REVISTA LUMOS
quinta edição
de professora particular à sua própria escola de idiomas
conteúdos publicados
matéria de capa
na newsletter de setembro, falando sobre a dicotomia de freud e bauman “segurança versus liberdade”, exemplifiquei uma situação absurda como o aluno que diz “eu te devo uma mensalidade, mas você também deve aulas pra mim, então ficamos no zero a zero” como uma exceção, um fora da curva – mas é difícil pensar que alguém nessa revista esteja sabendo desse aluno bastante real pela primeira vez.
em 2018, usando como mesa de escritório um “cubo de centro” enorme e deitado de lado, ganhado de um grupo do bairro no facebook e buscado com um uber muito prestativo, onde meu computador sem bateria funcionava graças à tomada logo ao lado, eu ouvi mais ou menos esse discurso de um aluno cujas aulas aconteciam de 22h às 23h duas vezes na semana: eu sei que estou atrasado pra te pagar, mas é porque eu quero parar as aulas e, como você também me deve muitas aulas de reposição, nós ficamos no zero a zero. essas aulas, curiosamente, haviam sido canceladas por ele – ou melhor, não canceladas, já que eu só descobria que elas não aconteceriam quando, 20 minutos após o início previsto, ele me mandava uma foto de outro país falando que esqueceu de avisar.
naquele dia, recém chegada a são paulo, sem um puto no bolso e morando num apartamento que male-male conseguia pagar, aquela mensalidade atrasada que não viria mais me desmoronou. antes mesmo de pensar em discutir, eu já me sentia tão desesperada que simplesmente concordei com o “melhor não arrumarmos problema por isso, porque vai que eu volto um dia” e desliguei a chamada, desolada.
foram 8 anos desde meu início como professora autônoma quando, já com a escola montada, categoria de negócio alterada, professores parceiros, a LUMOS criada – ouvimos um “profissionais como vocês trabalham por hora, não têm férias, recesso, essas coisas todas”. existem momentos que chamamos, em Inglês, de full circle, algo como “dar uma volta completa”, e esse certamente foi um.
é que nesses 8 anos, a escola ganhou uma estrutura robusta e parceiros trabalhando conosco, mudou de professora-autônoma-indo-em-casas-e-fazendo-skypes para MEI e depois pra ME, investiu em serviços imprescindíveis no cotidiano, trocou o computador sem bateria por equipamentos de qualidade, elaborou e aplicou contratos, ofereceu aulas para empresas, recebeu em outras moedas, proporcionou aulas extra, clube do livro, conversação…
e nada disso fez o momento fechar, a volta se completar.
a LUMOS vive, hoje, o meio de seu segundo ano. mas de trabalho com professores, são pelo menos quatro ou cinco. a LUMOS bate no peito de nunca ter usado o gatilho de “é por isso que você não consegue pagar a escola do seu filho” ou o “você está deixando dinheiro na mesa [quando não flexibiliza seu trabalho pra todos os lados que paguem algum dinheiro]”. a LUMOS não funciona como um “mande suas dúvidas e na hora 12 do dia 3 de cada mês, se tiver lua cheia, nós responderemos por telepatia!”.
mas antes de fazer ou não fazer essas coisas, a LUMOS era uma ideia – e uma ideia até mesmo intransigente na decisão de nunca usar medo, culpa ou desespero pra vender. uma ideia de não nos colocar em pedestais cujos mortais podem acessar apenas na hora autorizada.
“no contrato com a escola está disposto tudo que se aplica sobre férias, recesso e reposições. todas essas definições estão descritas e foram assinadas por lá”. sem levar qualquer tipo de ofensa, sem tomar como pessoal. sem concordância, sem desligar chamada com o coração na boca, sem desolação. esse foi o momento.
uma escola de idiomas é um negócio no mundo capitalista – ela tem necessidades específicas, ela precisa se desenvolver, é necessário entender melhor do próprio mercado, dos padrões de consumo, das garantias legais – mas tudo isso só se coloca em movimento a partir da professora de 20 e poucos anos que entende que nada vai mudar se ela não mudar primeiro. que seu trabalho não precisa ser o de “profissionais que trabalham por hora, não têm férias ou recessos”. que existe um mundo onde sua escola ensina os alunos que ela sempre sonhou da maneira que acredita que a educação deve ser – e que esse trabalho tão sincero a possibilita viver uma vida confortável.
como é a escola na qual você deseja trabalhar? quais as regras e regulamentos que essa escola deve ter? como é o ambiente de aprendizagem nessa escola? qual o tratamento entre alunos e equipe? como é a rotina dessa escola e de que forma ela se apresenta para o mundo? essas perguntas chegam muito antes do teto do MEI, representam um valor mais importante do que os muitos porcento de impostos pagos pelas ME e devem habitar seus pensamentos muito mais do que qualquer novo método de lançamento.
pensar como professora autônoma vai destruir sua escola - mesmo que você (ainda) trabalhe sozinha
profissional autônomo: um trabalhador que possui habilidades técnicas, manuais ou intelectuais e que decide, assim, executar sua atividade profissional por conta própria, sem vínculo empregatício, assumindo os riscos inerentes ao seu trabalho.
escola: conjunto de professores, alunos e funcionários de uma instituição de ensino. (michealis)
a professora autônoma:
➜ cobra por hora de trabalho
➜ só tira férias quando os alunos têm férias (e não recebe por elas)
➜ aceita ser paga por qualquer meio disponível
➜ considera todo dinheiro que entra como “seu salário”
➜ busca novos materiais sempre que precisa de uma aula
➜ não registra a escola como um negócio (ou a si mesma como MEI)
(entre muitos outros)
a escola de idiomas:
➜ oferece um contrato firmado por advogados para garantia das duas partes
➜ cobra pelo acesso à escola, suas aulas, bônus e recursos extra
➜ possui planejamento de férias e recesso (onde atualiza as estruturas da escola para começar novos semestres sem caos e desespero)
➜ tem controle financeiro e planilha de entradas e saídas organizada
➜ investe no caixa da escola para emergências
➜ é devidamente registrada nos órgãos competentes
➜ tem um arquivo de lições e temas do idioma ensinado
(também entre muitos outros)
assim como as definições de profissional autônoma e escola de idiomas diferem em sentido – uma sobre quem você é frente ao mercado e outra sobre o trabalho feito entre professor e aluno – tratar seu trabalho como um “freela” vai desestabilizar as bases necessárias para um trabalho sustentável e te afastar da segurança que uma escola estruturada pode proporcionar.
aqui, utilizamos “professora autônoma” como sinônimo para “professora particular” naquele tom de “você trabalha ou só dá aula?” que tem um pouquinho de desdém e outro pouquinho de “você viu que abriu vaga de concurso?”. também tratamos a “escola de idiomas” como a estrutura de um negócio que oferece mais que aulas avulsas sem plano de desenvolvimento para aluno e/ou professor.
[live de quinta] “criar método” não te diferencia no mercado - e pode te posicionar como charlatã
qualquer um pode criar um método? em teoria, sim.
mas o que tem se chamado de método no mercado do digital não é o mesmo que nós, da educação, identificamos e reconhecemos como método.
para o mercado digital: método é modo de fazer individual, anedótico, com base na própria experiência. sem comprovação de eficácia ou replicação. pouca ou nenhuma clareza sobre fundamentos e porquê funcionou para uma situação mas não funcionará para outra. muitas vezes, quando não se atinge o resultado, não se problematiza “o método”, mas se culpabiliza o sujeito que “não se esforçou o suficiente” ou “não teve a mentalidade certa”.
para a educação: método é modo de fazer embasado em fundamentos claros com comprovação de eficácia e orientações claras para replicação. em caso de não-resultado, é possível encontrar as raízes do problema e encontrar caminhos com base nas delimitações teórico-práticas do próprio método.
quer ser percebida como autoridade? quer ter diferencial? se preocupe mais em estudar e desenvolver um trabalho de qualidade e menos com hack de guru que promete dinheiro rápido.
este foi o assunto da live de quinta. assista e participa da converse deixando seu comentário.
não existem atalhos - nem para seu aluno, nem para você

qual é a diferença entre o guru que te promete criar um infoproduto em horas e o professor que vende fluência em meses? desconhecemos.
números chamam atenção:
crie seu produto high ticket em 3 horas.
crie a sua mentoria em 50 minutos.
o cérebro, entupido de promessas que transbordam do celular a cada vez que transitamos pelo instagram, conecta os pontos: a mentoria custa caro. se produzida em pouco tempo, significa ganhar dinheiro rápido.
você já recebeu alunos que se sentem culpados por não terem ficado fluentes no prazo milagroso prometido. nós, por outro lado, também recebemos alunas assim: são professoras que se sentem incompetentes. que sentem que lhes falta apenas esforço. que acreditam que o próximo método é seu trampolim para o sucesso – basta encontrar aquele profissional que compartilhará seus segredos (pela bagatela de R$2.997 – que não é nada se comparado aos milhões prometidos).
nós somos as PRIMEIRAS a dizer para os nossos alunos que estas promessas imediatistas são falsas. que não há segredos para a aprendizagem – o que funciona está estabelecido cientificamente e pode ser acessado por qualquer um. que aprender é um processo – muitas vezes desconfortável, mas também fonte de muito prazer. porém…
será que também não somos as primeiras a acreditar no novo guru que parece ter descoberto o que ninguém te contou até agora? que trata a experiência individual como conhecimento e o conhecimento como segredo?

qual é a diferença entre o guru que te promete criar um infoproduto em horas e o professor que vende fluência em meses? desconhecemos.
números chamam atenção:
crie seu produto high ticket em 3 horas.
crie a sua mentoria em 50 minutos.
o cérebro, entupido de promessas que transbordam do celular a cada vez que transitamos pelo instagram, conecta os pontos: a mentoria custa caro. se produzida em pouco tempo, significa ganhar dinheiro rápido.
você já recebeu alunos que se sentem culpados por não terem ficado fluentes no prazo milagroso prometido. nós, por outro lado, também recebemos alunas assim: são professoras que se sentem incompetentes. que sentem que lhes falta apenas esforço. que acreditam que o próximo método é seu trampolim para o sucesso – basta encontrar aquele profissional que compartilhará seus segredos (pela bagatela de R$2.997 – que não é nada se comparado aos milhões prometidos).
nós somos as PRIMEIRAS a dizer para os nossos alunos que estas promessas imediatistas são falsas. que não há segredos para a aprendizagem – o que funciona está estabelecido cientificamente e pode ser acessado por qualquer um. que aprender é um processo – muitas vezes desconfortável, mas também fonte de muito prazer. porém…
será que também não somos as primeiras a acreditar no novo guru que parece ter descoberto o que ninguém te contou até agora? que trata a experiência individual como conhecimento e o conhecimento como segredo?
nosso manifesto sobre inteligência artificial
pesquisas recentes [1][2] afirmam: a ligação entre consumo de ultraprocessados e complicações ósseas não pode mais ser ignorada, principalmente no que diz respeito à formação e preservação da estrutura e funcionalidade mandibular. um dos motivos? alimentos ultraprocessados tendem a ser moles demais.
profissionais da saúde há tempos afirmam o que a ciência [3] parece apoiar: a falta de estímulo mecânico, como o exercício, acelera a perda de densidade óssea em idosos – e por isso, muletas ou outros dispositivos de apoio à mobilidade não devem ser uma opção a longo prazo.
em um terceiro momento, saindo do campo científico, fica o questionamento: quantos números de telefone você tem decorados na memória?
o fato é que habilidades não praticadas, assim como músculos pouco utilizados, se atrofiam e desaparecem – o que não é particularmente um problema no caso dos telefones, exceto caso você precise se comunicar com alguém a partir de um telefone que não seja o seu, na eventualidade de uma bateria acabada, por exemplo – mas se parece ruim parar alguém na rua pedindo pra usar sua conta do Instagram para mandar uma mensagem, já que o número não habita lugar algum da sua memória, os riscos do uso desenfreado da Inteligência Artificial [4][5][6] são exponencialmente maiores.
quando éramos mais jovens, pesquisar no Google costumava ser um talento: a descoberta das palavras-chave certas levava tempo, tentativa, erro e muitas vezes nos fazia repensar completamente a estrutura da pergunta que no fundo nos levava ao navegador. atualmente, não é difícil encontrar, principalmente entre geração Z e Alpha, quem só pesquise através de ferramentas de Inteligência Artificial, sem qualquer articulação além de uma pergunta direta, refinada de novo e de novo até a compreensão da IA de um conceito que não foi, de fato, elaborado.
o que cada um desses exemplos tem em comum? a mudança do comportamento humano frente à apresentação de novas tecnologias (que, lembremos, não necessariamente significam avanço ou melhoria) e consequente abandono de alternativas ‘arcaicas’ ou ‘obsoletas’ – e objetivamente mais fáceis.
nós, pessoas da LUMOS, usamos AI. em criação de lições ou listas de exercícios pedidas pelos alunos com uma gama de frases genéricas para prática isolada de gramática, por exemplo, ou no cálculo de tarifas caso aquela compra internacional de fato aconteça – mas no que diz respeito à nossa comunicação, ensino ou identidade, preferimos o trabalho, o esforço e o tempo que leva para fazer à mão, como humanos.
esse não é um virtue signaling, ou um ‘marcador de virtude’, mas uma opção. questões como a acelerada obsolescência profissional, o roubo de propriedade intelectual, o uso massivo de água ou a destruição de cidades onde databases são instaladas corroboram com nossa escolha, mas em um mundo tão complexo, tomar essa decisão não nos coloca moralmente acima de ninguém – e esse é um ponto que queremos reforçar de forma nominal.
escolhemos, muitas vezes, deixar um conteúdo de lado por falta de tempo, saúde, disponibilidade e disposição. se usássemos IA poderíamos entregá-lo mesmo assim? sim, mas não queremos. vindas das nossas bases de pedagogia e comunicação, nos parece de certa forma incompatível buscar conexão entre professores inserindo um ‘espião’ que só dá respostas certas (em teoria…) ao invés de engajarmos nosso cérebro e energia.
somos profissionais, professoras, alunas e muito mais do conceito ocidental e patriarcal de intelectualidade, mas somos seres humanos que partem, em suas conclusões, de sentimentos, impressões, afinidades. na LUMOS nós empatizamos, sorrimos e choramos, quebramos a cabeça, brincamos e debatemos juntas, com o tempo que demora pra fazer tudo isso, a imperfeição da qual nenhum ser orgânico escapa, os tropeços que somente caminhar por um processo é capaz de oferecer.
adiantar processos mecânicos, frases cuja ideia é secundária e a estrutura é o foco, cálculos complexos cujo resultado não computa sutilezas e particularidades é muito válido – assim como a IA, como uma ferramenta, é válida. porém, até que ponto essa conveniência nos atende e a partir de que estágio ela nos diminui, simplifica, descapacita, desubjetiva? até que ponto (ou para quais tipos de atividades) compensa trocar o tempo que se economiza pela capacidade de criação? vale mesmo a pena acelerar ainda mais nosso modelo de vida, usando uma Inteligência Artificial na resposta de e-mails pessoais ou pra conferir quem estava “certo” numa discussão?
o que tanto queremos terminar, para onde tanto corremos, se a linha de chegada da vida é a morte?
não queremos adiantar nossas conexões, nossas falas, nosso grito de “eu vejo você”. não queremos ouvir nossa voz, literal ou metaforicamente, como um som robótico ou genérico, quase humano mas não exatamente – mesmo que isso nos tome tempo, nos “tire dinheiro”, nos deixe tão frustradas que exija uma pausa pro café.
que bom é pausar pro café e, saindo da mesa do computador, poder olhar pela janela. que particular é perder o sono por uma ideia. que terno é estar vivo para respirar profundamente enquanto elabora uma resposta. que privilégio conviver e trabalhar (ou não, mesmo) com nossas falhas.
na LUMOS, não somos contra a IA – só mesmo grandes fãs da nossa própria humanidade.
esse manifesto foi escrito, evidentemente, 100% por uma humana.
o que você-criança diria se soubesse que você-adulta virou professora?
essa foi a pergunta que fizemos às professoras da comunidade. e foi assim que elas responderam!










[live de quinta] porque não ter uma escola marca branca
produtos e serviços marca branca são aqueles que, intencionalmente, não possuem personalidade própria. são vendidos para outras empresas, justamente, para que elas possam se apropriar do produto ou serviço atribuindo a eles sua marca própria – esta sim, elaborada para evocar sentimentos específicos nos consumidores.
a escola marca branca é a escola sem personalidade, onde tudo cabe – desde que não incomode. é a escola que não provoca engajamento ou afinidade – serve para ninguém e qualquer um ao mesmo tempo.
o professor? é aquele que fala.
o aluno? aquele que escuta.
a metodologia? tradicional.
o material didático? engessado.
tudo dentro do esperado – para quem não está interessado em pertencer.
a escola marca branca é uma em um milhão, onde a única diferenciação, no olhar de um possível aluno, é o preço – sem distinção de práticas pedagógicas ou qualquer tipo de percepção de valor.
sem evocar sentimentos, a escola marca branca não cria comunidade, prejudica a aprendizagem e apresenta baixas taxas de retenção.
sua escola precisa de uma marca. e seu aluno também.
este foi o assunto da live de quinta. assista e participe da conversa deixando seu comentário.
você não empreendeu pra engolir os mesmos sapos da escola de idiomas - demita aquele aluno
na escola de idiomas, estabilidade é, muitas vezes, uma ideia: “enquanto me derem turmas, eu terei estabilidade”. “abrem sempre novas turmas, portanto terei estabilidade”. “tenho uma ótima relação com a coordenação, portanto, tenho estabilidade”.
essa crença, apoiada na quina da porta como um balde cheio de água em uma armadilha de série infantil, serve o propósito de nos tranquilizar, acomodar, manter naquele espaço, aliviadas por não precisar fazer captação sozinhas.
em nome dessa estabilidade, muitas vezes nos sujeitamos a horários impossíveis, turmas desniveladas (para não “perder o aluno”) e aprovações automáticas que levam estudantes A2 a turmas B2 sem qualquer constrangimento.
mas além de custar muito caro nas nossas consciências e aspirações profissionais, essa estabilidade é uma mentira.
ela é uma mentira a partir do momento que, ficando doente, você já não recebe ou tem qualquer tipo de garantia, tendo suas turmas repassadas. é uma mentira quando suas férias significam não receber. é uma mentira quando, em uma troca de coordenação, você vai vendo suas turmas minguarem e minguarem e, junto a elas, o que você recebe como “instrutor” muitas vezes sem carteira assinada.
e junto a tudo isso, aquele aluno. muitas vezes é só um caso de “santos que não se batem”. outras, de desrespeito dentro da sala de aula. de qualquer forma, por um semestre ou mais, você é obrigada a conviver com esse aluno e torcer pra que essa dinâmica desgastada não perdure.
mas por que recorrer à torcida na sua própria escola?
demitir um aluno é difícil – é preciso se centrar, respirar fundo, estar determinada. é preciso lembrar-se que nada é pessoal, tampouco o comportamento dele em relação a você, mas que isso não torna mais aceitável que você se sinta desconfortável no trabalho que se aprimora constantemente para fazer.
pense na sua escola atualmente. existe algum aluno ou aluna que te deixe ansiosa, nervosa, desanimada antes mesmo de entrar na sala? alguém que, quando você vê o nome no WhatsApp, já sente um arrepio na espinha com receio de ser um pepino pra resolver ou regulamento para justificar?
se sim, lembre-se: você não empreendeu pra engolir os mesmos sapos da escola de idiomas e, mesmo que sejam precisos tempo e preparação para substituí-lo ou estruturar-se a ponto de simplesmente deixá-lo ir, esse é seu direito como de qualquer prestador de serviços que pode escolher não atender alguém.
recentemente vi uma frase na internet que teria me ajudado muito quando mais nova: a história do “amor da sua vida” provavelmente não começa contigo perguntando ao tarot se essa pessoa está te levando a sério (ou qualquer outra medida mirabolante que substituísse uma conversa franca). da mesma forma, a história da escola que você sonha em construir e viver dificilmente conta com frequentemente engolir sapos de alunos desalinhados ao seu propósito.
demore, planeje, construa – mas demita aquele aluno.
perdendo alunos em 2025? você não está sozinha.
os tempos mudaram e você percebeu.
2020 foi, para o marketing digital e o marketing digital de educação, um ano dourado. com o “fica em casa”, o distanciamento social e as impossibilidade de aprimoramento, estudo ou dedicação a qualquer atividade externa, não demorou para que os brasileiros se voltassem para o lugar de onde nunca saíram: a internet*.
com o escracho da efemeridade da vida patrocinado por um governo responsável por 700 mil mortes, os sonhos e prazeres engavetados se tornaram urgentes:
“vamos marcar uma festa pelo zoom!”
“fulana tá vendendo ingresso pro show online”
“você viu a live de não-sei-quem?”
e claro, “eu preciso falar Inglês”.
não sabíamos se viveríamos ou morreríamos, como muitas vítimas da doença ou do atraso da vacina, e se agarrar a um objetivo parecia mais razoável que perder as esperanças.
“aprenda a fazer sabonetes ornamentais com aulas gravadas”
“dance como uma odalisca em 12 dias pela minha plataforma online”
“aprenda Inglês em 6 meses com meu infoproduto de estudo em casa”
mas os tempos mudaram. e você percebeu.
o mundo continuou girando e as pessoas continuaram precisando e querendo aprender, porém sem aquela urgência e impossibilidade geográfica, sair para um curso renomado e presencial voltou a ser uma alternativa. e assim passamos uns bons anos.
até 2025.
não que esse seja de qualquer forma um ano cabalístico, mas o avanço das tecnologias de inteligência artificial, mudanças do mercado financeiro, avanço da extrema-direita e outros fatores mais ou menos conectados pesaram e nós sentimos uma evasão incompatível com os anos de “faça qualquer coisa, venda muito”.
talvez você tenha iniciado na carreira ou ao menos na internet durante essas “vacas magras” e esteja assustada com o cenário atual – no grupo da LUMOS, uma parte significativa das professoras perderam alunos por questões alheias ao próprio trabalho, como promoções dos alunos e cargas horárias cada vez mais insustentáveis ou mudanças de país e consequentemente de língua-alvo. talvez você já tivesse criado seu negócio antes mesmo do mundo “se tornar” online. de qualquer forma, ninguém está confortável e sabemos todos disso, mas, então, o que fazer?
pode parecer tarefa pra investidores da bolsa, mas observar a ciclicidade do mercado em que trabalhamos é, na verdade, um bônus de um acompanhamento próximo e consciente da escola que construímos. um que, ao longo do tempo, começamos a aproveitar mais e mais, sendo conscientes com as finanças da nossa escola e entendendo momentos de trabalhar mais pesado, momentos de pisar no freio, momentos de investir – afinal, um erro comum e potencialmente perigoso é tentar cortar gastos essenciais ou conectados à mudança do cenário, como arriscar uma multa da Receita Federal em busca de economizar com a contadora.
analise friamente o ponto onde sua escola se encontra
➜ ela se paga?
➜ qual seu lucro atual?
➜ quais seus maiores gargalos nessa perda de alunos?
➜ quantos alunos mais você pode perder sem que haja um grande prejuízo pra escola?
➜ quais medidas podem te ajudar a levantar um caixa rápido, se necessário, e quais medidas podem ajudar na captação (e principalmente!) retenção daqui pra frente?
➜ qual ou quais investimentos podem trazer os benefícios que sua escola precisa agora ou ajudar a resolver os problemas atuais?
sabemos que essas perguntas não são confortáveis, mas são, ainda assim, necessárias. e claro, você não precisa respondê-las sozinha – entre em contato com sua buddy LUMOS, uma colega da comunidade ou conosco através de mensagem direta.
*dados de 2024 mostram que 89% dos brasileiros têm acesso à internet .
a escola de idiomas tradicional não é um parâmetro, pare de considerá-la como tal
se você nunca trabalho em uma escola de idiomas, pergunte a qualquer colega professora que já tenha tido a experiência e engrosse nosso coro: por tudo que é mais sagrado, não!
com uma população de menos de 5% de falantes de Inglês, o Brasil não é nem de perto um modelo de fluência no idioma, mas curiosamente o modelo de franquia de escolas continua, ano sim e ano também, sendo um dos mais lucrativos no país, junto a outras modalidades de educação bilíngue [1].
materiais defasados, professores pouco remunerados ou capacitados e um esquema de “pagou, passou” sugerem de onde vem tanto lucro: a entrega é a menor possível e o retorno, o maior possível. não a toa é esse um modelo tão bem sucedido no quesito ganhar dinheiro.
então por que se cobra usar livros didáticos de editora X ou Y?
por que estrutura sua escola de modo a receber unicamente pelas aulas ministradas quando existe um sistema inteiro do qual seu aluno se beneficia – criado e operado por você?
por que insiste em aplicar provas, revisões avaliativas e outras ferramentas simplistas que muitas vezes nem acredita em nome de seguir um protocolo que você nunca acreditou?
a escola de idiomas tradicional não é um parâmetro. que bom.
não há um parâmetro tão megalomaníaco pro que você pretende construir. que bom.
cabe a você criar o modelo que te satisfaz como educadora realmente entusiasta da educação – e você não precisa fazer isso sozinha. que bom.
seja parte da LUMOS e crie a escola dos seus sonhos com mais professoras que não aceitam nada menos que criar a educação que acreditam. saiba mais & inscreva-se na lista de espera aqui.
[live de quinta] deixe o dinheiro na mesa
mas… como repensar suas escolhas de maneira a não se guiar pelo mercado de marketing de educação mas sim de educação de verdade?
essa não é, infelizmente, uma resposta padrão pra todos os professores (mas talvez você já esperasse isso da gente 😉), mas essas daqui podem ser boas ferramentas pra te nortear:
- as decisões da sua escola são mais voltadas a atender qual área ou áreas – administrativa, vendas, marketing, pedagógico…?
- nas últimas decisões que você tomou na sua escola, seu aluno e o aproveitamento dele foi considerado? como?
- quanto tempo semanalmente você leva em cada área? – você se surpreenderia com a quantidade de profes que passa mais tempo lidando com posts do instagram do que com o pedagógico sem nem perceber
- se você fosse sua aluna, os modelos e estruturas que você oferece te atenderiam/agradariam?
este foi o assunto da live de quinta. assista e participe da conversa deixando seu comentário.
você tem uma escola ou um perfil no instagram?

o que as imagens tem em comum?
todas apresentam mulheres de unhas longas e bem feitas, trabalhando em seus notebooks em alguma cafeteria. a bebida energética quente costuma estar acompanhada de um batom de grife – elementos dispostos de maneira intencional para provocar sentimentos na audiência.
como se esta fosse a imagem da mulher bem sucedida. bem diferente de você, que muitas vezes trabalha muito, não usa maquiagem e provavelmente está lendo esta matéria deitada no sofá de casa, com roupas confortáveis e cutículas por fazer.
estas imagens são criadas com um objetivo: promover o empreendedorismo para mulheres como caminho para a riqueza – enquanto, é claro, reforçam o discurso meritocrático e individualista.
as mulheres de blazer trabalham (estão sempre com o notebook por perto), mas têm tempo & dinheiro para estar sempre bem arrumadas exibindo seus símbolos de ascensão social.
e nós?
muitas vezes trabalhando do sofá com um coque alto ou rabo-de-cavalo torto em nome da praticidade, abrimos o instagram como quem rói as unhas para sermos atropeladas por estas imagens que evocam sentimentos de fracasso: eu quero ser levada a sério. eu quero ter tempo. eu quero ser alguém que está sempre camera-ready. eu já tenho o trabalho – como faço para buscar todo o resto?
mas, tem um detalhe que você talvez não tenha percebido…
esta roupagem de profissionalismo e autoridade funciona para públicos específicos em espaços específicos. é por isso, inclusive, que as imagens-das-mulheres-trabalhando-em-paris não são vistas em sites de empresas, mas em perfis do instagram que funcionam como marcas pessoais, onde o a empreendedora e o produto se confundem. mas essa não é a sua escola.
a escola que você está construindo não é um perfil no instagram. ela tem um perfil no instagram. sua vida não é o produto – e isso é ótimo! significa que você pode empreender sem expor sua rotina mais do que gostaria. você é a professora, é a empreendedora, mas não precisa ser a corporificação de toda comunicação da sua empresa.
a profissionalização do seu trabalho – da sua escola & da sua comunicação – não precisa de um blazer. precisa, sim, de conhecimento para transmitir seus valores. de conhecimento para se conectar intencionalmente com quem busca o que você tem a oferecer. com segurança e a confiança de quem diz: eu sei o que eu estou fazendo.
topa dizer adeus ao sentimento de culpa por não performar como gurus do digital?
[sala das professoras] letícia britto
letícia britto, @leticia.from.elevate
professora de inglês, empreendedora, leitora voraz, gateira de carteirinha, participante da LUMOS e uma profissional que trabalha com o que ama & acredita
a entrevista a seguir faz parte do quadro “sala das professoras”, onde conversamos com outras professoras sobre a realidade docente.
LUMOS PERGUNTA: Olá, Letícia! Bem vinda à revista LUMOS! Essa é sua primeira vez aqui mas não na comunidade, afinal, comanda nosso incrível Grupo de Estudos Pedagógicos quinzenalmente. Antes de qualquer coisa, se apresente brevemente pra quem não te conheceu no GEP ainda, primeiro como “pessoa jurídica”:
LETÍCIA RESPONDE: Olá! Muito obrigada por me receberem nesse espaço ✨. É muito gratificante e enriquecedor fazer parte de uma comunidade como a Lumos e ainda ter a oportunidade de estar à frente do Grupo de Estudos Pedagógicos. Sou professora e coordenadora pedagógica da Elevate English, escola de inglês fundada por mim. Ao longo dos anos, dei continuidade aos meus estudos em Pedagogia, ampliei minha experiência e novas oportunidades surgiram. Atualmente, também atuo como curriculum designer em outra escola de idiomas e presto consultoria educacional para professores e escolas.
LUMOS PERGUNTA: … e depois como “pessoa física”:
LETÍCIA RESPONDE: Acredito que ninguém se surpreenderá ao saber que sou apaixonadíssima pela educação e adoro estudar sobre o tema. Mas também tenho outras paixões tão intensas quanto essa. Sou gateira de carteirinha e amo animais em geral, provavelmente um resquício do tempo que passei na graduação em Ciências Biológicas. Leio sempre que posso; esse é um dos meus hobbies desde a pré-adolescência e minha válvula de escape da realidade. Sou viciada em chocolate, dorminhoca profissional, reservada que adora ouvir da vida alheia, fã de filmes de comédia romântica dos anos 2000 e também de filmes de terror (os opostos se atraem? 😂). Resumindo: uma miscelânea em forma de ser humano.
LUMOS PERGUNTA: Nossa memória da sua escola já datam de um bom tempo, você poderia contar pras profes um pouco da história do seu trabalho? Você já começou como uma escola ou se posicionava como professora de idiomas autônoma? Como sua experiência dentro da LUMOS e irmãos-mais-velhos-descontinuados influenciou no desenvolvimento do seu trabalho?
LETÍCIA RESPONDE: Antes da pandemia, eu trabalhava em uma escola infantil bilíngue e acreditava que seguiria por esse caminho. Em 2020, o mundo parou, mas minha vontade de lecionar permaneceu firme. Foi então que comecei a dar aulas de inglês como um projeto pessoal. Sempre tive o desejo de contribuir à sociedade de alguma forma, e dessa vontade nasceu a ideia de oferecer aulas voluntárias para crianças da rede pública e pessoas com deficiência visual. A partir daí, tudo aconteceu muito rápido. Ainda em 2020, eu já tinha meus primeiros alunos pagantes. Fazer parte da Lumos foi um divisor de águas na minha trajetória. O Farol e o contato com outras professoras da comunidade me ajudaram a consolidar meu posicionamento como professora autônoma e empreendedora. Antes disso, eu tinha poucas referências no ensino online e não me sentia suficientemente qualificada. Hoje sei que apenas não tinha encontrado a comunidade certa.
LUMOS PERGUNTA: Não podemos negar que esse convite é um pouco interesseiro, afinal somos fãs de você e da gestão da sua escola, que é muito bem amarrada e sistematizada. Conte, por favor, sobre como é esse sistema, como foi o processo de estruturar essa gestão, os percalços que você passou no processo, sua motivação e quais recursos você usou para elaborar seu processo atual.
LETÍCIA RESPONDE: Ao olhar para trás, percebo que minha forma de gerir evoluiu junto com o desenvolvimento do sistema da escola. Hoje consigo identificar cada obstáculo da gestão que foi superado graças a um sistema consistente, fácil de navegar e, consequentemente, eficiente. Alcançar esse patamar de competência não foi fácil. Ao longo do processo, lidei com a saída e a contratação de novos profissionais, com a angústia de perceber o impacto negativo do microgerenciamento na equipe, com a perda de dados essenciais em um sistema antigo e com aquela voz interna que tentava me convencer de que eu não seria capaz. Passei por um turbilhão nos últimos três anos, mas o que me manteve firme foi a convicção de que tinha a oportunidade de fazer diferente: impactar positivamente meus alunos, gerenciar a equipe de forma humanizada e, principalmente, construir a educação na qual acredito.
LUMOS PERGUNTA: Você também arrasa no pedagógico, claro, e consequentemente em uma ferramenta tão importante e infelizmente negligenciada desse processo, que é o feedback. Quais você considera os diferenciais pedagógicos da sua escola atualmente e como é o processo de feedback?
LETÍCIA RESPONDE: A Elevate se posiciona no mercado como uma escola de idiomas fora dos moldes tradicionais, o que já representa um diferencial diante da popularidade das franquias, que geralmente seguem métodos tradicionais. No entanto, considero nossos maiores diferenciais o espaço virtual de aprendizagem no Notion e o sistema de feedback. Esse sistema evoluiu ao longo de algumas versões até alcançar o formato atual, cujo principal elemento é o caráter formativo. Ele permite que tanto alunos quanto professores acompanhem a evolução do processo de ensino-aprendizagem de forma contínua, e não apenas em momentos pontuais. Com isso, o planejamento pedagógico reflete fielmente as necessidades do estudante, o desempenho e a motivação melhoram graças a uma aprendizagem mais personalizada, e os resultados tornam-se tangíveis.
LUMOS PERGUNTA: Muitos motivos para sermos fãs ✧˖° Lê, para terminar essa entrevista (com um gostinho de “quero ir pro Grupo de Estudos Pedagógicos com ela!), o que você diria, ainda dentro desse tema, para a Letícia que começou a empreender sem todo o conhecimento que você tem hoje? E o que diria para uma professora que, em 2025, está na mesma situação em que você esteve?
LETÍCIA RESPONDE: A primeira coisa que eu diria é: para se tornar excepcional no que faz, é preciso passar por todas as etapas. Não tenha pressa, não tente colocar o carro na frente dos bois e aprenda com cada fase da sua carreira. Cerque-se de profissionais que você admira e que podem te auxiliar ao longo da jornada. Por mais que a internet tente vender a narrativa do “saí do nada e venci sozinha”, precisamos da ajuda de outras pessoas para crescer. Não caia nesse mito! Há espaço para todas, e podemos nos unir para transformar um mercado que carece de verdadeiros educadores.
qual conselho ou ensinamento mais te impulsionou na profissionalização do seu trabalho?




[live de quinta] aula sobre pokémon não é personalização
aula sobre temas de interesse para os alunos é sinônimo de personalização?
esta até é uma estratégia que funciona – mas não pelos motivos que você provavelmente acredita! e, definitivamente, não é suficiente para dizer: eu trabalho com ensino personalizado.
existem muitas outras maneiras de personalizar a aprendizagem e promover resultados concretos que condizem com a realidade do seu aluno. e não apenas em aulas individuais, viu? 👀 nesta live de quinta, convidamos a talu – responsável pela supervisão pedagógica na comunidade – para avaliar diferentes estratégias para personalização do ensino.
outras edições
© 2026 LUMOS CLUB EDUCAÇÃO LTDA. Todos os direitos reservados.
