agosto/2025

REVISTA LUMOS

quarta edição

ensino de qualidade ou qualidade de vida? não, você não precisa escolher

matéria de capa

coloque um trabalho reprodutivo, com impacto em todas as camadas da sociedade sem exceção. adicione a ideia de que ele é, na verdade, uma vocação, um dom, uma inspiração divina. negue a importância do reconhecimento (e remuneração) de trabalhos reprodutivos justamente por sua origem quase sacra e você tem a educação.

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há cinco anos, eu, larine, me vi repondo aulas por quatro meses depois de diversos ocorridos (alô, 2020?) e inúmeras remarcações, inclusive remarcações de remarcações em uma bola de neve que me impedia de acomodar novos alunos ao mesmo tempo que descia montanha abaixo, se piorando a cada nova aula perdida.

sem regras de remarcação, essa foi uma das vezes em que o trabalho me engoliu. outra, um aluno que, em teoria, estudava duas vezes na semana, às 22h, mas na prática se “esquecia” constantemente das aulas. em uma delas, gravei na memória quando a cidade era pra mim tão longe quanto a lua, “esqueceu de avisar” que estava em Milão. com tantas reposições a fazer, seu cancelamento do curso, no dia do pagamento da próxima mensalidade, foi cercado de “eu te devo, mas você me deve também!” e “é melhor deixar assim, sem dor de cabeça, pra eu voltar um dia”. sem regras de remarcação ou cancelamento, essa foi mais uma vez em que o trabalho me engoliu.

nos últimos oito anos como professora autônoma atendendo cada vez mais online, casos assim me fizeram questionar por diversas vezes como seria o futuro. “e se eu ficar doente?”, “será que nunca vou ter férias?”, “quando poderei curtir um feriado?”, e por medo das respostas, tanto das perguntas quanto dos meus alunos no caso de aventar qualquer direito ou benefício, por muitos anos trabalhei de janeiro a janeiro, fiz reposição de aulas a perder de vista, dei os 20 minutos de aula restantes de um atraso grotesco.

foram inúmeros os métodos, técnicas e hacks que eu testei ao longo dos anos e, eleitas as minhas próprias práticas, foram também muitos momentos de estresse, insegurança e medo: e se tudo desmoronar agora, que eu vou tirar férias? agora, que eu vou ter feriados? agora, que não esperarei além de 15 minutos? agora, que aumento a mensalidade?

e todos esses questionamentos, alguns de 8 anos e outros de 11 dias, se responderam muito melhor do que eu esperava – com apoio e aceitação dos alunos que se encaixam perfeitamente no perfil da minha escola ou batida em retirada daqueles que me faziam tremer antes de entrar na sala.

falar de limites no nosso trabalho não é só demonstrar profissionalismo e apreço real pelo ofício, mas reforça nossas crenças aqui na LUMOS: viver não é só trabalhar. você não precisa merecer seu descanso. uma boa professora não é a que se sacrifica. a pressão do medo do fracasso através de regras simples e justas não passa de uma arma contra reivindicações que deveríamos, sim, estar fazendo – como professoras, trabalhadoras e seres humanos.

eu amo meu trabalho. tanto que não quero odiá-lo.

não quero odiá-lo por atropelar minha existência enquanto ser humano pra que ele se intensifique – não ‘melhore’, porque o resultado de aulas emendadas, falta de tempo pro xixi, garrafa de água vazia, zero vida social e desgaste diário sem um pingo de pausa não poderia ser esse. não quero odiá-lo pela ideia do que ele faz comigo quando, na verdade, sou eu quem faço.

é muito difícil impor limites em um mundo, e um cenário, como o nosso, onde estabilidade de emprego e financeira são tão escassos. é necessário, muitas vezes, passar, sim, por cima desses limites pra garantir o aluguel, a escola das crianças, a comida na mesa. mas que não seja comum. que não seja aceitável. que não seja aspiração. que façamos, claro, o que tem que ser feito, mas sempre com o coração no objetivo:

não odiar o trabalho por nos sufocar. não se odiar tentando amar o sufoco.

melhorar a experiência de aprendizagem para o seu aluno ou facilitar a sua rotina? por que não os dois?

é possível aprimorar nosso pedagógico abrindo mão da nossa qualidade de vida. e o contrário também é possível: prejudicar a experiência dos alunos como contrapartida de uma rotina mais tranquila. mas essas não são as únicas alternativas. por que então não encontramos empregos onde seja possível praticar uma educação de qualidade enquanto vivemos uma rotina sustentável? este assunto é complexo, e poderia tranquilamente ser o tema de uma pesquisa de doutorado. alguns fatores explicam o fenômeno. para ilustrar: mercantilização da educação, feminilização da docência e meritocracia são alguns deles. para fins desse texto, vamos focar no comportamento de escolas particulares tradicionais (de idiomas ou não) e na resposta do dito mercado digital cujo foco é a venda de cursos online. escolas particulares tradicionais visam o lucro. nós, empreendedoras, também. afinal: podemos ser críticas ao capitalismo, mas ainda vivemos nesse sistema. o que nos difere dos empresários donos das escolas, dentre outras coisas, é o que estamos dispostas a fazer para obter lucro. muitas vezes, inclusive, optando por “deixar dinheiro na mesa” para não abrir mão dos nossos valores – da educação que acreditamos, na ponta do aluno (experiência de aprendizagem) ou dos professores (cotidiano de trabalho). na prática: escolas particulares tradicionais estão satisfeitas e confortáveis com a exploração de trabalhadores e a precarização da aprendizagem se isso significar aumento dos lucros. nós não. e, aqui, deixo claro: quando digo nós, não me refiro ao mercado digital como um todo. os vendedores de curso seguem a mesma lógica dos empresários de escolas particulares tradicionais: vale tudo por dinheiro. qual é a preocupação de um vendedor de curso com a aprendizagem quando ele grava um curso, cria um grupo no whatsapp e vende o acesso por milhares de reais? qual é a preocupação de um vendedor de curso com a categoria quando ele treina uma inteligência artificial para que você crie a sua própria mentoria em poucos minutos e possa vender por milhares de reais? qual é a preocupação de um vendedor de curso com a sua rotina quando ele te convence a criar e vender um infoproduto? para essa, eles oferecem uma resposta: deixe de vender sua hora. o que não dizem é: pare de trabalhar com educação, entre para o negócio de vendas. pare de dar aulas, sua atividade de trabalho será uma vez gravá-las e para sempre vendê-las.
qualidade de vida e qualidade de ensino parecem inconciliáveis porque o mercado, tal qual o conhecemos, trabalha no limite: oferece a qualidade de vida mínima compatível com a legalidade, e a qualidade de ensino possível neste cenário mercantil. é uma balança equilibrada para manutenção do lucro ideal – para eles, o maior possível.

dado o contexto, qualquer inovação surge para aumentar lucros – uma vez que este é o interesse principal. independente de quanto lucro já se tem, a lógica é: quanto mais, melhor. custe o que (ou quem) custar.

nós escolhemos caminhar na contramão. nos colocamos a pergunta: se trato meus valores como inegociáveis, como posso ter um trabalho sustentável (o que inclui rotina & lucro) enquanto garanto uma experiência de aprendizagem de qualidade para meus alunos? é a partir daí que começa nossa conversa.

para alcançar nossos objetivos, nossa única alternativa é inovar: em modelos de negócios, na escolha das abordagens e metodologias, na estruturação de processos e ferramentas etc.

isso não significa abraçar o mundo. ao escolher este caminho, também precisamos determinar do que abrimos mão. mas, no nosso caso, temos muita clareza: não abriremos mão da qualidade de vida das professoras, nem da qualidade de aprendizagem que promovemos aos nossos alunos. se isso significa “deixar dinheiro na mesa”, ouvir que “não temos visão de negócio” e não alcançar lucros estratosféricos: tudo bem.

não decidimos empreender para repetir comportamentos nocivos.

não admiramos bilionários.

que fique registrado: é possível ter qualidade de vida no trabalho e promover um ensino de qualidade. mas precisamos construir essa realidade – uma que não tivemos a oportunidade de conhecer antes e que não será criada por aqueles que estão dispostos a passar por cima de valores para alcançar valore$.

nota: acho necessário pontuar que não promovemos vidas miseráveis para professoras. este disclaimer é sempre importante, dado que o discurso do sacrifício docente-feminino é corrente em nossa sociedade. sem dinheiro, não é possível ter qualidade de vida. essa afirmação também não significa ser apologética do capitalismo – do contrário, reconhecemos que vivemos nesse sistema e, muitas vezes, precisamos jogar o jogo. isso, por outro lado, não significa ampliar o jogo ou reforçar suas regras – em outras palavras: precisamos lucrar porque somos empreendedoras, mas não estamos dispostas a fazer isso a qualquer custo e desprezamos aqueles que optam por este caminho.

[live de quinta] como transformar valores em práticas

antes de qualquer coisa: quais são os seus valores?

defendemos a criação de escolas coerente com o que acreditamos. por isso, o primeiro passo é ter clareza de quais valores vão orientar nossas escolhas: do pedagógico ao comercial, para nossos alunos e nossas equipes.

a partir dos nossos valores, podemos definir as políticas e diretrizes da nossa escola. essas diretrizes são respostas a perguntas simples, em todas as áreas do negócio. para ilustrar:

a escola passa dever de casa? sim ou não? por quê?

a escola utiliza livro didático? sim ou não? por quê?

quais são as abordagens pedagógicas e metodologias utilizadas? por quê?

qual é o limite de remarcações permitidos por contrato? por quê?

atraso configura aula cancelada? por quê?

qual é o tom de voz da sua marca? por quê?

com quais temas a sua marca não dialoga? por quê?

essas definições dependem do nosso repertório e podem mudar conforme nossa experiência. por isso, inclusive, é fundamental seguir estudando: para aprender e desenvolver a escola garantindo que nossas práticas sejam, cada vez mais, alinhadas aos nossos valores.

diretrizes definidas: é hora de estruturar processos.

live valores
diferentes diretrizes = processos distintos. e os processos, por sua vez, demandam ferramentas. afinal, para seguirmos o exemplo: o dever de casa existe em algum lugar – que pode ser o livro didático, um documento no drive ou uma página no notion. diretrizes e processos impactam na decisão por ferramentas – que, por sua vez, também trazem adaptações para o processo.

em resumo:

 tudo começa nos valores

quer você tenha clareza ou não. mas, com clareza, você consegue agir de maneira intencional & autêntica – o que te garante um trabalho mais prazeroso e sustentável.

 dá trabalho

não é da noite para o dia ou em algumas madrugadas que você terá processos coerentes estruturados em ferramentas otimizadas. quanto antes você começar, melhor!

 demanda conhecimento

ou seja: por mais que um post no instagram seja bacana, não é suficiente para dar conta do recado. aprenda sobre os temas: estudando e colocando a mão. na massa.

só é possível criar a educação que a gente acredita se nós temos clareza do que acreditamos & conhecimento interdisciplinar para desenvolver escolas sustentáveis – na operação e na estratégia.

 

esse foi o tema da nossa live de quinta. clique abaixo para assistir a gravação:

suprimir o tédio leva à queda de produtividade no longo prazo, diz a ciência

“essa atividade é muito chata, vou pular”. “não preciso definir meus valores outra vez, eu já tenho lá de um PDF que comprei em 2020”. “será que o ChatGPT pode me ajudar a listar o que falta na minha escola?”

nós entendemos: algumas atividades são chatas. nosso processo na LUMOS, às vezes, também demanda mais do que o normal: uma aula pra entender, outra pra analisar, outra ou outras pra colocar a mão na massa – tudo isso por um tópico “simples” como valores ou currículo?! mas será que o problema está mesmo nessas atividades “chatas” da nossa vida comum de professoras autônomas?

um estudo do Journal of Applied Psychology aponta que o tédio, ou o desconforto de atividades consideradas chatas, pode ser prolongado se postergado. isso mesmo: quanto mais você o evita, mais ele te atrapalha, e mais ele compromete suas atividades e produtividade.

você já fez uma aula ou curso ou mentoria que tudo era muito simples, o método era muito direto, “todo mundo pode fazer” sem quebrar muito a cabeça? se sim, como é que foi isso, hein?

por aqui, tivemos essa experiência vez ou outra. nos aprofundávamos intencionalmente por não achar suficiente, mas observávamos como muitas vezes até isso não era muito encorajado. “siga o método”, sem referências nem nada, só um grande guia que tira tudo que é chato, difícil, tedioso. nosso resultado? decepção, arrependimento, desconfiança.

mas então como lidar com as tarefas chatas? fazendo porque “adulto faz o que precisa”? forçando nosso cérebro a aguentar, querendo ou não? não é o que a ciência diz.

para evitar que os efeitos do tédio “derramem” pra cima de outras atividades ou da sua rotina como um todo, você pode simplesmente intercalar essas atividades com outras que te tragam mais propósito e significado – preferencialmente dentro do mesmo tema ou objetivo. tá aí o problema em ter tudo simples demais: nada te incomoda, mas nada se aprofunda.

na LUMOS, valorizamos a mão na massa justamente pela alternância do vi-analisei-agora vou praticar. e em uns bons anos e um bom número de professores, pudemos confirmar: abraçar o tédio como um mal necessário funciona e tem o potencial de alavancar (sem promessa milagrosa) nosso trabalho.

o feijão com arroz do administrativo

se um gênio da lâmpada (ou do marketing 👀) te oferecesse o sistema perfeito pra qualquer professor, aquele que vai livrar você e todos os colegas que usassem de todos os “pequenos” problemas administrativos do dia-a-dia, como resolver cobranças, enviar feedback, emitir notas… você aceitaria? num primeiro momento, esta parece uma proposta atraente. até que, na prática, ela não funcione – simplesmente por não ser adequada à realidade da sua escola. afinal, não é um template quem define o limite de remarcações por contrato e não é com o ChatGPT que o aluno vai argumentar sobre uma falta.
há decisões que não podem ser terceirizadas, porque elas impactam diretamente na sua rotina e, apesar de serem administrativas, afetam o seu planejamento pedagógico.

por isso, antes de otimizar os processos administrativos, é necessário estruturá-los com a certeza de que atendem às suas demandas

para começar a organizar seu administrativo, defina:
 limite de remarcações por contrato
 o formato das remarcações – serão síncronas ou assíncronas? no caso de síncronas – quando acontecem? há dia fixo para reposições? há prazo para o acontecimento ou elas são adicionadas ao fim do contrato?
 antecedência mínima obrigatória que o aluno precisa comunicar sobre a necessidade de remarcação
 tolerância máxima para atraso
 cronograma de férias e feriados da escola
 formas e regras de pagamento

a partir dessas definições, você é capaz de estruturar os processos da sua escola. por exemplo:
como marcar férias e comunicar alunos
como lidar com atrasos de pagamento
como responder a pedidos de remarcação

aí sim: vamos às ferramentas. algumas ferramentas simples que vão ter um super impacto na sua rotina:
 controle de aulas por aluno por contrato – com contabilização de remarcações
 fluxo de caixa
 controle de pagamento por aluno
 banco de mensagens padronizadas
 calendário letivo geral
 manual do aluno

quantos desconfortos você dessensibiliza?

desconfortos 2

não se engane: a LUMOS existe em prol do equilíbrio. não acreditamos em morrer de trabalhar, passar por cima da própria saúde e vida pessoal, sacrificar qualquer coisa em nome de “não deixar dinheiro na mesa”. mas mesmo com toda essa percepção, às vezes precisamos perguntar a nós mesmas: eu estou dessensibilizando um desconforto maior do que deveria aqui?

claro, você vai trabalhar com cólica uma vez ou outra. mas não dá pra perder a voz porque, mesmo com dor de garganta, insistiu em dar 8 horas de aula num dia. por aqui, aprendemos na pele: uma quase internação de uma semana pra uma, outra internação completa de uma semana pra outra, vários sinais piscando na nossa frente e uma percepção: não dá pra ser boa profissional sem ser uma pessoa primeiro.

não dessensibilizar desconfortos passa também por muito planejamento e muita clareza de si e no trabalho: é preciso entender quando uma dorzinha é só uma dormida errada ou um motivo pra ir ao médico, mas também saber analisar quando é possível pedir uma remarcação ou até quando usar um dia de férias pra cuidar da própria saúde, física ou mental.

dessensibilizar desconfortos, na nossa sociedade, é mascarado pelo “trabalhe enquanto eles dormem” e uma camada de glória no sacrifício que não beneficia ninguém além de um sistema baseado em exploração – sistema do qual nós, autônomas e empreendedoras, ainda nem colhemos a maior parte dos benefícios trabalhistas, por exemplo. mas então como se des-dessensibilizar?

aprenda a ouvir seu corpo (e sua cabeça)
você não é inerentemente uma preguiçosa que vai passar mal pra não dar uma aula. se uma dor ou desconforto físico ou psicológico te impede de realizar atividades pras quais você está preparada, ou desempenhar essas atividades de maneira confortável, está aí seu sinal.

pare de fazer juízo de valor dos seus desconfortos
“ah, é só uma dor de cabeça, mas também… fiquei vendo netflix até tarde ontem”. claro, pode ser que a responsabilidade dessa dor de cabeça seja sua. isso não muda o fato dela incomodar – e se você considera cancelar uma aula, é porque o remédio já não funcionou e ela não só incomoda como incomoda muito. não fazer juízo de valor é também não justificar a um chefe que você não tem seus motivos pra não se sentir bem ou precisar do dia de folga. e se essa é uma preocupação pra você, como eu imagino que seja, você a. não desmarca todo dia sem motivo b. vai encontrar uma forma de remediar a situação pro seu aluno, mesmo que com uma reposição posterior.

respeite a si como respeitaria a uma amiga
você não diria “nossa, amiga, você é uma SEM VERGONHA PREGUIÇOSA mesmo, dando migué pra se contorcer na cama com uma cólica que não passa”, mas por que pensa isso sem receio? por que, quando finalmente cede à dor e fica na cama se contorcendo com uma cólica que não passa, sente que deveria se “punir” com isso e não assistir uma série, comer uma coisinha gostosa e se acolher só porque “tirou o dia por causa da dor e não pra se divertir”?

esse e outros temas da vida da professora empreendedora são incentivamos e abraçados na comunidade LUMOS, nos grupos de WhatsApp de hobbies, manda áudio, entre outros que saem um pouco do braço educacional, que é nosso principal, e mesmo com as entradas fechadas no momento, te convidamos a trocar com colegas sobre esse e temas análogos e, claro, entrar na nossa lista de espera. clique aqui.

o feijão com arroz do pedagógico

feche os olhos por um momento e responda: como é a escola dos seus sonhos? a resposta para essa pergunta passa, inevitavelmente, pela pedagogia que você pratica.

o marketing existe para que comunicar seus serviços de maneira coerente para seu público alvo, te ajudando a conquistar mais alunos. o administrativo existe para que você e os alunos não tenham outras preocupações se não o processo de ensino-aprendizagem.

o pedagógico é o coração dos nossos negócios. sem ele, todo o resto perde seu propósito. de que adianta um marketing que conquista muitos alunos – se estes alunos não aprendem, se decepcionam e saem logo que se encerra um contrato? queremos mesmo um administrativo redondo apenas para auxiliar um vai-e-vem de alunos?

a escola dos nossos sonhos gira em torno de uma pedagogia coerente com nossos valores. com atenção aos detalhes e cuidado nas decisões que impactam a vida de professoras (sejam elas nós, que empreendemos, ou aquelas que trabalham conosco) e alunos – que podem se encantar ou se traumatizar no processo.

✧˖° o básico do básico: defina as abordagens e metodologias que fundamentam o seu trabalho. essas definições vão orientam toda estruturação dos processos pedagógicos – da avaliação ao planejamento.

✧˖° o básico do básico: tenha uma ferramenta de currículo que suporte os processos pedagógicos, para acompanhar o desenvolvimento dos alunos e definir com intencionalidade o que será ensinado em seguida.

✧˖° o básico do básico: disponibilize o material didático de maneira organizada, para facilitar o processo de aprendizagem dos seus estudantes – de modo que eles tenham clareza de onde estão e de onde vieram, e possam buscar com facilidade tópicos aprendidos para revisão.

esse é o feijão com arroz que garante qualidade no ensino. a partir dessas bases bem estruturadas, conseguimos erguer as mais diferentes escolas & praticar a educação que realmente acreditamos.

rotinas para manter seu negócio organizado

se organizar já não é fácil, convenhamos. mas, pra quem tenta semana sim & semana também, mais difícil ainda é manter a organização. aqui vão algumas atividades rotineiras que consideramos fundamentais pra que você mantenha sua organização & não se embanane com os aspectos previsíveis do trabalho.

 ESVAZIAR CAIXAS DE ENTRADA
imagina sentar para trabalhar e planejar todas as aulas da semana só pra ver bem depois que uma aluna mandou mensagem explicando sobre uma mudança nos planos dela e o pedido de mudança de foco na próxima aula? seja pelo e-mail, WhatsApp ou notificações do Notion ou Classroom, esvaziar as caixas de entrada antes de tudo é começar seu trabalho com uma visão panorâmica do que chegou até você e precisa de atenção.

 CAPTURAR PENSAMENTOS
“mas eu vou lembrar depois”, disse todo mundo que não se lembra depois. quer garantir que vai, sim, lembrar depois, quando não for no meio do filme, antes de dormir ou no meio de uma aula? anote. não precisa ser super rebuscado, o importante é capturar aquele pensamento pra dar lugar à tarefa que você está realizando naquele momento presente – mesmo que seja dormir em paz. ao esvaziar as caixas de entrada, cheque seus registros e organize o que for preciso no seu sistema. voilà: organização!

 MAPEAR NECESSIDADE DE NOVAS FERRAMENTAS
se você desenvolver a disciplina de esvaziar as caixas de entrada & organizar as informações que chegam todos os dias, vai perceber muitas dúvidas do tipo: onde eu coloco isso? pode ser a senha que você enviou pra você mesma no whatsapp ou uma ideia para uma aula que você anotou no seu caderno – se não existe ferramenta onde organizar, essas informações ficarão pra sempre “no limbo” e as caixas de entrada (que devem ser espaços temporários para informações) rapidamente se transformam na gaveta da bagunça. ao perceber que você não sabe onde organizar uma informação, busque compreender  porque ela não cabe em nenhuma das suas atuais “gavetas” e dedique um tempo para criar a gaveta adequada.

 PLANEJAR O DIA
a gente se preocupa em organizar as tarefas com um único propósito: facilitar o planejamento (e a execução!) de tarefas no dia a dia, garantindo que estamos priorizando corretamente e deixando pra depois o que de fato pode ser deixado pra depois. por isso, diariamente, planejamos & re-planejamos nosso dia – ou seja: decidimos de maneira intencional o que vamos fazer ou não nas próximas 24h.

 REVISAR PROJETOS
pelo menos uma vez na semana, revisamos nossos projetos: para garantir que todos eles tenham uma próxima ação clara e que pode ser executada ao longo dos próximos dias. isso nos ajuda a ir além da manutenção do negócio e concretizar nossos planos com estratégia, sem abrir mão da qualidade dos serviços que oferecemos.

[live de quinta] o que você pode aprender sobre a sua escola com as “perguntas burras” dos seus alunos

quando algumas perguntas não relacionadas ao conteúdo que você ensina aparecem com frequência, é hora de ligar um alerta: talvez a informação não esteja tão clara quanto você imagina. e qual é o problema? na verdade, são alguns problemas:

perguntas alunos
perguntas burras

desgaste na relação

o aluno pode deixar de tirar dúvidas relevantes porque precisa perguntar sobre outros assuntos. e você fica com aquela sensação de: não aguento mais responder isso.

interrupções na rotina

você precisa sempre responder as mesmas perguntas, e deixa de focar em outras atividades para manter a qualidade do ensino, estruturar ou expandir a sua escola.

frustração para o aluno

seu aluno, com muito esforço, planejou um horário na semana para estudar – mas não encontrou o que procurava. ele fez o mais difícil, e desviveu na praia.

em vez de culpar o seu aluno, desenvolva seus processos e simplifique o acesso à informação. facilita sua rotina & facilita o processo de aprendizagem.

e que fique claro: nenhuma dessas perguntas é burra (e existem exceções tipo aquela preguicinha de ir no material quando posso só ✧˖°confirmar com a profe✧˖°). no geral, perguntas assim mostram que a informação – de interesse do aluno – não está acessível. e é aí que as perguntas se voltam pra nós: qual é a alternativa pro seu aluno encontrar o que procura se não te perguntar? e de quem é a responsabilidade (e a atribuição 👀) pela acessibilidade dessas respostas?

esse foi o tema da nossa live de quinta. clique abaixo para assistir a gravação:

[sala das professoras] talu velludo

talumos

talu velludo, @teachertalu
professora de inglês
, empreendedora, imigrante, apaixonada por criar pontes, participante da LUMOS e uma profissional que trabalha com o que ama & acredita

a entrevista a seguir faz parte do quadro sala das professoras, onde conversamos com outras professoras sobre a realidade docente.

LUMOS PERGUNTA: Olá, Talu! Bem vinda à revista LUMOS! Você já é de casa, mas antes das perguntas, se apresente brevemente pra quem não te conheceu em aula ainda:
TALU RESPONDE: Oi, gente! Eu sou a Talu Velludo, fundadora da SpeechSense Academy, professora de inglês com foco em pronúncia, identidade linguística e integração cultural. Já passei por várias outras áreas aparentemente aleatórias mas que na minha cabeça são tudo parte de uma coisa só. 👀 Sou apaixonada por criar pontes entre conhecimento e pertencimento. Moro nos EUA há 11 anos, e aprendi na marra que imigrar é um tipo de tradução de hábitos, valores e da própria voz. Hoje, ensino outros a fazerem essa tradução sem se perderem no caminho.

LUMOS PERGUNTA: Atualmente você também tem uma participação ativa na construção da LUMOS através da supervisão pedagógica. O que te motiva a trocar com outros professores e dividir seus conhecimentos e experiências pra melhorar as práticas de outros profissionais, “concorrentes” seus?

TALU RESPONDE: Pra mim, conhecimento não é um bem escasso, é uma rede. Na ciência, na arte, na educação, o conhecimento é coletivo por natureza. Toda descoberta nasce daquilo que veio antes, da conversa, da troca, da escuta ativa, do desejo coletivo de entender melhor o mundo. O sistema em que a gente vive transforma isso em disputa, em produto, em ego, mas eu continuo achando que dividir é multiplicar.

LUMOS PERGUNTA: Você tem uma experiência vasta em áreas diversas, conta um pouco pra gente como foi seu processo antes de encontrar o Inglês?
TALU RESPONDE: Eu passei por áreas que pra quem vê de fora provavelmente parecem completamente desconexas, mas confia em mim que faz sentido! Já trabalhei com vendas de todo tipo de coisa (e era péssima, diga-se de passagem, então eu pulava de mercado em mercado achando que o problema era o produto, e não eu 💀). Também me aventurei no desenvolvimento de software, financiamento imobiliário, que são as coisas que eu fiz com mais cara de “carreira,” além de todos os tipos de bico que você imaginar. Na academia, saí da engenharia civil, passei pela matemática e acabei aterrissando na linguística. Por questões financeiras, muitas vezes eu não conseguia seguir formalmente nos cursos, então desenvolvi um estilo de estudo que chamo carinhosamente de “autodidata fajuta”. Fajuta porque eu tive instrução. Autodidata porque não tinha matrícula nem certificado, só curiosidade, urgência e muita gambiarra. E sigo até hoje nesse mesmo sistema: caço syllabus, peço pra assistir aos cursos como ouvinte, faço as leituras por conta própria e puxo conversa com quem compartilha dos mesmos interesses nerdolísticos que os meus. Com muita literacia científica e o respeito pela ciência de quem sabe que está chegando pela porta dos fundos, mas quer contribuir pra arrumar a casa. Nunca quis diploma, o que sempre me encantou foi o conhecimento em si. O ponto em comum aqui é que em cada recomeço, lá estava eu aprendendo e ensinando, de algum jeito. Gosto de dizer que meu superpoder é aprender, e acredito de verdade que todo mundo tem essa capacidade, quando encontra o ambiente certo. Hoje, lidero a minha escola, treino professores… e adivinha? Acabei tendo que vender meu trabalho também. Ou seja, no fim das contas, talvez o problema fosse mesmo o produto. 😅

LUMOS PERGUNTA: Quais foram seus motivos pra começar a ensinar? O que mais te encantava?

entrevista talu

TALU RESPONDE: Pra mim, ensinar e aprender nunca foram atividades restritas à sala de aula. Sempre foram formas de habitar o mundo, de sobreviver, me adaptar, criar sentido em meio ao caos. Foi assim quando aprendi a escrever as minhas primeiras palavras, a medir o humor dos adultos pela intensidade do passo e do barulho da chave na fechadura, a negociar um contrato, decifrar uma linguagem de programação, explicar algo que eu mesma tinha acabado de descobrir. Ensinar & Aprender (assim, com maiúscula mesmo, como entidades sencientes) me acompanham o tempo todo, como parte do mesmo gesto de conectar, entender e ser entendida. Essas criaturas são a base da minha vida, e é por isso que ensino do jeito que ensino: com método, com escuta, e com a consciência de que conhecimento se constrói junto.

entrevista talu

TALU RESPONDE: Pra mim, ensinar e aprender nunca foram atividades restritas à sala de aula. Sempre foram formas de habitar o mundo, de sobreviver, me adaptar, criar sentido em meio ao caos. Foi assim quando aprendi a escrever as minhas primeiras palavras, a medir o humor dos adultos pela intensidade do passo e do barulho da chave na fechadura, a negociar um contrato, decifrar uma linguagem de programação, explicar algo que eu mesma tinha acabado de descobrir. Ensinar & Aprender (assim, com maiúscula mesmo, como entidades sencientes) me acompanham o tempo todo, como parte do mesmo gesto de conectar, entender e ser entendida. Essas criaturas são a base da minha vida, e é por isso que ensino do jeito que ensino: com método, com escuta, e com a consciência de que conhecimento se constrói junto.

LUMOS PERGUNTA: Qual parte do trabalho hoje é mais significativo e satisfatório pra você? Por que?

TALU RESPONDE: A parte mais significativa e satisfatória do meu trabalho hoje é criar sistemas que respeitam e acolhem as particularidades de cada aluno e de cada situação. Ver uma estrutura pedagógica se transformar num trampolim pra parte humana é o que me move.

Talvez isso venha do meu tempo trabalhando com desenvolvimento de software. Duas coisas daquela época nunca saíram de mim: a primeira é que tudo é experiência do usuário. Não importa quão sofisticado seja o sistema, se quem vai usar não se sente acolhido, compreendido e guiado, ele não funciona. A segunda é que programar é, essencialmente, gerenciar complexidades. E o ensino não é diferente. A gente traduz uma estrutura esmagadoramente complexa em algo que faz sentido para quem está do outro lado da tela.

Gosto de dizer que ensinar qualquer coisa, mas especialmente um idioma, é como acender uma lanterna num quarto escuro cheio de objetos fascinantes. Você vai iluminando uma coisa de cada vez. Poderia até acender a luz, mas ninguém tem capacidade mental de processar tudo ao mesmo tempo. No fim das contas, o trabalho do professor vai muito além de transferir informação: é filtrar, organizar e guiar o olhar a partir da escuta, da resposta às necessidades, às curiosidades, às histórias, aos traumas, ao cansaço e ao brilho no olho de quem está aprendendo.

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LUMOS PERGUNTA: Você atende um público bastante específico e por isso também precisou se especializar em algumas áreas onde hoje se destaca, como pronúncia, metodologias e “anamnese” pedagógica. Conta pra gente um pouco desse processo – no que você focou, o que estudou, etc.
TALU RESPONDE: Meu foco principal sempre foi entender as raízes dos desafios dos meus alunos com o inglês. Isso me levou a estudar fonética, aquisição de segunda língua, neurolinguística, análise do erro e pedagogia crítica. Quando comecei a trabalhar com pronúncia, peguei muitos projetos voltados pra aquisição de sotaque no contexto do cinema e da atuação, que é um trabalho que exige uma escuta muito precisa e um domínio técnico fino de ritmo, entonação e articulação. Hoje, uso as mesmas ferramentas, mas com outro propósito. O ator precisa de certa forma apagar a sua identidade para aderir à do personagem. Hoje eu trabalho para ampliar a liberdade comunicativa dos meus alunos, e isso envolve um equilíbrio delicado entre a inteligibilidade e a preservação da própria individualidade. A “anamnese pedagógica,” como você chamou, virou parte central desse processo. Antes de começar qualquer curso, a gente realiza uma avaliação minuciosa do perfil cognitivo, afetivo e comunicativo do aluno, incluindo histórico com o idioma, exposição prévia, familiaridade com leitura, disponibilidade de tempo, entre outros fatores. Isso me ajuda a ajustar o ritmo e a abordagem de forma realista e respeitosa, e também a montar grupos que realmente aprendem juntos, com ritmos parecidos e desafios complementares. É o tipo de estrutura que eu mesma teria me beneficiado muito de ter quando estava aprendendo.

LUMOS PERGUNTA: Quais foram suas maiores dificuldades como professora de idiomas? Ao longo do tempo, elas mudaram? Se puder, descreva como e o que você fez pra solucionar alguns pepinos no caminho.

TALU RESPONDE: No começo, meu maior erro foi tentar ensinar como eu aprendi, e percebi muito cedo que isso não funciona. Cada pessoa tem um processo diferente, que precisa ser respeitado. Aprendi que ensinar não é entregar tudo de mão beijada, mas criar as condições certas para que o aluno descubra, teste, erre e construa o próprio caminho. É um equilíbrio delicado entre dar suporte e não roubar do outro a chance de desenvolver autonomia.

Curiosamente, esse mesmo desafio apareceu quando a escola começou a crescer. Precisei aprender a delegar, formar equipe, abrir mão do controle. Soltar as rédeas sem abandonar o cuidado. Assim como no ensino, liderar um projeto também exige confiança: em quem caminha com você e na estrutura que você construiu pra sustentar esse caminhar.

Mas talvez o maior desafio tenha sido emocional. Especialmente no início, é quase impossível não enxergar sua empresa como uma extensão de si mesma. Tudo parece pessoal: uma crítica, uma desistência, uma falha. E isso te deixa vulnerável, porque você não está só gerenciando um negócio, está gerenciando a própria identidade enquanto ela cresce e muda.

Com o tempo, fui desenvolvendo uma inteligência emocional mais sólida. Aprendi a ouvir críticas sem me desmoronar, a reconhecer que nem todo desencontro é fracasso, e que cuidar da escola também passa por cuidar de mim mesma com mais gentileza, mais limites e mais confiança no processo. Hoje, continuo aprendendo todos os dias, mas com menos culpa e mais clareza.

LUMOS PERGUNTA: Qual foi o momento ou aprimoramento mais significativo nos últimos tempos pro seu trabalho e o que você ainda quer conquistar?

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TALU RESPONDE: A criação do nosso sistema de avaliação foi um divisor de águas. Ele nos permite entender com mais profundidade o perfil de aprendizagem de cada aluno e ajustar o percurso pedagógico com mais precisão. Mas o que talvez represente melhor o momento atual do nosso trabalho é o quanto temos investido em melhorias aparentemente pequenas, mas com impacto enorme. Tudo parte da escuta e de propósitos pedagógicos muito concretos.

A gente gosta de se ver como uma escola inovadora, mas inovação, pra gente, não é estética nem distração tecnológica. Inovação sem propósito é só barulho. O que nos move é melhorar a experiência de aprendizagem de forma honesta, funcional e muitas vezes sem muito glamour.

Um exemplo recente foi a decisão de incluir o tempo estimado de duração em cada atividade semanal. Parece só um detalhe, mas o efeito foi imediato. Alunos que eram consistentes em todas as outras áreas, mas deixavam a tarefa de casa de lado por se sentirem sobrecarregados ou sem controle do próprio tempo, passaram a se organizar melhor. Como consequência, conseguimos acelerar o planejamento pedagógico, porque a prática que antes precisava ser compensada em aula passou a acontecer também fora dela.

Nosso próximo passo nesses processos internos é estruturar melhor o sistema de feedback, para que os alunos tenham uma sensação mais clara de controle sobre o próprio progresso. Hoje esse acompanhamento ainda está muito concentrado nas nossas mãos, e tornar esse processo mais “a quatro mãos” é fundamental pra fortalecer a autonomia e a confiança de quem aprende.

LUMOS PERGUNTA: Qual (ou quais) é sua “invenção” preferida e por quê?

TALU RESPONDE:

Uma das “invenções” que mais me orgulha é o nosso sistema de badges de reconhecimento. Ao invés de premiar o ponto de chegada, como atingir determinado nível de fluência ou tirar uma nota alta, a gente escolheu valorizar atitudes que sustentam o processo de aprendizagem. Os alunos recebem badges por presença consistente, por manter a rotina de homework, por participar ativamente, demonstrar curiosidade, se arriscar, vencer bloqueios, mostrar atenção ao outro, entre outros comportamentos que fazem diferença real no dia a dia da sala de aula.

Essa escolha não foi por acaso. O sistema escolar tradicional tende a reconhecer apenas o desempenho mensurável, e isso pode ser extremamente limitador, especialmente para alunos brilhantes, que muitas vezes atingem o esperado com facilidade e acabam estagnando justamente por falta de desafio e de reconhecimento no processo. Quando o único feedback positivo vem do resultado final, perde-se de vista o valor do esforço, da consistência, da superação de dificuldades invisíveis, como ansiedade, insegurança ou perfeccionismo paralisante.

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Nosso olhar dialoga com a teoria da mentalidade de crescimento, desenvolvida por Carol Dweck. Embora seu trabalho tenha sido bastante cooptado pela cultura corporativa, muitas vezes reduzido a frases de efeito sobre positividade, ele tem um embasamento profundo sobre como o foco no processo, no esforço e nas estratégias adotadas leva a um aprendizado mais duradouro, flexível e autônomo.

Não sou 100% contra reconhecer conquistas concretas, mas o nosso modelo atrai muitos alunos que se identificam com esse deslocamento de foco. Pra eles, o que precisa ser alimentado não é o desempenho, mas o esforço. E, paradoxalmente, são justamente esses alunos brilhantes que muitas vezes se sentem profundamente incapazes quando o processo exige consistência, vulnerabilidade ou fracasso produtivo. Sem um ambiente que valorize o crescimento, o aluno aprende a performar, mas não necessariamente a aprender.

Os badges funcionam como um lembrete para estar presente, tentar de novo, manter o ritmo e se abrir para o aprendizado. Eles tornam visível o que vale a pena repetir, como um espelho que diz “olha, isso aqui que você está fazendo está te levando pra frente.”

LUMOS PERGUNTA: Sem dar muitos spoilers, o que você planeja pro futuro da sua escola hoje em dia?

TALU RESPONDE: Além do sistema de feedback, acho que o próximo grande passo pra escola é comunicar melhor o que a gente faz. Estou sempre implementando coisas novas, e a escola virou um pequeno monstrinho (no melhor sentido possível). Nossa base de pronúncia, por exemplo, combina práticas de aquisição de sotaque do teatro adaptadas aos objetivos comunicativos com foco na inteligibilidade. A isso, somamos as técnicas da fonoaudiologia clínica trazidas pela nossa parceira Cris Nishimura, fonoaudióloga e accent coach, fundadora da Sotaque Inglês.

Outro ponto importante desse momento da escola é o desenvolvimento de um sistema pedagógico cada vez mais responsivo aos desafios reais dos alunos. A partir de um log de desvios recorrentes coletados nos Chat Camps (nossas sessões livres de conversação), conseguimos mapear padrões de uso e, com isso, estruturar objetivos comunicativos claros que orientam as aulas sem engessar o processo. Esse trabalho vem sendo cuidadosamente conduzido pela nossa curriculum specialist Letícia de Britto, que transforma esses dados em caminhos pedagógicos consistentes e acionáveis. O foco é sempre fomentar a autonomia, comunicando e avaliando com base em objetivos comunicativos reais, e não em metas inatingíveis, como decorar listas descontextualizadas.

Temos um sistema de avaliação interna feito sob medida, badges que reconhecem esforço e não resultado, aulas organizadas por ritmo real e não por nível idealizado, e um sistema pedagógico ao mesmo tempo sólido e responsivo, com um olhar constante pra escuta, pertencimento e autonomia. Cuidamos muito do que está dentro.

Até aqui, sempre trabalhamos no boca a boca. Literalmente todos os nossos alunos vieram, direta ou indiretamente, a partir do primeiro, lá em 2015, que indicou um amigo, que indicou outro, e assim por diante. Mas foi só com as mentorias da LUMOS que eu parei pra olhar com mais estratégia pra nossa comunicação. E a partir daí a retenção aconteceu porque a casa estava arrumada.

Por mais que vender algo em que eu realmente acredito seja infinitamente mais fácil (o que é um contraste enorme com meus tempos de vendedora no início da vida adulta), eu ainda sinto que preciso dar mais atenção a esse lado do negócio. Agora, me sinto pronta pra abrir as portas de forma mais intencional e mostrar com mais clareza o que a gente faz. Eu cuidei muito bem do jardim, mas acho que está na hora de abrir o portão e deixar o perfume chegar mais longe.

LUMOS PERGUNTA: Você também faz parte da LUMOS desde os primórdios, entrando na primeiríssima turma da mentoria Farol, lá em 2022. Como estar nessa comunidade impactou seu trabalho nesse tempo?

TALU RESPONDE: A LUMOS é o meu sonho de princesa realizado: conhecimento real e aplicável, construído com profundidade, sem fórmulas prontas, e pensado por quem realmente vive o dia a dia do ensino. É uma comunidade feita de trocas honestas, entre professoras que levam o trabalho a sério e que estão dispostas a se desenvolver juntas.

Participei das mentorias Farol e Alto Mar, que me ajudaram a estruturar com mais clareza o nosso inbound marketing e a forma como apresentamos nosso trabalho. Agora, o que falta é organizar tudo isso em uma estratégia de outbound, com ações mais ativas de divulgação que levem nossa mensagem pra além da bolha do boca a boca.

Hoje, além de aluna, também atuo como professora dentro da LUMOS. Eu lidero as sessões de supervisão pedagógica da comunidade, que são um espaço muito rico de troca, escuta e análise de casos reais. Me sinto profundamente realizada em poder contribuir com outras educadoras comprometidas com o ensino e em saber que, ao fortalecer essas trajetórias, eu também estou impactando mais alunos, de forma indireta e coletiva.

A LUMOS tem uma proposta rara no mercado: ela se recusa a girar em torno de promessas milagrosas, lançamentos agressivos ou modelos que tratam o professor como uma marca a ser monetizada. Ela é uma comunidade viva, ativa, com trilhas de aprendizagem que partem de problemas reais, práticas contextualizadas e um ambiente de troca horizontal e segura. Estar aqui me ajuda a crescer e me lembra o tempo todo que eu não estou sozinha nessa caminhada.

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