julho/2025

REVISTA LUMOS

terceira edição

palha, madeira ou tijolos - do que a estrutura da sua escola é feita?

matéria de capa

dos mais de três milhões de Microempreendedores Individuais registrados em 2024 no Brasil, cerca de dois milhões e cem mil delas fecharão nos próximos cinco anos, segundo dados do IBGE e Sebrae.

esses dados não são exclusivos de MEIs, visto que em micro e pequenas empresas, a estimativa se repete com 20% fechando as portas antes do fim do primeiro ano e quase 50% não chegam a completar três anos de atividade. em cinco anos, a estimativa é de que menos de 40% das empresas abertas permaneçam ativas no país. o motivo?

falta de planejamento estratégico, falhas na gestão, dificuldades em contratar colaboradores e gerir equipes, além, claro, da falta de “visão a longo prazo” – uma piada interna, já que fomos acusadas dessa falha algumas vezes por gurus.

não é um roteiro particularmente inovador: o sonho do empreendedorismo começa com a ideia da liberdade, flexibilidade, personalização dos processos a contento do empresário – um título recebido quase instantaneamente e imbuído de significado de um sucesso e prosperidade desalinhados à realidade. o dia-a-dia, no entanto, exige um arcabouço que a maioria dos empreendedores não possui.

controle de recebimentos, pagamento de impostos, atenção para as faixas de faturamento para não cair na malha fina, serviço de contabilidade. contratação de identidade visual, reunião de briefing, pesquisa de referências, serviço de design. elaboração de contrato, discussão de regras, serviço de advogado. criação de marca, definição de branding, alinhamento na comunicação, treinamentos profissionais. plataformas de lições prontas, reuniões ao vivo, hospedagem de vídeos, ambiente de aprendizagem. caixa da empresa. criação de ferramentas, atividades, materiais personalizados. correção de atividades, envio de feedback, ministração de aulas. tudo isso apenas no nosso caso, e certamente particularidades se empilham às necessidades gerais, tornando a motivação de “não quero ter chefe” em uma rotina de cuidados diários, semanais, semestrais e anuais que, ao menor deslize, pode desmoronar. e muitas vezes, desmorona.

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não podemos falar de outros segmentos, mas atendendo professores desde o começo de 2022, percebemos diversos padrões que podem prever o desastre numa escola, e todos eles se unem na construção de uma escola de palha.

a escola de palha é feita por um professor que tem uma vaga noção de todos os processos: se pensar bem, consegue puxar da memória quais atividades precisa enviar, quanto paga de impostos, qual o prazo para pagar o DAS de cada mês. mas à medida que esse professor cola os fiapos de volta nas paredes, tentando lembrar atividades a enviar, entrando em contato sobre renovação de contrato no dia do vencimento ou percebendo o imposto de renda como uma sugestão, as demandas mais sérias, urgentes ou relevantes sopram forte, e irremediavelmente destroem o que já foi um sonho de uma escola própria.

é diferente com a escola de madeira: o professor que comanda esse MEI é interessado e dedicado, mas se vê sobrecarregado com frequência. ele tem uma boa ciência dos processos cotidianos da escola, ainda que uma ciência embrionária e quase intuitiva. consegue se manter a par das obrigações, mas se vê preso em demandas infinitas, sempre novas e algumas até surpreendentes, até que se junta às estatísticas e, por uma gestão otimista mas imatura, acaba fechando as portas.

não raramente essas duas escolas dedicam tempo demais com a tentativa de mudança completa de nicho, de educação para marketing digital, sem nem ao menos perceber a negligência que impõem a suas escolas quando decidem “aprender a não vender a hora”, e ao se perceberem professores vestindo as calças de marketeiros, não podem fazer muito mais que tapar os olhos e vias aéreas enquanto assistem à queda de estruturas um dia tão sonhadas.

na fábula dos três porquinhos, o irmão que se decide por construir uma casa de pedra não é o mais esperto: enquanto os outros brincam, tendo suas casas já prontas, ele continua a erguer paredes. curiosamente, em algumas versões a interação entre eles é quase jocosa à medida que descobrem, os irmãos de palha e madeira, todo o esforço (compreendido ali como desnecessário) feito pelo terceiro.

a ironia não se perde em perceber como, ainda hoje, essa dinâmica se repete: trabalhe enquanto eles dormem, erre primeiro e erre grande, faça lançamentos milionários – instruções vindas de gurus de professores que usam, elas mesmas, blocos de notas com as “anotações mais importantes” do próprio negócio. ainda no campo das fábulas, um clássico caso de tartaruga-indo-à-festa-escondida-no-violão-do-urubu-que-eventualmente-a-soltaria-do-alto-do-seu-vôo-de-encontro-à-morte. mera coincidência, claro.

empreender é, sim, inato a algumas pessoas: quem nunca conheceu (ou foi) a criança que vende miçanga na escola? mas será mesmo que é suficiente? será que os 7 em cada 10 empreendedores que se vêem de volta ao mercado formal, muitas vezes endividados, só “não deram sorte”?

o empreendedorismo consciente, aquele que sobrevive à passagem do tempo, não engloba apenas uma comunicação cada vez mais acertada, alinhamento de identidade visual à marca, ofertas imperdíveis. ele tampouco se baseia em acesso a crédito, uma saída quase milagrosa que, segundo 34% dos respondentes da pesquisa feita pelo Sebrae, teria evitado o fechamento da empresa – um dado curioso que nos convida a refletir sobre a maturidade dos responsáveis por essa empresa.

para professores empreendedores, o “lobo” existe, e ele sopra – mas ele não é a “concorrência”, por mais que seja importante entender entre profissionais oferecendo serviços parecidos e vendedores de vender curso: ele é o mercado, a inflação, o desconhecimento de leis, a ignorância contábil, a desorganização, a falta de estudos em gestão de projetos, a comunicação desencontrada, a marca que não fala com ninguém…

as escolas que ficam em pé, por mais que pareçam essas as mais estruturadas, não são as de palhas com trançados mais coloridos ou madeiras mais bem entalhadas – são as que nos dedicamos, diariamente, tijolo por tijolo, a erguer.

Larine Flores é professora de idiomas com registro MEI aberto em 2018 e posteriormente convertido para Micro Empresa, em atividade independente e exclusiva na educação há oito anos.

[testado na LUMOS] tella.tv

como muitas professoras que empreendem, temos um caixa limitado – e, por isso, temos muito cuidado ao priorizar nossos investimentos. isso significa decidir o que abraçar e, por consequência, o que abandonar (pelo menos por enquanto). e isso, por muito tempo, significou uma qualidade audiovisual suficiente – que não prejudicasse a compreensão das alunas & fosse possível de ser executada por mim ou pela larine, sem a necessidade de uma nova contratação.

nossas gravações aconteciam pelo zoom e ele atendia nossos critérios – apesar do desafio de ligar a câmera e gravar (e, muitas vezes, regravar), sabendo que aquele vídeo não seria editado.

quando decidimos gravar o ACENDER, e, sabendo que muitos outros cursos gravados 👀 viriam depois dele, a gente já sabia: seria necessário investir na qualidade audiovisual para promover uma experiência de aprendizagem mais imersiva para as professoras e, principalmente, facilitar a gravação por parte das professoras e garantir um produto final realmente alinhado com nossas expectativas.

foi nesse contexto que contratamos o tella.tv: um aplicativo que nos permite gravar e editar vídeos com muita facilidade. diferente de outras possibilidades (como OBS Studio, Premiere ou Loom), a curva de aprendizagem do tella.tv é breve e, em pouco tempo, eu (que tenho alguma, porém pouquíssima experiência na edição de vídeos) já era capaz de fazer o que eu precisava: cortar erros, destacar imagens na tela, editar layout e remover pausas.

captura de tela 2025 07 04 às 14.23.52

além disso, os vídeos são legendados automaticamente e é possível editar qualquer palavra de forma simples e rápida, diretamente na transcrição.

por $12 dólares por mês, no plano anual, conseguimos atingir nosso objetivo: facilitar nossa rotina de gravação – e das professoras parceiras! – e melhorar muito a qualidade audiovisual das nossas aulas por um preço que cabe no nosso orçamento.

e como a plataforma oferece hospedagem, ainda é possível compartilhar os links com alunos ou incorporá-los ao notion. caso você deseje, o tella.tv permite colocar senhas nos vídeos para protegê-los – dispensando, por exemplo, a necessidade de subir vídeos para playlists protegidas no YouTube.

[live de quinta] sua escola reflete a educação que você acredita?

por que você dá aulas como você dá? por que elas tem a duração que tem? e a frequência que tem? e por que você organiza as aulas como organiza? e por que você escolhe a sequência didática que você escolhe? por que você pratica a abordagem que pratica? por que você escolhe utilizar as metodologias que utiliza? e por que você usa o material didático que você usa? e por que você passa o dever de casa como passa? e por que você disponibiliza os recursos como você disponibiliza? e por que você oferece feedback como você oferece? e por que você mobiliza o currículo da forma que você faz?

valores não são definidos para justificar o que você faz. mas para que você reflita sobre a sua prática e faça o que for preciso para materializar a educação que você acredita! é assim, inclusive, que inovamos.

as respostas não vem prontas. e faz parte do seu trabalho, como professora empreendedora, lidar com o desconforto dessas perguntas que não podem ser terceirizadas.

isso não significa que você precise respondê-las sozinha. e, muito menos, que você precise lidar sozinha com as descobertas que fizer ao longo desse processo.

por mais que seja angustiante lidar com o incômodo de não saber porquê você faz o seu trabalho da forma que você faz, ou se confrontar com uma prática que não reflete seus valores, se colocar estas questões é o único caminho para construir uma escola coerente: uma realidade onde você é capaz de explicar, com segurança, cada aspecto pedagógico, administrativo e comunicacional.

 

se você deseja fazer escolhas com intencionalidade e embasamento para o seu negócio, você vai gostar da live onde aprofundamos essa conversa:

coisas que eu não vivo sem como professora autônoma

no clima da trilha de julho, básico que funciona: o mínimo que sua escola precisa para ser bem sucedida, esses são os principais básicos que nós, aqui na LUMOS, não queremos mais viver sem:

sistema integrado no notion: toda a escola fica no notion, desde os currículos dos alunos até os comprovantes de pagamento. todo mundo da equipe consegue acessar e é fácil de usar.

processos & rotinas bem estabelecidas: muitas coisas são repetidas no nosso trabalho e se você não entende os padrões de cada uma delas, acaba tendo que resolver pepino todo dia, e quase sempre com pouco tempo e em momentos não tão ideais.

contabilidade: a entrevista de 11 páginas com nossa contadora não nega: entender assuntos contábeis não é trivial e muito menos sem consequências, já que qualquer errinho pode virar um problemão. pra não ter que aprender (e me responsabilizar por) taaanta coisa, ter uma empresa pra auxiliar nessa parte é imprescindível pra nós.

quais são os básicos-não-vivo-sem da sua escola?

ps: tudo bem se você não tiver essa clareza agora – na próxima trilha, que começa dia 12 de Julho, você vai descobrir tudo que precisa pôr a mão na massa. as vagas para o ciclo 2 da LUMOS ficam abertas até dia 11 às 12h.

quem é você como aluna?

nao posso pedir lumos

queremos alunos dedicados, interessados, organizados e curiosos. queremos alunos com autonomia e que já aprenderam a aprender: conhecem seus ritmos, priorizam as atividades mais eficazes para o processo de aprendizagem e estudam com constância. esse aluno existe?

nossos alunos são adultos como nós. assim como você, muitas vezes deixam de estudar não por preguiça ou falta de disciplina – mas por priorizar um descanso muitas vezes adiado por um trabalho que não respeita seu ritmo, seus desejos ou até suas necessidades.

não há organização que dê conta de fazer caber um dever de casa – por menor que seja – em uma rotina extenuante em que, muitas vezes, se decide entre comer, dormir ou tomar banho no tempo livre.

é claro que a falta de constância no estudo afeta a aprendizagem. mas, desacelerar e ir devagar – mantendo o contato com o objeto de estudo uma ou duas vezes na semana, de maneira intencional e estruturada – talvez seja a única opção para muitos alunos. além, é claro, da opção de desistir.

você, como aluna, provavelmente também não vive uma situação ideal para aprendizagem. você também tem uma rotina corrida e, mesmo sabendo profundamente o impacto do contato diário com o objeto de estudo, ainda assim, por vezes, não estuda. será por falta de vontade ou disciplina? custamos a acreditar.

você já participou de alguma experiência de aprendizagem ativa que demandasse presença síncrona & assíncrona em um cronograma previamente estruturado? você conseguiu se dedicar como gostaria? ou participou passivamente?

você sabe o impacto no seu dia a dia de ser a protagonista da sua aprendizagem – como você tanto diz que seus alunos devem ser?

você quer trabalhar com metodologias ativas, sala de aula invertida ou outra abordagem que demande dedicação do aluno fora da sala de aula. isso é incrível! mas, você sabe se seu aluno consegue, efetivamente, dedicar o tempo necessário para o sucesso da sua proposta pedagógica?

o feijão com arroz do posicionamento

você sente que não consegue comunicar como gostaria o trabalho que oferece? isso é problema do seu posicionamento.

você vê resistência ao implementar decisões administrativas (como suas férias!) na sua escola? isso é problema do seu posicionamento.

você não sabe o que oferecer pros seus alunos para motivá-los e engajar as aulas? isso é problema do seu posicionamento.

você nunca sabe o que postar e sente que não tem coesão no que publica em nome da sua escola? isso é problema do seu posicionamento.

po·si·ci·o·na·men·to
substantivo masculino
1 Ato ou efeito de posicionar(-se).
2 Posição ou opinião relativa a determinado tema.

no nosso caso, o conjunto de valores e suas práticas que alinham, identificam, diferenciam e guiam as ações da escola.

por que o posicionamento é importante?

além de alunos mais alinhados ao trabalho que você quer oferecer, uma percepção de valor maior e diferenciação do seu trabalho, o posicionamento importa muito antes de ‘encontrar’ seu aluno ou futuro aluno: ele te orienta a como agir de acordo com decisões tomadas com foco na escola, nos objetivos que você tem pra ela (e pra você) e no modelo que você planeja pro seu trabalho.

erros comuns no posicionamento

  1. tentar agradar todo mundo;
  2. copiar outros professores por achar que não consegue fazer melhor então “é mais fácil” copiar;
  3. copiar outros professores ou mentores por acreditar em suas promessas de que o “modelo infalível” deles vá te atender;
  4. não entender o panorama dos valores da sua escola e as consequências nos processos e rotinas que reforçam ou enfraquecem sua marca.

como (começar a) definir seu posicionamento

de forma alguma seguindo um modelo pronto, mas busque entender as características específicas do seu trabalho e que valores eles representam (por exemplo: ambiente pedagógico intuitivo que simboliza seu desejo por autonomia para seus alunos).

[live de quinta] o melhor estrategista de negócios do mundo não pode salvar uma escola onde a operação não foi sistematizada

a estratégia é sexy. quando elaboramos o modelo de negócios da nossa escola ou definimos seu planejamento estratégico, nos permitimos sonhar. tendemos a pensar de maneira otimista, e desenhamos e desenhamos até dizer – ufa! tá pronto, é só fazer.

acontece que, muitas vezes, nosso pensamento estratégico é abstrato: pois nos falta conhecimento sobre nossa operação – em especial, sobre suas limitações.

estruturar processos e desenvolver ferramentas, no entanto, não é tão sexy. é a hora que “o filho chora e a mãe não vê”: nos deparamos com as falhas e quebramos a cabeça para criar soluções que facilitem nossa rotina e garantam, ao mesmo tempo, a qualidade do nosso trabalho.

este é um convite. não para que você abandone o pensamento estratégico – mas para que você se questione: o que é estratégico para sua escola hoje? aprender mais sobre estratégia ou ser capaz de aplicar com qualidade seus aprendizados? escalar ou garantir qualidade nos processos que já existem, hoje, no seu negócio?

 

nesta live, conversamos sobre a relação entre estratégia & operação:

quem são os mentores que você paga

os mentores que você paga têm mais em comum com os professores que você critica do que você gostaria de admitir. e você está mais próxima daquele aluno que busca a fluência em poucos meses do que você imagina.

você sabe que não é possível ficar fluente em três meses. você sabe que qualquer promessa desse tipo é enganosa. mas você sabe também que o seu aluno – ou possível aluno – circula virtualmente por espaços que promovem essa ideia e reforçam a ilusão de que basta o empenho individual para que a aprendizagem ocorra com qualidade em pouco tempo.

e aqueles professores que discordam?

“ora, talvez eles não saibam como ensinar de maneira otimizada. deve sim haver um segredo para a fluência. um passo a passo. um método. eu que não encontrei. eu que não apliquei da maneira correta.

acreditar que o próximo mentor, curso ou infoproduto vai ser este que fará “virar a chave” ou “destravar definitivamente” a aprendizagem é sedutor porque nos mantém presas à ilusão de que só depende do nosso esforço. ignorando nossas condições materiais e o processo de construção, individual e coletiva, do conhecimento.

opa, será que ainda estamos falando do seu aluno?

queremos alunos com autonomia e dispostos a aprender – enquanto buscamos mentores que prometem resultados rápidos e milagrosos, incompatíveis com a nossa realidade.

criticamos professores que prometem fluência como quem promete trazer de volta a pessoa amada – mas seguimos pagando mentores na esperança de que, talvez agora, nosso esforço seja suficiente para alcançar a prosperidade prometida.

buscamos alunos com pensamento crítico – mas custamos a abrir mão da mentira do enriquecimento no mercado digital.

aprender leva tempo e demanda estrutura. seja para se comunicar em um novo idioma, seja para ter autonomia nas decisões que você toma para a sua escola.

[live de quinta] nossa experiência trabalhando com empresas

será que é para você? nesta live, falamos um pouco sobre nossa experiência e discutimos as diferenças entre contratos direto com o consumidor e a venda de serviços para empresas.

[você que estudou pra isso, me responde] luciana miguez, especialista RH

entrevista luciana

luciana miguez
trabalha com RH há 7 anos
, curiosa, carioca e uma profissional que trabalha com o que ama & acredita

a entrevista a seguir estreia o quadro você que estudou pra isso, me responde”, onde escutamos especialistas de diversas áreas sobre nossos temas de interesse.

LUMOS PERGUNTA: quem é a luciana?

LUCIANA RESPONDE: Sou a Lu Miguez, carioca, tutora da Mavi (uma cachorrinha de 4 anos). A minha curiosidade sempre me levou a explorar pra além do mundo corporativo, então já organizei eventos de inovação, fundei uma clube de leitura pra mulheres na pandemia, fui co-líder de um projeto voluntário de hortas urbanas e mentora da formação em Design de Experiências de Aprendizagem. Parecem coisas que não se conectam mas, no final das contas, tudo fala sobre a mesma coisa: conexão, trocas e aprendizados.

Fora do trabalho eu me defino como uma mulher muito curiosa, apaixonada por criatividade, colaboração e impacto social, porque acredito muito que as conexões trazem as transformações mais bonitas e profundas. Afinal, sempre é sobre pessoas.

LUMOS PERGUNTA: desde quando trabalha com RH? e por que escolheu a área?

LUCIANA RESPONDE: Atuo com RH há mais de 7 anos e já passei por algumas áreas, mas sou apaixonada por cultura organizacional, endomarketing e treinamento e desenvolvimento. Escolhi a área porque estava na faculdade e precisava começar a trabalhar. Meu primeiro estágio foi na área de Treinamento e Desenvolvimento e eu entrei sem saber nada, mas me apaixonei de cara.

LUMOS PERGUNTA: o que mais gosta e menos gosta na área?

LUCIANA RESPONDE: O que eu mais gosto é que tem muito a ver com a área de educação, então é muito incrível pensar em experiências diferentes e criativas para engajar os colaboradores e melhorar a qualidade de vida deles de alguma forma. O que eu menos gosto é que muitas vezes a área de RH ainda é vista apenas como um suporte ou tira-dúvidas de outras áreas e não com toda a estratégia e impacto que tem nas pessoas e, consequentemente, na empresa.

LUMOS PERGUNTA: geralmente, como as empresas vêem o investimento nas aulas de idiomas? é algo mais voltado à capacitação dos profissionais que já se destacam ou pode ser voltado a preencher lacunas da equipe? o que é mais comum?

LUCIANA RESPONDE: Depende muuuuito da empresa. Quando existe um contato frequente com equipes de outros países ou clientes internacionais, o investimento em aulas de idiomas pode ser visto como algo estratégico, já que se torna uma habilidade crítica. Por outro lado, se for uma empresa nacional, essa capacitação muitas vezes não é priorizada e, quando existe, acaba sendo ofertada apenas pra profissionais em destaque ou em cargos de liderança.

Mas um fator que tem mudado esse cenário é a demanda dos próprios colaboradores. Pesquisas mostram que antes, o que mais motivava uma pessoa a permanecer no seu emprego eram salário e estabilidade. Hoje em dia a qualidade de vida, flexibilidade, desenvolvimento, pesam muito mais. As empresas que querem atrair e reter bons talentos estão cada vez mais olhando pra isso e investir em formação, como aulas de idiomas, se tornou uma forma de se manter competitiva no mercado.

LUMOS PERGUNTA: muitas professoras têm receio de abordar empresas para oferecer suas aulas e sabemos que a indicação pode ser uma ótima aliada mas, considerando que não haja nenhum contato que possa fazer essa ponte, o que uma professora precisa apresentar num primeiro contato com uma empresa? ele deve acontecer por e-mail, LinkedIn, ou outra plataforma?

LUCIANA RESPONDE: Dando um passo atrás: antes de escolher o melhor canal, procure a “pessoa certa”. Deixe pra falar com qualquer pessoa da empresa somente em último caso. O melhor é encontrar uma pessoa estratégica que vai fazer ler o seu material pensando em entrar em contato com você ou guardar pra alguma oportunidade futura. Geralmente essa pessoa é de RH e, no LinkedIn, você pode buscar se ela atua com algo relacionado a benefícios ou desenvolvimento.

Agora, em relação ao canal, é importante pensar que as pessoas dessa área recebem MUITAS mensagens no LinkedIn: seja de pessoas pedindo orientações sobre vagas ou de fornecedores de quaisquer produtos e serviços. Então, acredito ser mais estratégico o e-mail porque, além de ficar registrado pra pessoa conseguir ter acesso mais fácil em outro momento mesmo que cheguem outros e-mails, tem mais chances da pessoa conseguir ler.

Na abordagem em si, é interessante que tenha uma apresentação de quem você é, sua experiência e o que você oferece (nesse último ponto, você pode destacar o seu diferencial: por que sua aula é única? O que te destaca?). Além disso, trazer uma proposta clara (as aulas são em grupo? Individuais? Têm outros formatos como workshops, aulas de conversação etc?) e resultados (aqui é o momento de cases e depoimentos de alunos corporativos).

LUMOS PERGUNTA: marcada uma reunião, o que são fatores que ajudam a empresa a considerar a contratação da escola para o serviço de aulas de idiomas?

LUCIANA RESPONDE: A decisão de contratar uma escola pra oferecer idiomas passa por uma série de fatores que vão além do idioma em si. Em resumo, alguns desses fatores são:

Clareza sobre os objetivos das aulas: pra aprovar o projeto, o RH precisa ter muito claro do que acontecerá ao longo do projeto e analisar se está em linha com a cultura da empresa e o que ela precisa. Então como são suas aulas? Qual a sua metodologia? Qual objetivo você tem ao final de cada semestre/ano? Como você vai fazer isso?;

Flexibilidade de horários e formatos: os colaboradores que farão as aulas provavelmente vão ser de áreas diferentes, com rotinas de trabalho diferentes, e talvez com necessidades diferentes, então é fundamental que possa existir uma flexibilidade nesse sentido pra garantir um melhor aproveitamento e aprendizagem de todos;

Relatórios de acompanhamento: como você vai medir o progresso dos alunos? O que você vai fazer com os dados desse relatório? Como isso será passado ao RH? Vai ter algum plano de ação de acordo com o resultado?

Comunicação clara e fácil com o RH: vocês vão ser parceiros ao longo de todo o processo, então é fundamental que essa comunicação flua e que seja construtivo e rico pros dois lados;

Propostas personalizadas: se preocupe em entender a dor do negócio e a real motivação da empresa por trás da decisão de investir em uma aula de idiomas. Muitas vezes as empresas acham que têm uma necessidade “x”, mas na verdade é outra completamente diferente. Então, pra realizar uma proposta personalizada e assertiva, é fundamental uma escuta muito atenta.

Match orçamentário: por último, mas definitivamente não menos importante. Procure entender também a realidade da empresa naquele momento, porque muitas delas vão querer começar pequeno por não ter orçamento ou até mesmo pra testar se funciona, então leve isso em consideração também na hora de montar a sua proposta.

No fim, o que mais conta é a capacidade da parceria de gerar aprendizado prático, com engajamento e constância (o que não é nada simples).

LUMOS PERGUNTA: existe uma crença de que as professoras de idiomas precisam saber tudo sobre vocabulário técnico antes de dar aulas de idiomas para empresas e pela experiência nós não acreditamos que essa seja a realidade em geral, já que muitas vezes esses termos técnicos são o que os alunos de fato já sabem, e o uso da linguagem ao redor dos termos se torna o foco. na sua opinião, o conhecimento técnico da área da empresa pra qual se oferecem os serviços é um critério importante ou não tanto?

LUCIANA RESPONDE: Excelente pergunta! Claro que é bom quando a professora tem familiaridade com esses termos técnicos, mas isso não é o mais importante. Pra mim, o fundamental é fazer com que esses colaboradores consigam se comunicar pra além do vocabulário técnico: em reuniões, e-mails, apresentações, trocas do dia a dia, viagens a trabalho, ou até mesmo ler materiais em outros idiomas pra aumentarem seu repertório e se desenvolverem ainda mais.

E isso vai acontecer com muito mais facilidade por meio de uma parceria entre a professora e os colaboradores: nunca somente de um ou de outro. A didática, dedicação, engajamento, trocas e confiança vão guiar essa aprendizagem, independente se as aulas forem voltadas pro crescimento profissional ou pessoal.

LUMOS PERGUNTA: o que o RH procura numa professora ou escola para fechar um contrato? o que é imprescindível e o que é uma bandeira vermelha?

LUCIANA RESPONDE:

Imprescindível 🟢
Profissionalismo: envolve pontualidade, ética, responsabilidade e comunicação transparente e fácil com o RH. O combo do mínimo, mas que, quando bem feito, é IMBATÍVEL! Parece óbvio, mas não é tão simples encontrar profissionais que cuidem desses pontos ao longo de toda a jornada e não somente no fechamento do contrato;
Proposta personalizada: já falei sobre isso antes, porque é muito importante, principalmente pra mostrar que você entendeu as necessidades da empresa e que entende que é necessária uma flexibilidade pra atender essas necessidades;
Capacidade de gerar engajamento: esse é um dos maiores desafios do mundo corporativo, então deixar claro como você vai criar um ambiente que motive os colaboradores a participar e continuar aprendendo pode ser um diferencial.

 

Bandeiras vermelhas 🔴
Falta de alinhamento com o contexto da empresa: quando a proposta ignora a realidade ou os objetivos da organização. Isso mostra que, além de você não ter feito o dever de casa de procurar sobre a empresa, provavelmente não cumpriu o que foi combinado previamente nas conversas de alinhamento;
Promessas exageradas ou pouco realistas: o “como garantir fluência pouco tempo” é clássico, mas existem diversas outras promessas que podem ser exageradas e, em algum momento, você não vai conseguir cumprir um combinado, porque vai estar além do que a sua perna alcança. Então é fundamental você ser realista com a sua realidade e a da empresa, entender o que você consegue entregar e ser muito transparente em relação a isso.

Alguns pontos são muito difíceis de analisar antes do fechamento de um contrato, mas outros são muito nítidos, então tente deixar claro não só o que é imprescindível, mas também que você não cometerá o que é uma bandeira vermelha.

LUMOS PERGUNTA: quais tipos de atividades ou desempenho a empresa geralmente espera que os colaboradores sejam capazes de fazer quando se tornam alunos de aulas custeadas pela empresa?

LUCIANA RESPONDE: Eu vejo dois principais caminhos que não são excludentes entre si: aprender o idioma porque a empresa atua internacionalmente de alguma forma, então vai ser importante no dia a dia do colaborador. Então é importante que consiga se comunicar melhor em reuniões, apresentações, viagens a trabalho, trocas cotidianas, melhore a escrita dos e-mails, entre outros.

E a outra opção é ser um benefício pro colaborador se desenvolver, mesmo sem atuação internacional da empresa. Nesse caso, é muito importante que o colaborador consiga ampliar o seu desenvolvimento com outras fontes de estudo, já que estará aprendendo um novo idioma. Isso pode ser feito lendo materiais em outros idiomas, aplicando na prática esses conteúdos no dia a dia, compartilhando com colaboradores dentro e fora da sua área, sugerindo melhorias, ideias e novos projetos, por exemplo.

E é exatamente por isso que relatórios de progresso são tão importantes: eles mostram pra você e pra empresa como essas habilidades estão sendo desenvolvidas na prática e dão a oportunidade de criar planos de ação, caso seja necessário. Afinal, é comum esperarmos que irão aprender e pôr em prática o que foi aprendido, mas, às vezes, serão necessárias outras abordagens e apoios seus até que se torne algo fluido e autônomo pra essas pessoas conseguirem aplicar o idioma no dia a dia.

LUMOS PERGUNTA: o contato com o mundo corporativo muitas vezes intimida, qual conselho você daria para uma professora que quisesse oferecer seus serviços para uma empresa?

LUCIANA RESPONDE: O não você já tem. Pesquisas mostram que as mulheres se aplicam pra vagas quando atendem 100% dos requisitos, e homens muuuuito menos que isso! O mesmo vale pra abordagem de possíveis clientes, e, por mais que a gente estude, nunca vamos saber tudo de todas as áreas, mas sempre podemos aprender. Então é hora de guardar um pouco a sua síndrome da impostora no bolso e lembrar que toda expert já foi iniciante. Vamos arriscar?

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