junho/2025

REVISTA LUMOS

segunda edição

seu trabalho pode mais - como a sua comunicação pode mudar seus resultados

matéria de capa

segundo o Monitor Global de Empreendedorismo (GEM), 33,4% da população do brasil entre 18 e 64 anos empreende, mas o perfil do empreendedor brasileiro dificilmente pode ser chamado homogêneo. apesar dos pontos onde uma maioria se manifesta, como a motivação da liberdade no trabalho, não há padrão de gênero, investimento inicial ou mesmo disponibilidade para retorno ao mercado de trabalho formal.

às margens dos dados oficiais, sabemos: diversos produtos e serviços são oferecidos sem registro formal em áreas rurais, comunidades afastadas, pequenas cidades e grandes metrópoles. em meio a tantas ofertas, como destacar seu trabalho – e como fazê-lo respeitando seus limites éticos?

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sonhar, mas com pelo menos um pé no chão
anterior à comunicação vem o alinhamento de expectativas: talvez a promessa do milhão fácil seja, mesmo, “boa demais pra ser verdade”, principalmente ao contar com uma estrutura análoga àquela das seitas, onde a auto-idealização como um ‘escolhido’ justifica sacrifícios pessoais, metas nada realistas e flexibilização de limites.

e tal alinhamento se justifica tão anterior por ser o responsável pela direção, objetivo e tom de voz na comunicação, decidindo sobre uma relação de nutrição de uma base fiel ou propagação de mensagem facilmente digerível para alcançar mais ouvintes – um encontro da lógica de quantidade versus qualidade e o conceito simplificado na adaptação do ‘funil de conteúdo’ difundindo no ‘mercado digital’.

definir o sucesso pelas próprias metas
uma comunicação desalinhada não raramente vem de um objetivo pouco definido: a abstração do sucesso como um resultado de ações pré-determinadas é enganosa porque parte do princípio que os resultados dependem somente da execução daquele ‘hack’, e não da interação de tantos fatores difíceis ou até mesmo impossíveis de prever.

mantendo a definição de sucesso o mais abstrata possível, qualquer resultado diferente do grande e mirabolante sucesso (sem contornos sólidos) se torna pálido e decepcionante, e nesses momentos paramos em meio à vida que lutamos para construir sem saber como sentir com a materialidade: não sendo exclusiva e inédita, um corte perfeito em um story, um milagre vindo do céu mas uma construção complicada de alcançar, vale a pena essa realidade?

assim entramos e saímos de curso, buscamos novas mentorias, não sentimos orgulho pelo nosso trabalho ou gratidão pela vida que ele proporciona, mas o vazio do desconhecido e da parte (imaginária) que falta. um plano calculado, claro, mas não em nosso benefício.

intencionalidade, proximidade, vulnerabilidade
entendida a realidade do empreendedorismo, do nosso mercado e do seu universo, vem o mais difícil: para falar com as pessoas com quem você quer falar, você precisa… falar. e falar primeiro. falar enquanto ninguém te escuta. falar e defender o que você acredita mesmo se uma única pessoa esporadicamente concorde com você.

estamos cansados de posts de dicas. cansados de “o que eu faria se estivesse começando agora”. “os maiores erros do estudante de idiomas”. “faça isso se quiser alavancar seu aprendizado”. e o pior: não há nem nada errado com esses conteúdos especificamente, mas na prevalência de todos eles, produtos ‘marca branca’ tão embalados com as cores do cliente que muitas vezes são, mesmo, vendidos em combos pra só “alterar a identidade visual”.

com quem se identifica quem lê o mesmo post sob pontos de vista ligeiramente diferentes, sem entender quem é aquele professor, suas crenças, seu trabalho, sua didática ou dinâmica de sala de aula? com o primeiro, o último, o mais chocante, o mais polêmico…?

qual é a jornada desse aluno, nas poucas vezes que alguém é verdadeiramente convencido por essas narrativas vazias? qual a contribuição da presença desse aluno para a escola que você quer construir? não vai ser um “5 podcasts para estudar o idioma” a responder essas perguntas.

vai ser o posicionamento sobre o idioma que você teme publicar.

a estrutura pedagógica que você oferece em uma jornada de experimentação real com o idioma-alvo.

a sua defesa da educação que pratica e confronta modelos que esse aluno talvez nem saiba identificar, mas entenda, contigo, como eram nocivos ao próprio aprendizado.

e são esses pontos, muito mais significativos, propícios à identificação e acessíveis à realidade do estudante que um tema gramatical, que transformam seu conteúdo de ‘mais um post de dicas’ em um posicionamento, uma defesa, um espelho das suas crenças da forma como elas aparecem na sua escola e principalmente, como elas beneficiam o processo pedagógico para seus alunos.

comunicar primeiro, identificar segundo, vender terceiro, fidelizar indefinidamente

o “conteúdo ideal” não existe. existem, no entanto, formas personalizadas de criar o ideal para sua escola. no mimo do mês, exclusivo para LUMOS ou assinantes** da newsletter (inscreva-se aqui), você vai receber um checklist de conteúdos básicos para representar sua escola muito além da lista de vocabulário*.

*importante ressaltar: nenhum dos conteúdos trata-se de copie-e-cole.
** as inscrições para o próximo semestre na LUMOS abre no dia 14 de junho. para conhecer mais sobre a comunidade, acesse LUMOS, a comunidade e se inscreva na newsletter.

como a intencionalidade aparece no meu trabalho

não deixe ninguém te enganar: ser intencional dá trabalho. isso porque muitas vezes o surgimento de oportunidades, ideais, ou novidades incríveis parecem (e geralmente são mesmo!) tão mais fáceis de executar… mas a que preço?

não ser intencional atrapalha a percepção dos seus alunos sobre você e pode até minar sua relação com eles, que acham difícil prever o que se alinha ou não com escola de idiomas.

de novo, trabalhoso: é preciso investir tempo e energia mental na descoberta dos valores da sua escola, o que você prega, quem você atendem…

e quando você “acaba” esse processo (porque ele nunca acaba de verdade, completamente, pra não ter que tocar de novo) chega a vez de alinhar as práticas com as teorias, que também não é nada fácil. então como eu me mantenho intencional em meio a 30+ horas de trabalho semanal, e principalmente, como a intencionalidade aparece no meu trabalho?

a intencionalidade aparece na minha escolha dos materiais didáticos, que priorizam a interação entre alunos, a personalização, o mão na massa.

a intencionalidade aparece na oferta de atividades extra pra que os alunos possam ter experiências diferentes em aula, com outros alunos e práticas ainda mais voltadas à fala.

a intencionalidade aparece na comunicação nas redes, que não foca em “OLHA O QUE VOCÊ PERDEU POR NÃO FALAR INGLÊS! VENHA LOGO ANTES QUE VOCÊ PERCA MAIS!”, mas em inserção do idioma na vida, curiosidades e validações sobre seus processos, entre outros.

a intencionalidade também aparece quando eu priorizo a primeira dessas formas (o material) ao invés do conteúdo, mesmo ouvindo tanto na internet que o mais importante é publicar pra vender. aparece quando percebo que um ambiente pedagógico eficiente é mais importante do que um curso de vendas. aparece quando o que eu escolho pro meu aluno não se baseia no que é melhor pra mim, e as minhas escolhas pro meu aluno tampouco atravessam limites do tipo de trabalho que eu quero construir.

a intencionalidade vem de um conhecimento aprofundado do que você quer que sua escola seja e a determinação de não optar por atalhos ou promessas mirabolantes. e é por isso que, uma vez intencional, você nunca mais vai conseguir entregar um trabalho sem propósito – ainda bem.

[live de quinta] eu, rendida ao notion - como foi a transição da minha escola pra plataforma

desde 2018 eu já dava aulas online, ainda que num volume muito menor. naquela época, sem outras opções, usava o Google Classroom com alunos online e também presenciais, pra quem os materiais eram igualmente disponibilizados na plataforma.

e na época, minha escolha foi simples: ‘tá literalmente no nome que é uma Classroom, por que eu não usaria algo tão específico e feito pra isso?’. até 2022 o Google Classroom me atendeu, ainda que com algumas gambiarras – afinal, com mais traquejo no ensino eu também acumulei mais fontes, materiais, etc.

mas no fim de 2022, eu me rendi: iria encontrar outro ambiente para minha escola.

o notion, na época, ainda não era tão difundido e eu também tinha um certo pé atrás, mas estando em contato mais constante – também por conta do falecido Farol (nossa primeira mentoria para professoras autônomas) -, fui me acostumando (e encantando).

um novo ambiente pedagógico me permitia pensar todas as possibilidades que eu sempre sonhei pra dinâmica das aulas e, mesmo que eu não soubesse como implementar todas elas, havia caminhos pra tanto, só me faltava aprender mais.

mexi, mexi, confabulei com a let – e criamos o ambiente que, com algumas melhorias, claro, até hoje usamos na escola. sala de aula para alunos individuais e grupos, caderno do aluno, mural de recados, páginas para as atividades extra, materiais complementares e tudo que no Google Classroom não era possível e qualquer solução serviria apenas de forma parcial, me deixando potencialmente abarrotada de sites, links, apps e uma confusão de materiais ruim pra mim e pros meus alunos.

os alunos, que nunca tinham tido qualquer contato com a plataforma, foram apresentados a ela pela primeiríssima vez no retorno das férias de fim de ano, lá no início de 2023, e você pode imaginar a reação: ódio, repúdio, negação.

mas nenhuma dessas reações veio.

sempre prezamos pela comunicação da inovação na escola: testamos coisas e somos abertos a isso. nossos alunos sabem que, à medida que aprendemos e aprimoramos, colocamos a mão na massa e passamos esses aprimoramentos adiante. na mudança do ambiente não poderia ser diferente e, com algumas semanas e diversas demonstrações, a estrutura que usamos agora se tornou a casa oficial das nossas aulas.

de lá pra cá, muitas ideias desapareceram, diversas outras surgiram e algumas ainda estão na fila, mas nossa escolha pelo notion não mudou, e eu tenho motivos contundentes pra te convidar a repensar seu ambiente também:

possibilidade de edição síncrona

indexação fácil para melhor navegação do aluno

facilidade no acompanhamento do desempenho acadêmico

centralização de atividades e mídias diferentes

simplicidade no design e consequente menos distração

esses e outros motivos nos mantém fieis à plataforma depois de dois anos e meio de implementação, e sinceramente não há nenhum vislumbre de mudança no momento. e você – atualmente, como anda seu ambiente pedagógico? ainda há pontos que você gostaria de mudar? conta pra gente nos comentários!

gostou do tema? assista à live e participe dessa conversa:

não existe criatividade sem conhecimento

você já sentou na frente de uma página do Word, Docs ou afins e ficou esperando a inspiração para escrever os posts da semana ou planejar uma aula incrível? se sim, existe uma boa chance de você ter vivido o famoso ‘branco’, e é claro, se sentido super mal por simplesmente ‘não ter criatividade’.

em momentos, lugares e épocas distintos, dois conceitos que viriam a conversar tão bem foram apresentados para o mundo e reapresentados aqui, na LUMOS: o inconsciente coletivo, de Jung, e o fato social, de Durkheim.

para Jung, o ser humano é mezzo influenciado mezzo composto de um grande reservatório de arquétipos herdados ancestralmente através da construção da humanidade. essa ideia, inclusive, é muito usada para explicar criações semelhantes, ou com premissas parecidas, que surgem quase ao mesmo tempo sem qualquer tipo de interação, e se desenvolvem não tão distintas assim para gêmeos que nunca se viram antes.

já para Durkheim, o fato social é qualquer influência externa que motive o indivíduo, principalmente no que tange à sua participação na sociedade e atitudes perante pares – e não é difícil concluir porque as duas conversam bem, já que a primeira fala do humano como um processo histórico enquanto a segunda foca na contemporaneidade.

pra jogar mais um pensador na roda, Lavoisier, o pai dos laboratórios de análises clínicas no Brasil, já dizia que ‘nada se cria, tudo se transforma’, e é aqui que esse trio se une:

uma pessoa sem percepções, padrões e compreensão inconsciente não existe. uma pessoa sem interferências do meio, estímulos externos ou reforços de padrões não existe. uma pessoa que abre o Word, Docs ou afins e, sem qualquer ‘inspiração’, cria com qualidade, não existe.

sem conhecimento, a criatividade é um tabuleiro de ouija de referências ancestrais, contemporâneas e de muitos outros círculos que você frequente – as ideias podem até vir, mas a coesão entre elas, a compreensão da mensagem e a identificação com o tema e o interlocutor dependem quase de um milagre. ou de um espírito atormentado.

e você, anda alimentando o conhecimento-base da sua criatividade e fortalecendo seu repertório?

ps: as explicações de Jung e Durkheim foram compiladas e simplificadas aqui em prol da clareza do texto e carecem de mais referências e estudos para uma boa interpretação.

você finge que ensina, eu finjo que aprendo - como funciona a farsa da “educação” no digital

esquecemos o sentido da educação. e aqui, por mais que também seja verdade, nem me refiro à palavra ‘educação’ e sua definição, mas o que a prática da educação representa na vida humana. aprendemos quando nascemos pelos impulsos instintivos que a evolução nos deu pra que pudéssemos sobreviver. aprendemos ao ouvir adultos conversarem. aprendemos ao ver alguém comer legumes, ao identificar letras repetidas nas pixações dos muros, a ouvir uma palavra repetidas vezes num desenho. aprendemos sotaques, intonações, fatos sociais. e tudo isso antes mesmo de colocar um dos nossos pezinhos 20 e poucos dentro de uma sala de aula. e paradoxalmente, naquele momento, a educação deixa de ser o mundo inteiro e se torna um cômodo dividido entre líder e seguidores, com distinções claras de fileiras, lugares marcados, regras indiscutíveis.

não discutimos com a necessidade de alguma ordem, principalmente para crianças. mas nos dói, como educadoras, vermos que nossa profissão se delimitou tanto, mas tanto, que a prática de ler o mundo pode acontecer em qualquer lugar – contanto que não seja, de fato, o mundo.

é preciso elucidar: esse movimento, infelizmente, não se deu com a educação ‘no digital’. mas foi aqui que ele ganhou tração.

em qualquer ambiente onde a aprendizagem é, de fato, central, é sabido: é preciso trocar, falar, experimentar, errar, receber direcionamento, ter orientação, fazer tudo outra vez. mas e quando a educação se atém a centenas de horas de lives gravadas, aulas de 20 minutos (para ‘não perder o foco’ ou não dar tempo de refletir?), encontros sem liberdade para interação e um endeusamento do professor, esse que deveria ser um facilitador e jamais uma figura inacessível?

o mercado de educação ‘no digital’ se vale de características do meio (o ‘online’) para desvirtuar um processo que acontece antes mesmo da consciência do processo, esse fogo primordial que é a educação e todos os seus estágios.

vivemos no ritmo ‘você finge que ensina, eu finjo que aprendo’, esperando que em algum desses momentos o ensino se torne real, as falas mirabolantes ganhem materialidade ou um golpe de sorte nos encontre e magicamente leve àquele nível utópico sobre o qual não aprendemos, de fato, mas ouvimos falar nessas palestras infindáveis e auto-referentes.

a educação como a leitura do mundo ainda existe – aqui na LUMOS e em muitos lugares. esse é um manifesto, mas também um convite para criar com a gente a educação que acreditamos, sem fingimento.

[live de quinta] você não é uma franquia - e essa é sua maior qualidade

uma moça jovem te entrega um flyer na rua. bem que você queria estudar Inglês mesmo… não custa nada fazer uma visita. ao entrar, você vê uma recepcionista sorridente (com sorte) e um time comercial empolgado, engajado, animado em ter você nessa jornada de aprendizagem colorida pelas salas temáticas, os materiais tecnológicos (ou não tanto) e claro, a segurança de um nome de peso estampado na porta. essa pode até ser a jornada do aluno da franquia, mas não é a do nosso aluno. e por mais que você faça, sinto informar, não vai ser nunca. que bom. escolas de idiomas, geralmente a primeira entrada para o aprendizado de Inglês, Espanhol e outras línguas muito bem selecionadas, contam com fatores internos e externos a seu favor, alguns com os quais não podemos lutar, como, no primeiro grupo, um time comercial especializado, pessoal em diferentes posições para qualquer tipo de pepino, a confiança de uma marca estabelecida. no segundo, elas vê com a disponibilidade geográfica (quantas escolas de idioma existem na sua cidade?), a indiferença no que tange ao letramento digital, padrões muito bem estabelecidos e aceitos do que é educação.
professores autônomos, no entanto, não têm isso – ou quase nada disso. somos os professores, o comercial, a recepção, o atendimento… trabalhamos online e precisamos que nossos alunos compreendam o ambiente digital. oferecemos, muitas vezes, propostas que nunca figuraram na definição de educação da maioria das pessoas. então por que alguém estudaria com um de nós, e não em uma escola tradicional?
exatamente por todos esses pontos.

as escolas de idiomas não são para todos, e quem já estudou ou trabalhou em uma sabe muito bem disso. grupos desnivelados, unidos muitas vezes por uma única característica – tendo o mesmo nível, a mesma idade ou a mesma disponibilidade, todos com o mesmo peso na decisão, vocês são uma turma -, materiais ultrapassados – afinal, considerando o tempo mínimo de dois anos para criação e publicação de um material didático, não é de surpreender que com apenas 11 anos de carreira eu já tenha visto disquetes nas lições – e dinâmicas tradicionais pouco interativas são a cereja do bolo da desistência e o clássico ‘acho que esse idioma não é pra mim’.

quando finalmente esse aluno, depois de repetir o processo algumas vezes, decide tentar ‘outra coisa’, nossos caminhos se cruzam: os grupos desnivelados viram uma aula individual ou com alguns poucos outros colegas que compartilhem interesses e alinhamento na aprendizagem. o material ultrapassado se torna, no mínimo, um intercalado entre livro e materiais autênticos. as dinâmicas de ‘ouve – anota – repete’ dão lugar a práticas com dinamismo, criatividade, interação e desafio.

e, enfim, esse aluno, fictício mas não tanto, se dá conta: o problema nunca esteve com ele. eu não sei você, mas pessoalmente eu trocaria qualquer grande nome na fachada da escola por um único ex-aluno-de-escola-de-idiomas viajando sozinho pela primeira vez depois de começar a estudar comigo.

no fim das contas, o problema desse aluno era o padrão lucro-lucro-lucro das franquias, e eu não sou uma. ainda bem.

gostou do tema? assista à live e participe dessa conversa:

[sala das professoras] bruna szotka

bruna sala das profes

bruna szotka, @ateacherbruna
professora de inglês, emo, amante de plantas & animais, participante da LUMOS e uma profissional que trabalha com o que ama & acredita

a entrevista a seguir faz parte do quadro sala das professoras”, onde conversamos com outras professoras sobre a realidade docente.

LUMOS PERGUNTA: Olá, Bruna! Obrigada por falar com a gente pra Revista LUMOS, é um prazer estarmos contigo pra essa entrevista! Vou te fazer algumas perguntas, claro, mas se apresente primeiro, por favor.

BRUNA RESPONDE: Me chamo Bruna, tenho vinte e seis anos e dou aulas de inglês desde 2019. Sou completamente apaixonada pelo meu trabalho e sinto orgulho todas as vezes que me perguntam o que eu faço e eu posso dizer que sou professora.

LUMOS PERGUNTA: Conta pra gente um pouco da sua jornada como professora antes da pandemia, durante, no pós… Como foi, resumidamente, sua experiência nesses períodos?

BRUNA RESPONDE: Eu comecei a dar aulas de inglês em uma escola de idiomas no comecinho de 2019 como uma forma de sair do meu emprego tóxico da época. Eu fiquei bem surpresa – e um pouco assustada – de ter conseguido a vaga, afinal eu nunca tinha dado aula antes. Lembro que eu iniciei o treinamento numa segunda-feira e já na sexta me disseram que no dia seguinte eu daria as minhas primeiras aulas. Sorte deles (e minha) que eu nasci pra ser professora rs eu lembro até hoje de ter saído da minha primeira aula com a sensação de ter encontrado o meu lugar. Eu continuei a trabalhar de forma online nessa mesma escola durante a pandemia, que foi quando eu comecei a ter meus primeiros alunos particulares. Nessa época eu não tinha a mínima ideia de como precificar, mas mesmo assim dois alunos particulares já me pagavam praticamente o mesmo que o meu salário inteiro da escola – e ter o gostinho de poder preparar as minhas próprias aulas sem ter que seguir um livro didático à risca foi um caminho sem volta. Em 2021, eu tomei a decisão de me demitir e me dedicar inteiramente ao meu trabalho como professora particular – e é isso que tenho feito desde então. De lá pra cá foram muitos altos e (muitos mesmo) baixos, mas sinto que nos últimos tempos tenho tido mais estabilidade e segurança no meu trabalho.

LUMOS PERGUNTA: Agora, depois de alguns anos de terminada a pandemia, como está sua escola?

BRUNA RESPONDE: Essa pergunta me fez olhar pra trás por um momento e “apreciar a vista”. Eu sempre fui de me cobrar muito, então pra mim é difícil reconhecer minhas próprias conquistas, mas hoje eu vejo que minha escola está em um lugar que antes nem me parecia ser uma possibilidade. Por muito tempo eu tive muita dificuldade em manter uma dupla sequer ativa por mais de um semestre; hoje eu trabalho exclusivamente com turmas. Eu nunca achei que teria a estrutura ou até mesmo a necessidade de contratar uma professora pra trabalhar comigo; hoje tenho duas profes incríveis no meu time pra me ajudar com a demanda de alunos. Mas o que mudou de fato e me permitiu crescer meu negócio foi ter estruturado os processos da minha escola. Hoje eu trabalho com muito mais tranquilidade e segurança porque sei o quê, como e porquê faço o que faço.

LUMOS PERGUNTA: Você participou do Farol, Alto Mar e agora da LUMOS, sem contar produtos pequenos que lançamos ao longo dos anos e lembramos de te ver por eles – essa é uma pergunta meio parcial mas queremos muito saber: o que te motivou a participar dos treinamentos, cursos e mentorias com a gente?

BRUNA RESPONDE: Eu sempre achei vocês muito curiosas rs vocês falavam e faziam as coisas de um jeito tão diferente e revolucionário, que ressoava muito com o que eu acreditava (mas que eu ainda não sabia ser possível trazer para o meu trabalho no digital). Pra quem estava acostumada a participar de mentorias “faça 10k por mês”, encontrar vocês e conhecer outras professoras com quem eu me identificava foi uma tomada de ar depois de tanto tempo mergulhada no caos que era o marketing digital para professores.

LUMOS PERGUNTA: Você poderia traçar um paralelo entre seu trabalho e esses estudos, contando como cada um deles (focando nos principais, claro), influenciou no seu trabalho?

BRUNA RESPONDE: Minha escola só começou a se tornar uma escola de verdade com o Farol. Foi ali que eu comecei a me tornar mais íntima do meu próprio trabalho – a fazer as perguntas certas que me trariam respostas relevantes e úteis de verdade. O Alto Mar, que foi a mentoria de marketing que fiz com vocês, me marcou muito, tanto profissional quanto pessoalmente. Foi de fato um mergulho intrapessoal profundo que me fez refletir sobre o que eu acredito, o que me move e porque ser professora é tão importante pra mim. Já a Lumos me permite estar em constante aprimoramento. As trocas são tão ricas, leves e sinceras; o conteúdo que a gente vê nas trilhas é profundo ao mesmo tempo que é prático; e ter o suporte de outras profissionais pra tirar uma dúvida, comemorar uma conquista ou só desabafar sem julgamento faz toda a diferença no meu dia a dia como professora.

LUMOS PERGUNTA: Um progresso incrível que te acompanhamos fazer foi em relação à sua marca. Antes de trabalharmos nesse tema, quais eram suas maiores dúvidas ou dificuldades em relação ao posicionamento da sua escola ‘no digital’? O que mais te deixava confusa ou insegura?

BRUNA RESPONDE: Olhando pra trás eu vejo que eu não tinha base nem conhecimento nenhum pra fazer o que eu estava fazendo (apesar de ter frequentado inúmeras mentorias de marketing). Sempre que eu sentava pra planejar minha “linha editorial” ou descrever minha “persona” me batia uma frustração porque eu sentia que eu não estava fazendo aquilo do jeito certo. Tudo me parecia tão vazio de significado. No fundo eu sabia que eu não estava me comunicando da maneira como eu gostaria, mas ao mesmo tempo eu não sabia o que eu estava fazendo de errado. Essa falta de direcionamento me deixava constantemente frustrada e insatisfeita com o meu conteúdo.

LUMOS PERGUNTA: Hoje em dia você tem uma marca forte, se importa de contar como foi o processo de construção dela e o que mudou após esse processo?

BRUNA RESPONDE: Eu passei muito tempo achando que o que ditava a minha marca era a minha identidade visual e que o lugar dela era exclusivamente na “vitrine” do meu negócio, mais especificamente no meu feed do instagram. Por mais que meu conteúdo já se destacasse nas redes sociais, foi só depois do trabalho que fizemos no Alto Mar que eu de fato comecei a me comunicar com mais intencionalidade e também mais tranquilidade. Ao ter identificado qual é a minha missão enquanto educadora, os valores da minha marca e como eu quero me expressar, eu tenho conseguido realizar o meu trabalho – tanto dentro quanto fora das redes sociais – com muito mais confiança.

LUMOS PERGUNTA: Essa é uma pergunta que queremos manter nesse quadro: Qual foi o momento ou aprimoramento mais significativo nos últimos tempos pro seu trabalho e o que você ainda quer conquistar?

BRUNA RESPONDE: A Greenhouse é minha grande realização. Acho que todo professor já imaginou como seria ter a sua própria escola. Como seriam as salas, as aulas, os materiais… Eu sinto que, através da Greenhouse, eu estou aos pouquinhos construindo a minha :​) o que eu busco pro futuro é estruturar ainda melhor o meu trabalho pra que eu possa viver uma vida tranquila e tornar a Greenhouse um espaço seguro e acolhedor para estudantes aprenderem e professores trabalharem.

LUMOS PERGUNTA: Por fim, deixe um conselho ou o que você gostaria de ter ouvido quando estava nesse lugar de dúvida e confusão em relação à própria escola, marca e comunicação.

BRUNA RESPONDE: Algo que aprendi com a Lari e com a Let é que tudo começa pelo porquê. Por que você faz o que faz? Por que você ensina? Por que você ensina do jeito que ensina? Todo o seu posicionamento e comunicação vão depender das suas respostas para essas perguntas – que não me leve a mal, não são nada fáceis e me renderam uma baita crise existencial. Se ao refletir sobre essas perguntas a crise bater por aí também, não foge dela, não. São as dúvidas e como você responde a essas dúvidas que vão formar o solo para a sua marca crescer :​)

[live de quinta] por que todo mundo no digital tem a mesma cara?

e como essas mesmas marcas tem a coragem de dizer que vendem autenticidade? coca cola já reparou que todo refrigerante de cola possui embalagem vermelha? claro, há excessões – a Pepsi é, provavelmente, a maior delas. não é coincidência. a escolha da cor vermelha ou, ainda, de qualquer cor que não seja vermelha é intencional – e, sim, tem a ver com a coca-cola. a decisão de usar o vermelho é tal qual a decisão de usar um blazer em suas fotos profissionais: você se assemelha a outras marcas e ativa no consumidor a memória que ele tem sobre a marca original. é sabido que o refrigerante de cola dificilmente tem o mesmo sabor da coca-cola – mas, ele é mais barato e parece igual. quem sabe não vale a pena experimentar? e dentre os refrigerantes de cola com a embalagem vermelha, você escolhe entre o que mais se assemelha visualmente ou o que representa mais economia pro seu bolso. entre um blazer que cobra milhares de reais e um blazer que cobra dezenas de milhares de reais, você escolhe aquele que mais se assemelha visualmente à ideia inicial desse blazer (autoridade? liderança? fartura?) ou o que representa mais economia pro seu bolso – podendo também escolher o mais caro, quando possível, pra se aproximar da ‘experiência real’, ou seja: pra experimentar – mesmo sem nunca ter “bebido” do “original” para comparar.
tá todo mundo tentando se parecer com a coca-cola para buscar os consumidores que desejam a coca-cola mas não podem pagar por ela. substitua coca-cola por guru de marketing. voilà.
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as imagens acima foram criadas por mim para um exercício na LUMOS. os textos também foram escritos por mim, let. ainda assim, nós podemos imaginar alguns perfis de onde pudessem ter saído. não porque o discurso seja o mesmo. não porque a marca represente valores próximos para públicos diferentes. mas porque todos seguem a mesma fórmula de posicionamento, através de mentorias rasas, produtos do tipo copie e cole e prompts do chat GPT que miram no autêntico e acertam no mais do mesmo.

acontece que, para diferenciar-se (algo que muitos mentores pregam, mas carecem de praticar e ensinar) é necessário criar uma marca forte. esse processo não ocorre da noite para o dia e não pode ser feito com copie e cole.

e enquanto você tenta fazer como os gurus (quase que literalmente) – sejam eles usuários de blazer, representantes boho chic ou adeptos à estética greco-goiana – você nunca vai se diferenciar. o que não é um problema… a não ser que você busque uma marca autêntica, uma comunicação clara e uma comunidade unida.

 

gostou do tema? assista à live e participe dessa conversa:

o guru que te promete mundos e fundos como professor “no digital” fez, ele mesmo, mundos e fundos como professor “no digital”?

ou ele é só mais um querendo te convencer a trocar a sala de aula pela criação de infoprodutos? para que sua rotina seja dedicada a vender e não a ensinar?

faça 10 mil por mês como professor ~no digital.

faça 20 mil por mês como professor ~no digital.

faça 30 mil por mês como professor ~no digital.

faça 40 mil por mês como professor ~no digital.

faça 50 mil por mês como professor ~no digital.

você não fica curiosa para saber como?

é engraçado como esse é sempre um número mágico: ora 10 (uma baita mudança de vida – e parece alcançável!), ora 50 para as mais ambiciosas (por que lutar por 10 se posso ir atrás de 50?). ora 30 – caçoando de quem promete 50 e buscando se destacar de quem promete 10.

esses profissionais que se autoproclamam empresários (de marketing quando buscam vender, de educação quando buscam legitimidade, mas sempre do digital) tal qual entregadores que se autointitulam empreendedores – se dividem entre duas categorias:

① aqueles que perceberam nos professores – especialmente de idiomas – um nicho onde buscar lucratividade, como quem calcula entre abrir uma escola ou um lava-jato

② os ex-professores, que agora atuam como gurus

nos dois casos, chama atenção a promessa formulaica:

você pode ganhar mundos e fundos

basta seguir esse passo a passo simples

apesar de simples, demanda muito esforço

por isso, só chegam “lá” os mais dedicados.

mas nem taaaaanto esforço a ponto de te fazer desistir de acreditar em mim a comprar meus produtos

os casos de fracasso “no método” não são de responsabilidade do mentor

afinal, quem fracassou é porque não seguiu exatamente o que eu propus

“olha só quantas pessoas já compraram de mim e, portanto, se eu vendi, o ‘meu método’ funciona e você deve aplicá-lo no seu negócio”

e pouco interessa os resultados reais destas pessoas, desde que eu te apresente alguns poucos casos de “sucesso” – o suficiente para você ignorar que não funcionou para a maioria

e os cursos e mentorias? você já sabe:

não há bibliografia. quando muito: a indicação de alguns livros de autoajuda

altamente baseados em evidências anedóticas e experiência pessoal e pouca ou nenhuma estruturação para desenvolvimento de autonomia e competências

da promessa à realidade: quantas professoras fazem 10, 30 ou 50 mil por mês? como é a rotina dessas professoras? elas seguem sendo professoras? o que elas ensinam? como elas ensinam? quais atividades compõem a sua rotina?

qual modelo de negócio você estaria disposta a construir e manter para faturar esse dinheiro? você abriria mão dos seus valores? da sua rotina? você sabe os custos de manter um negócio que fatura 30 mil por mês? você sabe qual seria o seu pró-labore? esse pró-labore valeria a pena para a rotina que você viveria nesse novo cenário?

quantos professores ensinados por esses gurus de fato fizeram esse dinheiro e sustentam esse ganho com uma rotina de vida & de trabalho que você admira e gostaria de ter para si?

os ex-professores gurus alcançaram esse faturamento na condição de professores ou na condição de vendedores de curso-de-vender-curso?

[você que estudou pra isso, me responde] priscila, contadora

contadora

priscila, @psgcontabilidade
contadora, mãe e uma profissional que trabalha com o que ama & acredita

a entrevista a seguir estreia o quadro você que estudou pra isso, me responde”, onde escutamos especialistas de diversas áreas sobre nossos temas de interesse. as perguntas foram enviadas pelas participantes da comunidade LUMOS.

BLOCO DE PERGUNTAS: sobre as dificuldades em entender a contabilidade da própria escola

LUMOS PERGUNTA: Como funciona a declaração de PF para quem é MEI? como faço essa declaração? tem restituição?

PRISCILA RESPONDE: Essa é uma dúvida bem comum, e super válida! O MEI, mesmo sendo uma empresa, não deixa de ser uma pessoa física também. Isso significa que, além das obrigações como CNPJ (como o pagamento mensal do DAS), o empreendedor precisa declarar o Imposto de Renda da Pessoa Física todos os anos — se atingir os critérios da Receita. A forma correta de declarar é separando o que é da empresa e o que é seu como pessoa física.

O que você retira do MEI para uso pessoal deve ser lançado como rendimento isento, até o limite permitido, e o restante como tributável. É possível, sim, ter restituição, desde que tenha imposto retido na fonte (por exemplo, em rendimentos CLT ou aplicações financeiras) e que as deduções, como saúde e educação, justifiquem isso.


PRISCILA EXPLICA:

Quem está obrigado a declarar o IRPF em 2024 (Conforme Divulgação Receita Federal):

  1. Recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 30.639,90 no ano (como salário, aposentadoria, pró-labore, aluguéis etc.).
  2. Recebeu rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte acima de R$ 200.000,00, como: • Lucros distribuídos de MEI ou de empresa no Simples. • Indenizações, heranças, doações, FGTS etc.
  3. Teve, em qualquer mês, ganho de capital na venda de bens ou direitos, como imóveis, veículos ou ações.
  4. Realizou operações na bolsa de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, mesmo que tenha tido prejuízo ou valores baixos.
  5. Teve receita bruta acima de R$ 153.199,50 em atividade rural.
  6. Pretende compensar prejuízos de anos anteriores ou de 2024 na atividade rural.
  7. Tinha, em 31 de dezembro de 2024, a posse ou propriedade de bens ou direitos com valor total superior a R$ 800.000,00, como imóveis, terrenos, veículos, investimentos etc.
  8. Passou à condição de residente no Brasil em qualquer mês de 2024 e permaneceu nessa condição até 31 de dezembro.
  9. Optou por declarar para atualizar bens no exterior com base na Lei 14.754/2023.
Como isso afeta o MEI?
O MEI, como empresa, não é obrigado a entregar o IRPF por si só. A obrigação vem se a pessoa física titular do MEI se enquadrar nos critérios acima.

A separação entre empresa e pessoa física, no contexto contábil, é feita principalmente por dois caminhos:

① Pró-labore: É a remuneração formal do sócio pelo trabalho que ele exerce na empresa. Incide INSS (11%) e, dependendo do valor, pode ter IRRF. É considerado rendimento tributável na declaração do IRPF. Pode (e deve) ser registrado em folha e pago como qualquer salário.

Distribuição de Lucros: É a retirada do lucro da empresa após apuração das receitas e despesas. Desde que apurado corretamente, é considerado rendimento isento, e deve ser informado na DIRPF como tal. Para o MEI, a Receita permite considerar até 32% do faturamento anual como lucro presumido isento (quando não há contabilidade formal), o que facilita para autônomos.

No caso específico do MEI, não é obrigatório pagar pró-labore, mas é altamente recomendável fazer essa separação, defindo um valor fixo mensal como se fosse um “salário” e o restante pode ser tratado como lucro isento (respeitando os 32% do faturamento bruto). Isso ajuda na hora de fazer o IRPF e em aposentadoria/INSS (já que o pró-labore gera contribuição mais robusta que o DAS MEI, que é de apenas 5%). Ou seja, isso mostra que o empreendedor está formalizando sua remuneração como profissional e tratando os lucros da empresa de forma separada. Esse cuidado facilita a contabilidade, protege o patrimônio pessoal e evita problemas na hora de declarar o imposto de renda.

Como funciona na prática?

  1. Some todo o faturamento bruto do MEI no ano – Exemplo: R$ 81.000,00
  2. Calcule 32% desse valor– R$ 81.000 × 32% = R$ 25.920,00
  3. Esse valor é o limite de lucro isento que o MEI pode distribuir ao titular sem precisar de escrituração contábil formal.
  4. O que exceder esse valor, se for retirado da empresa, deve ser declarado como rendimento tributável na declaração de IRPF.

E se o MEI quiser distribuir mais do que os 32% como isento? Aí, ele precisa ter: Escrituração contábil regular (feita por contador), comprovando, com balancetes, que a empresa realmente teve lucro maior. Sem isso, a Receita presume o limite de 32%, para evitar o uso do MEI como “escudo” para isenção indevida.

DICA SUPER IMPORTANTE: Mesmo que isento, deve declarar. Isso ajuda a comprovar renda em financiamentos, vistos etc. e mantém a Receita informada sobre os rendimentos que o contribuinte recebeu da própria empresa.

BLOCO DE PERGUNTAS: MEI, ME e desenquadramento

PRISCILA EXPLICA:

O que é MEI (Microempreendedor Individual)?

O MEI, ou Microempreendedor Individual, é uma forma simplificada de empresa criada para facilitar a formalização de pequenos negócios e trabalhadores autônomos. Ele permite que o empreendedor tenha um CNPJ, pague impostos de forma simplificada e pague um valor fixo mensal (o DAS). O MEI tem limites claros, como faturar até R$ 81 mil por ano, não ter sócios e poder contratar no máximo um funcionário. Seria a porta de entrada para quem está começando e quer regularizar seu negócio de maneira prática, com menos burocracia e custos reduzidos.

Para ser MEI, é preciso atender a alguns critérios bem específicos:

  1. Faturar até R$ 81.000,00 por ano (média de R$ 6.750 por mês).
  2. Se abriu o MEI depois de janeiro, o limite é proporcional aos meses de atividade.
  3. Ter no máximo 1 funcionário registrado, que receba salário-mínimo ou piso da categoria.
  4. Não pode ter outro CNPJ.
  5. Exercer uma atividade permitida para MEI. A lista é definida pelo governo e inclui atividades especificas.
  6. Não realizar importação ou exportação direta de produtos. MEI pode vender para fora do país, mas com limitações e com apoio técnico.

Se o empreendedor ultrapassar essas regras — especialmente o limite de faturamento — ele precisa fazer o desenquadramento e se tornar uma Microempresa (ME).

O desenquadramento pode acontecer de forma espontânea (quando o próprio empreendedor solicita) ou de forma automática (quando a Receita identifica que algo saiu fora das regras).

O que é uma Microempresa (ME)?

A Microempresa, ou ME, é um tipo de empresa voltada para pequenos negócios que já cresceram além dos limites do MEI. A ME pode faturar até R$ 360 mil por ano, ter mais de um sócio, contratar mais funcionários e atuar em várias atividades econômicas. Diferente do MEI, que tem regras mais simples, a ME exige uma estrutura maior: precisa manter contabilidade formal, emitir notas fiscais detalhadas, pagar impostos com alíquotas variáveis e cumprir obrigações acessórias mais complexas. Essa categoria é uma evolução para quem quer profissionalizar a empresa, aumentar o faturamento e crescer com segurança.

Diferenças entre MEI e ME:

AspectoMEIME
Faturamentopode faturar até R$ 81 mil por anopode faturar até R$ 360 mil
Sóciossó pode ter um titular, sem sóciospode ter vários sócios
Funcionáriospode contratar somente 1 funcionáriopode contratar mais conforme necessidade
Atividadestem uma lista limitada de atividades permitidaspode atuar em várias áreas
Contabilidadeobrigações contábeis simplificadas, sem necessidade de contabilidade formalprecisa de escrituração contábil regular
Tributaçãopaga um valor fixo mensal (DAS)paga impostos pelo Simples Nacional, com alíquotas que variam conforme o faturamento
Notas fiscaisa emissão de nota fiscal é opcional (para alguns casos)obrigatória conforme a legislação
Limitaçõeslimitações para se manter no regimeoferece mais flexibilidade para crescer.

MEI

Faturamento: pode faturar até R$ 81 mil por ano
Sócios: só pode ter um titular, sem sócios
Funcionários: pode contratar somente 1 funcionário
Atividades: tem uma lista limitada de atividades permitidas
Contabilidade: obrigações contábeis simplificadas, sem necessidade de contabilidade formal
Tributação: paga um valor fixo mensal (DAS)
Notas fiscais: a emissão de nota fiscal é opcional (para alguns casos)
Limitações: limitações para se manter no regime

ME

Faturamento: pode faturar até R$ 360 mil
Sócios: pode ter vários sócios
Funcionários: pode contratar mais conforme necessidade
Atividades: pode atuar em várias áreas
Contabilidade: precisa de escrituração contábil regular
Tributação: paga impostos pelo Simples Nacional, com alíquotas que variam conforme o faturamento
Notas fiscais: obrigatória conforme a legislação
Limitações: oferece mais flexibilidade para crescer.

O MEI é ótimo para começar, mas quando o negócio cresce, é natural precisar de um novo enquadramento — que permita mais faturamento, mais estrutura e mais possibilidades. O ideal é que esse passo seja planejado, e não uma surpresa no fim do ano.

LUMOS PERGUNTA: Como funciona o processo de transição do MEI para Microempresa (ME)?

PRISCILA RESPONDE: Quando o empreendedor ultrapassa as regras do MEI e precisa migrar para Microempresa (ME), ele deve passar por um processo chamado desenquadramento e fazer as adequações necessárias para o novo regime.

Solicitação de desenquadramento: Pode ser feita pelo próprio empreendedor no portal do Simples Nacional, ou pode ser automática pela Receita quando identifica que o MEI ultrapassou os limites.

Atualização cadastral na Junta Comercial: É preciso alterar o registro da empresa para a nova categoria (ME), o que envolve a atualização do contrato social ou alteração do cadastro.

Mudança no regime tributário: A empresa passa a recolher impostos pelo Simples Nacional com alíquotas e regras diferentes das do MEI.

Contratação de contador: A partir daí, o contador já passa a ser obrigatório.

Adequação financeira: É importante reorganizar as finanças, definir pró-labore, controlar despesas e receitas com mais disciplina.

LUMOS PERGUNTA: Como reorganizar as finanças após o desenquadramento do MEI para Microempresa (ME)?

PRISCILA RESPONDE: Após a transição do MEI para ME, é fundamental reorganizar as finanças para garantir o crescimento saudável da empresa e o cumprimento das novas obrigações. Essa mudança é significativa e com impactos no caixa da empresa.

Dicas importantes:

Separar finanças pessoais das empresariais: Isso evita confusão e facilita o controle do caixa e fluxo de pagamentos.

Definir um pró-labore: Diferente do MEI, onde o dono geralmente retira o que precisa, na ME é importante estabelecer um valor fixo para o sócio, que será considerado como salário e tributado.

Controlar receitas e despesas com rigor: Use planilhas, softwares de gestão ou sistemas contábeis para registrar tudo detalhadamente.

Planejar o pagamento de impostos: Entender o Simples Nacional e suas alíquotas para evitar surpresas e garantir que a empresa tenha recursos suficientes para cumprir as obrigações.

 Consultar o contador regularmente: Ele ajuda a interpretar os números, planejar o crescimento e fazer ajustes financeiros necessários.

LUMOS PERGUNTA: E como definir esse pró-labore após o desenquadramento do MEI para Microempresa (ME)?

PRISCILA RESPONDE: O pró-labore é a remuneração do sócio pelo trabalho que ele exerce na empresa, funcionando como um salário. Após o desenquadramento para ME, é muito importante definir um valor de pró-labore que seja justo e adequado para o negócio e para o sócio.

Pontos a considerar:

  1. Equilíbrio entre empresa e sócio: O pró-labore deve ser suficiente para cobrir as necessidades pessoais do sócio, mas sem comprometer a saúde financeira da empresa.
  2. Contribuição previdenciária: Sobre o pró-labore incidem contribuições ao INSS, o que pode garantir benefícios como aposentadoria para o sócio.
  3. Tributação: O pró-labore é tributável e pode sofrer retenção de imposto na fonte, dependendo do valor.
  4. Planejamento financeiro: Definir o pró-labore ajuda na organização das finanças, pois torna previsível o valor a ser retirado e facilita o controle de despesas e lucros. Em resumo, o pró-labore é um instrumento fundamental para separar a remuneração do sócio do lucro da empresa, garantindo clareza, organização e segurança para ambos.”

LUMOS PERGUNTA: E como funciona a distribuição de lucros para uma empresa ME?

PRISCILA RESPONDE: Na Microempresa (ME), a distribuição de lucros ocorre com base no resultado apurado pela contabilidade da empresa. E o que isso significa? Significa que, ao final do período, após registrar todas as receitas, despesas, custos e tributos, o lucro líquido é calculado. Esse lucro pode ser distribuído aos sócios sem que haja cobrança de imposto de renda sobre esse valor, desde que a empresa mantenha uma escrituração contábil formal e correta.

BLOCO DE PERGUNTAS: sobre diferentes moedas e recebimentos do exterior

LUMOS PERGUNTA: Qual taxa de câmbio usar ao prestar serviços para o exterior?

PRISCILA RESPONDE: Use a taxa de câmbio oficial (PTAX de venda) do dia em que o pagamento foi efetivamente recebido. Ou seja, a conversão da moeda estrangeira para reais deve ser feita com base na taxa de câmbio do Banco Central (PTAX de venda) referente à data de recebimento efetivo do pagamento. E por que usar a taxa de câmbio do Banco Central (PTAX de venda)? Porque a Receita Federal determina que todas as conversões de valores em moeda estrangeira para reais, quando envolvem operações de prestação de serviços ou comércio internacional, devem usar a cotação oficial divulgada pelo Banco Central do Brasil.

Pontos de atenção

Para MEI, esse valor convertido em reais é o que entra no cálculo do faturamento anual.
Para ME, esse valor entra na receita bruta do mês e afeta o cálculo de tributos pelo Simples.
Sempre guarde o comprovante do câmbio feito pela plataforma ou banco para documentação e segurança fiscal.

Por que isso é importante?
Para evitar inconsistências entre o valor da nota e o valor realmente recebido.
Garantir que o faturamento esteja de acordo com as exigências da Receita Federal.
Facilitar o controle financeiro e contábil — especialmente se você presta serviços em várias moedas.

Mesmo a conversão tenha sido feito por uma plataforma, a referência contábil válida será sempre a cotação oficial da PTAX de venda, e não a taxa comercial usada pela empresa de câmbio, garantindo uniformidade e respaldo legal no cálculo do faturamento (para MEI) ou das receitas (para ME), além de assegurar conformidade nas declarações de IR e obrigações acessórias e afins.

LUMOS PERGUNTA: Posso emitir a nota fiscal antes do pagamento/depósito do aluno?

PRISCILA RESPONDE: Sim, você pode emitir a nota se o aluno precisa da nota para autorizar o pagamento. Mas, para efeitos tributários, o que vale é a data em que o valor é efetivamente recebido. Você pode incluir no campo de observações da nota: “Nota fiscal emitida previamente a pedido do contratante. O valor será convertido para reais na data do efetivo recebimento, conforme PTAX de venda do Banco Central do Brasil, nos termos da Instrução Normativa RFB nº 1.771/2017.”

Sugestão de como conduzir a situação

Emita a nota fiscal com o valor contratado (em moeda estrangeira):
Inclua o código da moeda e o valor acordado com o aluno. Inclua a observação acima na nota para proteger-se caso a conversão final seja diferente.
Aguardar o pagamento:
Quando o pagamento cair, registre a entrada em reais no seu controle de faturamento, na sua planilha de excel usando a cotação PTAX de venda do dia do recebimento.

Houve diferença no valor?
Se a conversão real ficar diferente do valor em reais que apareceu na nota (para mais ou para menos), você não precisa emitir uma nota complementar, se a diferença for pequena e você estiver apenas ajustando o controle interno, sua planilha gerencial. Mas se for uma diferença significativa (por exemplo, por variação cambial de alguns dias), aí sim você tem duas opções:

  1. Emitir uma nota complementar, ajustando a diferença positiva (se quiser registrar a receita a mais);
  2. Cancelar e reemitir a nota, com os valores atualizados (se o sistema da prefeitura permitir e for viável para ambas as partes).

Lembre-se: Como MEI, seu foco é manter o controle do que entra na sua conta, em reais, respeitando o limite anual. O valor da nota é referência documental, formalização, mas o valor convertido é o que conta de fato no faturamento. Por isso o controle é fundamental. Sempre registre internamente: data do pagamento, moeda, valor original e valor convertido. Se isso se repetir com frequência, vale considerar uma política interna: “A nota fiscal será emitida no ato do pagamento, com valor atualizado pela cotação do dia.”

LUMOS PERGUNTA: Com o aumento do IOF, qual a melhor maneira de receber dos alunos que estão no exterior?

PRISCILA RESPONDE: A melhor opção depende de 3 fatores principais: volume, frequência e moeda. Se você recebe valores eventuais ou moderados a Wise continua sendo uma boa opção, por ser simples, rápido e confiável. Também vale considerar a Remessa Online, que costuma ter taxas similares e permite envio para contas de pessoa jurídica. Se você tiver frequência alta ou valores mais robustos: pode optar em abrir uma conta PJ multimoeda, como na Payoneer (segundo pesquisa ótima para serviços digitais), pode reduzir custos. Mas para maiores informações somente fazendo contato e entendendo o que ofertam. Outra opção é usar uma conta internacional digital, mas também precisará verificar quais bancos ofertam esse serviço para PJ.

Sobre morar fora do Brasil

Se você está temporariamente fora do Brasil, mas ainda tem vínculo com o país (residência fiscal, domicílio, conta bancária etc.), continua podendo atuar como MEI normalmente. Mas, se você passar a residir fora do país por mais de 12 meses seguidos, poderá ser considerado não residente fiscal — e isso muda as regras para tributos, MEI e até IRPF.

  1. Residente fiscal ou não residente fiscal?
    • Residente fiscal é quem mora no Brasil ou fica aqui mais de 183 dias por ano.
    • Não residente fiscal é quem mora fora do Brasil por mais de 12 meses seguidos, sem previsão de volta.
  2. Posso ser MEI morando fora do Brasil?
    • Se você ainda é residente fiscal no Brasil, pode continuar sendo MEI normalmente.
    • Se ficar mais de 12 meses fora do Brasil e passar a ser não residente fiscal, não poderá continuar como MEI.
  3. O que muda quando você vira não residente fiscal?
    • Você precisa encerrar o MEI ou mudar a forma de atuação.
    • Passa a ter obrigações diferentes na Receita e pode ter impostos retidos na fonte quando receber do Brasil.
    • Deve avaliar abrir empresa ou prestar serviço no país onde está morando.

LUMOS PERGUNTA: Como você aconselharia uma pessoa a “internacionalizar” a empresa?

PRISCILA RESPONDE: Internacionalizar sua empresa vai além de só vender para fora: é um processo que envolve organização legal, financeira, tributária, logística e comercial.
• Avalie seu modelo de negócio atual
• Regularize sua empresa para operações internacionais
• Conheça as regras fiscais e tributárias
• Organize os meios de pagamento internacionais
• Planeje sua comunicação e marketing para o público estrangeiro
• Busque suporte e capacitação
• Avalie os aspectos legais e contratuais
• Invista e faça parcerias que apoiem esse crescimento

LUMOS PERGUNTA: Como profissional, como você aconselharia professores a tornar esse processo contábil menos difícil?

PRISCILA RESPONDE: Eu costumo dizer que a chave para deixar tudo mais simples é organização e informação para uma comunicação clara, objetiva e assertiva. Meu conselho é: criem o hábito de registrar os recebimentos e despesas da escola mensalmente, mesmo que de forma simples, em uma planilha. Ter clareza sobre o que entra e o que sai é um ótimo começo. Outro ponto importante é buscar parceiros contábeis que falem a linguagem de vocês. Não precisa ser nada técnico demais — o contador certo vai ajudar a traduzir as obrigações de forma prática, e até sugerir melhorias na gestão. Hoje, felizmente, temos muitas ferramentas acessíveis e serviços personalizados que ajudam a transformar esse processo em algo leve, previsível e até estratégico. Embora o MEI não seja obrigado por lei a contratar um contador, contar com esse apoio faz toda a diferença para o sucesso do seu negócio. Um contador ajuda a organizar suas finanças, separar corretamente o que é pró-labore e lucro, e garantir que a declaração do Imposto de Renda seja feita sem erros — evitando problemas com a Receita Federal. Além disso, ele pode orientar sobre melhores práticas, benefícios fiscais e contribuições, garantindo que você pague somente o necessário e aproveite ao máximo as vantagens do MEI. Por isso, ter um contador é um investimento que traz segurança, tranquilidade e permite que você foque no que realmente importa: crescer sua empresa! Mas tudo isso precisa estar com objetivos e propósitos alinhados.

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