprias vidas. bancar que não somos seres que vivem apenas de necessidades, mas de desejos e vontades, é ainda mais difícil nesse cenário. como é, para você, impor limites aos seus pacientes para não viver em função do seu trabalho? (escute abaixo a resposta da Ana)
isso não é procrastinação
escolher deixar pra depois não é procrastinar
estar atolada de coisa pra fazer e priorizar como pode não é procrastinar
descansar não é procrastinar
cuidar de si não é procrastinar
não temos as mesmas 24h e só quem sabe da sua vida é você.
chamar priorizar as suas necessidades de procrastinar e afirmar que é por isso que seu negócio não cresce, além de falso, é cruel e não te ajuda a entender o que você pode fazer de fato dentro das suas condições.
a quem interessa o discurso que aponta qualquer pausa pra recalcular a rota como procrastinação – e sua consequente reação de surtar vendo problemas que nem existem? 👀
na LUMOS, acreditamos na autonomia bem informada, onde, munida dos conhecimentos necessários, você tem total capacidade de decidir por si própria o que cabe ou não na sua rotina – sem pressões ou terrorismos.
[LUMOS indica] de quanta terra precisa um homem
impossível começar a revista LUMOS, ainda mais com o tema de sacrifício pelo trabalho, sem recomendar uma obra que todo mundo que me conhece já foi acossado pra ler. “de quanta terra precisa um homem”, do tolstói, é simples, curto e objetivo – eu juro, não é porque ele é russo do século xix que tudo é complicado e arrastado, só a maioria rs. nesse texto, tolstói fala de ambição e sacrifício, bem como a gente tratou aqui mas de uma forma visceral e igualmente didática. recomendação imperdível pra todo mundo que empreende e o melhor, já caiu em domínio público há eras e você acha em qualquer lugar na internet.
boa leitura!
[live de quinta] isso é o que você perde ao comprar templates para gestão do seu negócio
templates no notion são uma febre – e não é a toa: o notion é uma plataforma com muitas possibilidades. e adquirir templates (gratuitos ou pagos) é uma forma super legítima de entrar em contato com outras formas de organizar informações, explorar funcionalidades & conhecer outros jeitos de pensar. porém, muitas vezes, não é assim que são vendidos.
o mercado digital brasileiro é inundado de infoprodutos que muito prometem e nada entregam – e os templates não fogem dessa lógica. em muitos casos, o consumo não é feito com a intenção curiosa de investigar os processos que sustentam a ferramenta, mas com o objetivo de encontrar uma solução permanente para seus problemas – em geral, gargalos no negócio. e isso não é mero acaso.
templates são vendidos como recursos definitivos: a solução que você procura & precisa. quem não deseja uma saída rápida & barata? quem quer perder tempo & dinheiro? acontece que a entrega não chega aos pés da promessa.
toda ferramenta é desenvolvida a partir de processos. isso significa que todo template é desenvolvido com base em uma forma de fazer as coisas – que na maioria das vezes não é explícita nem explicada.
sem a compreensão do processo, nos tornamos reféns da ferramenta. em outras palavras: você adapta o seu trabalho ao que a ferramenta permite que seja feito – em vez de focar no que realmente importa: desenvolver o seu serviço (processos & ferramentas) para atender às necessidades dos seus alunos e do seu negócio.
achou trabalhoso? pois é mesmo… mas só no começo. acontece que trabalho você vai ter de todo jeito. mas o resultado que você busca depende do trabalho que você escolhe.
quem aprende e se apropria dos processos e ferramentas desenvolve mais autonomia sobre o negócio e aumenta seu poder de criatividade e inovação.
quem busca o template ideal vive buscando o template ideal – enquanto tenta se encaixar em modelos que não foram feitos para sua realidade.
ao comprar templates na esperança de encontrar soluções simples & genéricas para problemas complexos & específicos, o que você perde é tempo. é a oportunidade de desenvolver autonomia.
o que você perde é a chance de se apropriar do seu negócio.
a gente prefere não perder tempo.
a gente prefere aprender.
gostou do tema? assista à live e participe dessa conversa:
[sala das professoras] thai genari
thai genari, @teacherthaigenari
professora de inglês, empreendedora, fã de pop, participante da LUMOS e uma profissional que trabalha com o que ama & acredita
a entrevista a seguir faz parte do quadro “sala das professoras”, onde conversamos com outras professoras sobre a realidade docente.
LUMOS PERGUNTA: Olá, Thai, é um prazer receber você na nossa primeira entrevista com uma professora da comunidade LUMOS. Temos algumas perguntas pra te fazer, mas primeiro, se apresente!
THAI RESPONDE: Oi, eu sou a Thai, comecei a ensinar bem novinha como monitora em uma escola de idiomas e em alguns meses completarei 10 anos de profissão!
LUMOS PERGUNTA: Aqui “no digital” a gente se conheceu há um bom tempo, mas como você chegou até aqui?
THAI RESPONDE: Como eu disse, comecei a trabalhar como professora bem jovem, eu tinha 16 anos – nessa época eu estava sendo treinada e comecei a tirar certificados de proficiência, mas ainda não tinha pra mim que continuaria nessa carreira por tanto tempo, eu acho que não sabia muito o que esperar. Acabei estudando Publicidade e Propaganda por um período e depois comecei Letras, o período na Publicidade (ainda trabalhando como professora) só deixou mais claro pra mim que o que eu gosto mesmo de fazer é estar em sala de aula com meus alunos.
LUMOS PERGUNTA: Desde então, muita coisa mudou por aqui e sabemos que no seu trabalho também. Quais as principais diferenças no seu trabalho hoje e quando você começou?
THAI RESPONDE: Quando comecei a ensinar como autônoma, não existiam regras no meu trabalho, eu estava sempre disponível para meus alunos, e a sensação era de desordem. Eu também não tinha um sistema de organização e tudo era meio que na minha cabeça. Hoje em dia, tudo acontece por um propósito, não crio mais projetos que não condizem com minha marca ou que não trariam benefícios relevantes aos meus alunos.
LUMOS PERGUNTA: Você faz parte da LUMOS desde os primórdios, lá com o Close Friends. Como estar nessa comunidade impactou seu trabalho nesse tempo?
THAI RESPONDE: As coisas começaram a mudar depois que participei de uma das edições da Bússola, um projeto gratuito da Larine – ainda nem éramos LUMOS. Foi ali que aprendi mais sobre a necessidade de um contrato, de ter férias, e de me posicionar. Depois disso participei de todos os projetos que vieram, e agora ensino outras profs na LUMOS! Não imaginava que nós chegaríamos tão longe pós pandemia 😅
LUMOS PERGUNTA: Qual foi o momento ou aprimoramento mais significativo nos últimos tempos pro seu trabalho e o que você ainda quer conquistar?
THAI RESPONDE: Não sei se é bem um momento, mas hoje em dia só me procura para ser aluno quem está alinhado com os valores da marca, e isso é incrível pra mim! Conseguir chegar em um público bem definido era uma das minhas maiores vontades porque em um trabalho em que estamos tão próximos do público – nesse caso nossos alunos, é essencial que exista alinhamento e harmonia.
LUMOS PERGUNTA: Mas nem tudo foram flores e precisamos relembrar: conta pra gente seus maiores sacrifícios como professora e o que eles te ensinaram.
THAI RESPONDE: A cada dia me orgulho mais do que venho construindo na minha carreira e vejo um impacto muito positivo na vida dos meus alunos também, e isso me motiva a fazer mais. O problema é que às vezes acabo ultrapassando meus próprios limites e trabalhando mais do que deveria, sabe? O que não é sustentável. Se tem algo que aprendi recentemente é que devo cuidar da minha saúde e curtir o mundo além do trabalho, até porque essas experiências que temos fora da sala de aula enriquecem nosso repertório, e consequentemente o dos nossos alunos.
como encontrar tempo para novos projetos
“ué, não é só dar aula?” que atire a primeira pedra quem nunca ouviu um comentário desse tipo. na nossa profissão, além de conduzir as aulas com os alunos, precisamos: planejar os encontros, atividades e lições, criar materiais, seguir nos atualizando sobre abordagens e metodologias para testar em sala de aula, acompanhar o desenvolvimento do aluno.
se o trabalho como professora fora de sala de aula não fosse o bastante, trabalhar de forma autônoma e empreender traz consigo outros desafios e responsabilidades.

quem busca os alunos e faz a matrícula? você.
quem cuida do fluxo de caixa? você.
quem cria o conteúdo no instagram? você.
encontrar tempo para novos projetos é desafiador em dois níveis: operacional e estratégico.
no nível operacional
precisamos entender, de forma realista, o tempo que temos disponível para realização de projetos. isso demanda conhecer todas as atividades que você realiza para manutenção do seu trabalho e como elas estão distribuídas na sua semana.
por exemplo:
➜ ministrar e planejar aulas
➜ corrigir dever de casa
➜ elaborar relatórios de feedback
➜ emissão de notas fiscais
essas ações que se repetem – seja semanalmente, quinzenalmente, mensalmente etc – compõem a base da sua rotina: porque são elas que garantem a qualidade do seu trabalho tal qual ele se apresenta hoje.
uma vez encontrado o tempo, é hora de subir para o nível estratégico.
no nível estratégico
precisamos entender, dentre as possibilidades que temos, qual projeto é prioritário para atingirmos nossos objetivos – de ensino, de marca e negócio e de vida pessoal.
algumas perguntas-chave para esse momento:
➜ como esse projeto vai impactar a minha rotina durante sua execução? o tempo disponível é suficiente ou me demandaria algum sacrifício momentâneo?
➜ como esse projeto vai impactar a minha rotina após sua conclusão? criar um infoproduto para aumentar seu faturamento só faz sentido se este infoproduto for vendido – eu quero mesmo aumentar a carga de trabalho dedicada a vendas?
➜ como esse projeto vai impactar a minha escola, como um todo, após sua conclusão? qual impacto eu posso prever para a aprendizagem dos meus alunos? e para a minha comunicação? e para a minha operação? e para meu fluxo de caixa? e para minha contabilidade?
➜ tenho tudo que preciso para realizar este projeto hoje? sou capaz de fazer este projeto do início ao fim? vou precisar contratar um profissional?
essas perguntas nos ajudam a responder as duas grandes questões que se colocam neste nível: por que este projeto importa? e por que ele deveria (ou não) ser realizado agora?
seguindo esse mini-guia, você não apenas encontra tempo para os seus projetos, como decide com intencionalidade se está no momento de fazer um sacrifício pelo trabalho & desenha a linha do até onde faz sentido este esforço-além-da-conta.
no dia 30 te apresentaremos acender, o curso completo de gestão de projetos da LUMOS.
não vendemos gravações - mas vendemos cursos gravados
isso significa que criamos cursos e aulas de temas relevantes para as alunas, com foco nas suas necessidades. nossas atividades são úteis para o desenvolvimento da escola e promovem aprendizagem na prática. e tudo isso acontece em ambientes pedagógicos que facilitam a interação em torno dos objetivos de aprendizagem do curso.é assim que entendemos e praticamos um ensino de qualidade, onde as alunas se apropriam das temáticas e desenvolvem habilidades enquanto aprendem de maneira efetiva o conteúdo. e é por isso que as gravações das aulas ao vivo são disponibilizadas, mas não vendidas. nossas aulas ao vivo são, de fato, encontros de prática e discussão orientadas por sequências didáticas que fazem sentido para momentos síncronos. nós privilegiamos, nos encontros ao vivo, suas especificidades – para que a presença simultânea potencialize a aprendizagem e atenda aos critérios que explicamos anteriormente. disponibilizamos a aula para quem não pôde participar ao vivo, mas deixamos claro que a experiência de assistir à gravação não é a mesma. e é pelo mesmo motivo que vendemos cursos gravados – que não são gravações de momentos ao vivo. para garantir a qualidade da forma como entendemos, é necessário desenhar a experiência assíncrona privilegiando as características desse tipo de aprendizagem – que não são as mesmas de um encontro ao vivo. isso significa repensar, em especial: a estrutura do curso, sua sequência didática, suas atividades e o ambiente virtual para facilitar o acompanhamento e a comunicação escrita. quer saber mais? na live de quinta, discutimos sobre a pedagogia dos cursos assíncronos e mostramos com exclusividade a área de membros do ACENDER, nosso curso de gestão de projetos para professoras empreendedoras, inteiramente no notion.
talvez você não mereça descansar…
por letícia bergantini em 30 de maio _ 2025
qual foi a última vez que você deixou de descansar porque não se permitiu?
vivemos uma epidemia do cansaço. estamos exaustas e, enquanto tentamos equilibrar nossos pratinhos, lidamos com a pressão de que não estamos fazendo o suficiente. somos constantemente lembradas de que devemos priorizar nossa saúde, comer bem, praticar atividade física, estudar – e tudo isso enquanto realizamos um trabalho impecável que, claro, deve ser comunicado cotidianamente. e não se esqueça de dormir bem!
e, como se não bastasse, você ainda precisa descansar. e não de qualquer jeito: o seu descanso precisa ser de qualidade.
nesse cenário, é comum esbarramos com dois tipos de discurso. o primeiro é pragmático: descansar é produtivo. pessoas cansadas não produzem bem e, se você deseja aumentar sua produtividade, é fundamental que você respeite seus momentos de descanso e descanse com qualidade. o segundo é acolhedor: reconhece que vivemos em uma sociedade que nos molda conforme uma ilusão meritocrática – quanto mais se trabalha, melhores resultados financeiros você alcança. por isso, segundo essa corrente, aprendemos que descansar seria sinônimo de preguiça e, portanto, precisamos ressignificar o descanso para descansar, de fato. basta que você se permita.
ambos concordam sobre a importância do descanso. ao mesmo tempo, ambos reproduzem uma ideologia neoliberal e individualista que ignora a realidade material dos sujeitos cansados. nos dois casos, existe um apelo a mentalidade. afinal: sabendo que descansar é importante, por que você segue sem conseguir descansar? ou, por que quando você consegue descansar, o faz com culpa e não consegue desligar a cabeça sobre o que você deveria estar fazendo?
para ilustrar como o discurso sobre o descanso pode assumir um papel que culpabiliza individualmente aquele que não descansa, indico a leitura das duas matérias a seguir. deixo o aviso: tem que ter estômago.
Por que descansar pode ajudar a ter sucesso
Pesquisa Mostra Que “Descansar” Pode Não Ser a Melhor Forma de Recuperar Energia
é claro que descansar é importante. e também parece evidente que doomscrolling* não configura como descanso de qualidade. mas, se explicar o valor do descanso fosse suficiente, será que não estaríamos todas descansando com qualidade, com frequência – e sem culpa?
é claro que a organização pode ajudar: quando temos clareza do que estamos deixando de fazer – e dos impactos de deixar para depois no nosso negócio, conseguimos ficar mais presentes no momento. temos a sensação de que tudo está sob controle e tranquilizamos nossa mente que não existe nenhum incêndio oculto acontecendo em nosso negócio enquanto passeamos de mão dada na feira em busca de um pastel e um caldo de cana. não precisamos abrir o whatsapp de cinco em cinco minutos como se uma bomba fosse explodir a qualquer momento. quando temos um sistema de organização, temos mais segurança e menos desespero.
acontece que um sistema de organização não é construído da noite para o dia. demanda tempo e dá trabalho. e a nossa realidade, especialmente no início da nossa jornada enquanto professoras empreendedoras, é de insegurança e instabilidade.
de que adianta ter tudo documentado se você não sabe se vai ter dinheiro suficiente para pagar as contas no mês seguinte?
em abril de 2021, eu pedi demissão da escola onde eu trabalhava para me dedicar integralmente ao meu negócio. na época, eu já produzia conteúdo há dois anos, trabalhava como professora de organização há três. eu ganhava R$2.000 (bruto) para criar materiais didáticos interdisciplinares e bilíngues para uma rede de escolas e coordenava uma equipe de cinco pessoas.
na época, eu acreditava que conseguiria facilmente ganhar mais realizando outros trabalhos. eu abri uma empresa de consultoria e cursos com a minha ex-chefe – que também saiu da escola -, criei uma mini editora para seguir produzindo materiais didáticos, e continuei o meu trabalho como professora de organização.
eu não tinha uma reserva de emergência robusta quando saí da escola. todo meu dinheiro era suficiente para me manter por um mês. e minha preocupação passou a ser tocar estas três frentes de negócio ao mesmo tempo para faturar o suficiente para pagar as contas. mesmo recebendo ajuda financeira do meu pai, não demorou muito tempo para que a situação se tornasse insustentável. nessa época, teve mês que faturei R$6.000 – seguido de meses em que não cheguei nem perto de alcançar quatro dígitos.
talvez este não seja o seu cenário. mas eu conto essa história para contextualizar a pergunta: como alguém que não tem dinheiro nem estabilidade consegue descansar com qualidade? como ouvir que eu “mereço” ou que eu preciso “me permitir” me ajuda, efetivamente a descansar?
será que eu trabalhava de domingo a domingo porque não me sentia merecedora do descanso? será que se eu me permitisse descansar eu teria, efetivamente, um descanso de qualidade?
para professoras empreendedoras – em especial, as de idiomas, acredito inclusive que este discurso é ainda mais cruel. afinal, é comum que a remuneração da nossa atividade seja calculada por hora/aula (que não é sinônimo de hora trabalhada, como bem sabemos). isso significa associar o tempo ao ganho financeiro, o que torna ainda mais desafiador abrir espaço para o descanso na rotina, ainda mais em momentos de instabilidade do negócio.
este texto não pretende questionar a importância do descanso – até porque, acreditamos e defendemos o descanso. não a toa, na LUMOS, com frequência, é possível ver em circulação o bordão go touch some grass*.
o que desejamos é incentivar o pensamento crítico para entender com qualidade quais problemas são de fato individuais ou estruturais para, então, compreender nossas responsabilidades e limitações e agir com autonomia e sem culpa.
*doomscrolling: a rolagem infinita do feed, vendo desde catástrofes ambientais até a ascensão do fascismo. hmmmmm, delícia!
*go touch some grass: vai viver do lado de fora, pelo amor de deus 🙏🏻 (inclusive, um dos nossos mantras daqui da LUMOS)
este texto foi enviado na newsletter LUMOS do mês de maio, junto aos nossos favoritos do mês & mimo exclusivo. para receber nos próximos meses, inscreva-se aqui.
[novo curso] ACENDER | gestão de projetos para professoras empreendedoras
o primeiro curso LUMOS está no ar e você, da nossa comunidade, tem acesso a ele com 50% de desconto. o link exclusivo para membros está disponível na área de alunas. se você não faz parte da comunidade (ainda 👀), pode adquirí-lo aqui com nosso desconto de lançamento (de R$248 por R$198) válido até 30/06/2025.
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